Mini-Projeto · Processo de desenho técnico de uma moradia térrea
Contexto
O atelier "Construir Certo", um gabinete de projetos de arquitetura e engenharia, vai submeter à câmara municipal o processo de licenciamento de uma moradia térrea nova, num lote com 12 m de frente por 20 m de profundidade. Foste destacado/a, como técnico/a de obra em estágio, para preparar o conjunto de desenhos técnicos desse processo: do levantamento do terreno até às peças desenhadas finais, cumprindo as normas de desenho e os requisitos legais do RJUE.
Trabalhas individualmente ou a pares, com fita métrica, dispositivo de medição a laser, escalímetro e software de desenho (CAD). No fim, entregas um dossiê completo com o levantamento, as peças desenhadas normalizadas e uma nota de conformidade legal.
Requisitos
Funcionais
- Levantamento do lote e da implantação pretendida, com esquisso à mão livre, cotas medidas e cota de fecho de conferência.
- Planta de implantação à escala 1:200, com o edifício posicionado no lote e uma zona assinalada para resíduos de obra.
- Planta do piso à escala 1:100, com todas as divisões, vãos (portas e janelas) e cotagem completa.
- Pelo menos um corte e um alçado, à escala 1:100, coerentes com a planta e referenciados corretamente (corte identificado na planta, por exemplo A-A').
- Um pormenor construtivo à escala 1:20 (por exemplo, um vão de janela ou um remate de laje).
- Todas as vistas organizadas pelo método europeu (1.º diedro).
- Legenda de materiais, carimbo completo (título, escala, autor, data, método de projeção) e formato de folha da série A adequado a cada peça.
- Desenho em CAD organizado por camadas (paredes, cotas, texto, instalações), conforme a lógica da ISO 13567.
Não-funcionais
- Cotagem sem sobre-cotagem nem cotas de fecho redundantes: cada medida aparece uma só vez, na forma mais direta.
- Consistência entre peças: a mesma parede tem a mesma espessura e posição em todas as vistas onde aparece.
- Símbolos e hachuras com o mesmo significado em todas as peças do processo.
- Registo do EPI usado na visita ao terreno e da zona de resíduos prevista na implantação.
- Dossiê organizado, com folhas dobradas segundo a norma quando aplicável, e carimbo sempre visível.
Fases
Fase 1 · Levantamento no local (3h) Esquisso à mão livre do lote e da implantação prevista; medições com fita métrica e laser; registo da cota de fecho de conferência.
Fase 2 · Formato, escala e método de projeção (2h) Escolher o formato de folha adequado a cada peça (implantação, planta, corte, alçado, pormenor); definir a escala de cada uma; confirmar o método europeu no carimbo.
Fase 3 · Planta de implantação (2h) Desenhar a implantação a 1:200, com o edifício no lote, orientação (Norte) e zona de resíduos de obra assinalada.
Fase 4 · Planta, corte e alçado (5h) Desenhar a planta do piso a 1:100 com todas as divisões e vãos; o corte referenciado na planta; o alçado da fachada principal. Verificar a coerência entre as três vistas.
Fase 5 · Cotagem e pormenor (3h) Cotar todas as peças com o valor real, sem sobre-cotagem; desenhar o pormenor construtivo a 1:20.
Fase 6 · Organização, legal e segurança (3h) Organizar camadas em CAD; completar legendas e carimbos; verificar as peças exigidas pelo RJUE; documentar o EPI usado no levantamento.
Fase 7 · Apresentação (2h) Apresentar o dossiê à turma, explicando as escolhas de escala, cotagem e organização.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Levantamento e planta de implantação | 15% |
| Planta, corte e alçado corretos e coerentes entre si | 25% |
| Cotagem correta, com valor real e sem sobre-cotagem | 20% |
| Organização normalizada (formato, carimbo, legenda, camadas) | 15% |
| Conformidade legal (RJUE, peças completas), segurança e ambiente | 15% |
| Dossiê e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Cotar com a medida lida no papel em vez da medida real do elemento.
- Sobre-cotar divisões que já somam a um total já indicado noutra cota.
- Inverter o método de projeção, colocando a vista lateral esquerda à esquerda da vista de frente (isso é o método americano, não o europeu).
- Desenhar a planta, o corte e o alçado sem verificar a coerência entre eles, deixando paredes com espessuras diferentes de peça para peça.
- Entregar o processo sem corte, ou sem a memória descritiva que acompanha as peças desenhadas.
- Esquecer o EPI na visita ao terreno ou a zona de resíduos na implantação.
- Dobrar as folhas grandes sem seguir a norma, escondendo o carimbo.
Bónus (opcional)
- Planta de cobertura adicional, a 1:100.
- Segundo pormenor construtivo (por exemplo, um remate de escada ou de platibanda).
- Organização completa das camadas CAD por cores, conforme uma convenção documentada no dossiê.
- Simulação da dobragem física de uma das folhas A2 até ao formato A4, com o carimbo à vista.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a cota de um elemento não muda quando se muda a escala do desenho? E identifica duas decisões que tomaste neste projeto para evitar sobre-cotagem ou inconsistência entre a planta, o corte e o alçado.