Mini-Projeto · Organizar a construção de uma creche
Contexto
A instituição social privada "O Ninho" quer construir uma nova creche em Ribeira Longa, num terreno próprio. Foste contratado/a, como técnico/a de obra, para organizar toda a construção: analisar os projetos das especialidades, confirmar o licenciamento, definir o cronograma completo, distribuir os recursos, e preparar os documentos de segurança, resíduos, ambiente, qualidade e risco que acompanham a obra do início ao fim.
Trabalhas individualmente ou a pares, a partir dos projetos fornecidos pelo gabinete de arquitetura e pelos gabinetes de especialidades, e entregas um dossiê de organização da obra completo, coerente do primeiro ao último documento.
Requisitos
Funcionais
- Cronograma completo (EDT + tabela), contemplando todas as fases da obra, incluindo o licenciamento, com início e fim de cada fase.
- Identificação do regime de licenciamento aplicável (RJUE) para uma entidade privada, e verificação de que o empreiteiro detém o título de habilitação IMPIC adequado à classe da obra.
- Plano de distribuição de recursos, com pelo menos um exemplo de nivelamento entre duas subatividades sobrepostas numa mesma fase.
- PSS resumido (riscos principais e medidas), lista de EPI por situação de risco, e verificação de se a obra atinge os limiares de comunicação prévia à ACT.
- PPGRCD, com pelo menos 4 categorias de resíduos e o destino previsto para cada uma.
- Registo de riscos com pelo menos 4 riscos, atualizado em pelo menos 2 momentos da obra.
- Verificação de conformidade de pelo menos 1 material, com o respetivo ensaio.
- Avaliação do progresso num ponto de controlo concreto do cronograma, com cálculo do desvio.
Não-funcionais
- Coerência entre todos os documentos do dossiê: as mesmas fases, as mesmas semanas, os mesmos números em todo o lado.
- Linguagem técnica rigorosa; todos os cálculos com a fórmula à vista, não só o resultado.
- Dossiê organizado, datado e com um índice.
Fases
Fase 1 · Análise dos projetos e licenciamento (3h) Ler as peças de arquitetura e especialidades, identificar eventuais conflitos, e confirmar o regime de licenciamento aplicável e a habilitação do empreiteiro.
Fase 2 · Cronograma completo (4h) Construir a EDT e a tabela de início e fim de cada fase, contemplando todas as fases da obra.
Fase 3 · Distribuição e nivelamento de recursos (3h) Identificar subatividades sobrepostas numa fase e propor um nivelamento, com o histograma antes e depois.
Fase 4 · Segurança, resíduos e ambiente (3h) Preparar o PSS resumido, a lista de EPI, a verificação da comunicação prévia à ACT, e o PPGRCD.
Fase 5 · Qualidade e registo de riscos (3h) Definir a verificação de conformidade de um material e montar o registo de riscos inicial.
Fase 6 · Avaliação do progresso e dossiê final (3h) Escolher um ponto de controlo no cronograma, calcular o desvio face ao planeado, atualizar o registo de riscos, e fechar o dossiê.
Fase 7 · Apresentação (1h) Apresentar o dossiê à turma, justificando as decisões de organização da obra.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Cronograma completo e correto | 20% |
| Licenciamento e regulamentos identificados corretamente | 10% |
| Distribuição e nivelamento de recursos | 15% |
| Segurança, resíduos e ambiente | 20% |
| Qualidade e registo de riscos atualizado | 15% |
| Avaliação do progresso e dossiê final | 10% |
| Apresentação | 10% |
Erros comuns
- Esquecer a fase de licenciamento no cronograma, por a obra ser de uma entidade privada e "parecer" que só começa no estaleiro.
- Confundir o título de habilitação IMPIC com o licenciamento camarário RJUE. São entidades e processos diferentes, e a obra precisa dos dois.
- Achar que o nivelamento de recursos elimina sempre o pico. Só elimina quando a soma das durações cabe na janela; caso contrário, reduz a duração do pico e os vazios.
- Fazer o registo de riscos uma vez só e nunca o atualizar ao longo da obra.
- Aceitar um material sem confirmar o ensaio ou a ficha técnica.
- Calcular um desvio de progresso sem indicar o valor planeado para a mesma semana.
Bónus (opcional)
- Construir o modelo BIM simplificado das especialidades e assinalar um conflito detetado.
- Propor um método construtivo alternativo (pré-fabricação ou LSF) para uma fase crítica, e recalcular o cronograma.
- Preparar um segundo ponto de controlo de progresso, mais tarde no cronograma, e comparar a evolução do desvio entre os dois momentos.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a folga de uma atividade não protege as atividades críticas que correm em paralelo com ela? E, olhando para o teu registo de riscos, qual dos riscos identificados tem maior probabilidade de se repetir numa obra diferente, e porquê?