Projecto · Diagnóstico e reparação de um sistema de climatização
Contexto
A oficina onde estás a estagiar recebe uma viatura ligeira com queixas de ar condicionado. O cliente diz que "há umas semanas arrefecia menos e agora quase não arrefece; às vezes cheira a mofo quando ligo, e o carro faz um estalido ao ligar o A/C". A tua missão é diagnosticar, reparar, carregar o fluido e ensaiar o sistema, seguindo o método profissional e a regulamentação dos gases fluorados — nada de "meter gás e ver se chega".
O trabalho pode ser feito individualmente ou a pares, sobre um veículo real, uma bancada didática de A/C ou um simulador com estação de recuperação/carga. Entregas o sistema a arrefecer conforme a especificação mais um pequeno dossiê técnico (OR preenchida, leituras de pressão, deteção de fuga, registo do gás recuperado/carregado e relatório de ensaio).
Requisitos
Funcionais
- Ordem de Reparação aberta: viatura, VIN, km, queixa, e tipo/quantidade de gás da etiqueta.
- Diagnóstico documentado com leitura de pressões (baixa e alta) e interpretação face aos valores de referência.
- Deteção de fuga por, no mínimo, um método (detetor eletrónico e/ou corante UV), com o ponto de fuga identificado.
- Recuperação do gás existente com a estação, com registo da quantidade.
- Reparação da fuga/componente e substituição do filtro secador; reposição do óleo correto.
- Vácuo (com teste de estanquidade a vácuo) e carga por peso da quantidade da etiqueta.
- Ensaio: temperatura na saída de ar, pressões estáveis, embraiagem/ventilador a funcionar, testemunhos apagados e DTC limpos.
Não-funcionais
- Respeito pelas normas do fabricante (tipo de gás, quantidade, tipo e viscosidade do óleo, binários).
- Segurança: EPI (óculos + luvas), cuidados com queimaduras por frio e com R1234yf (A2L).
- Conformidade ambiental/legal: não libertar gás; registo das quantidades; resíduos perigosos encaminhados.
- Dossiê claro e organizado, com todas as medições registadas.
Fases
Fase 1 · Receção e Ordem de Reparação (1 aula) Ouvir a queixa e abri-la numa OR. Ler a etiqueta do vão do motor (tipo e quantidade de gás). Inspeção visual: correia/embraiagem, condensador (sujidade, danos), filtro de habitáculo, drenagem do evaporador.
Fase 2 · Diagnóstico por pressões (1 aula) Ligar o manómetro/estação (azul→LP, vermelho→HP). Com o A/C no máximo, registar as pressões e a temperatura na saída de ar. Interpretar: falta de gás? obstrução? compressor fraco? condensador/ventilador? Verificar a parte elétrica (embraiagem recebe tensão, sensores).
Fase 3 · Deteção da fuga (1 aula) Procurar a fuga com detetor eletrónico e/ou corante UV (válvula de expansão, o-rings, condensador, retentor do compressor). Documentar o ponto de fuga com fotografia/descrição.
Fase 4 · Recuperação e reparação (1–2 aulas) Recuperar o gás com a estação (registar gramas). Substituir o componente/selar a fuga, trocar o filtro secador e repor o óleo (tipo e quantidade do fabricante). Montar o-rings novos lubrificados, com binários corretos.
Fase 5 · Vácuo e carga (1 aula) Fazer vácuo 20–45 min; teste de estanquidade a vácuo (o vácuo mantém-se?). Injetar óleo/contraste se necessário. Carregar por peso a quantidade exata da etiqueta.
Fase 6 · Ensaio, desinfeção e dossiê (1 aula) Ensaiar: temperatura de saída (4–8 °C), pressões estáveis, embraiagem/ventilador OK, testemunhos apagados, sem fugas. Desinfetar o evaporador e trocar o filtro de habitáculo (cheiro a mofo). Fechar o dossiê técnico e a OR.
Critérios de avaliação
| Critério | Ponderação |
|---|---|
| Diagnóstico correto (pressões + elétrico) e identificação da fuga | 25% |
| Reparação bem executada (componente, filtro secador, óleo, o-rings/binários) | 20% |
| Recuperação, vácuo e carga por peso corretos | 20% |
| Ensaio completo e conforme (temperatura, pressões, testemunhos) | 15% |
| Segurança (EPI) e conformidade F-Gás (não libertar, registo, resíduos) | 10% |
| Dossiê técnico e OR: clareza, medições registadas | 10% |
| Total | 100% |
Erros comuns
- Carregar gás sem identificar e reparar a fuga → volta a esvaziar (e liberta gás fluorado).
- Carregar "a olho" em vez de por peso → sub ou sobrecarga.
- Esquecer o vácuo ou o filtro secador após abrir o circuito.
- Ignorar o cheiro a mofo (evaporador + filtro de habitáculo) — a queixa fica por resolver.
- Confundir o estalido/embraiagem com avaria elétrica sem verificar a carga de gás.
- Não usar EPI — o gás em fuga queima a pele e os olhos.
Bónus (opcional)
- Fazer a conversão do impacto ambiental: se o sistema perdeu 300 g de R134a (GWP 1430), quantos kg de CO₂ equivalente foram evitados ao recuperar em vez de libertar?
- Comparar o custo e o impacto de um sistema R134a vs R1234yf.
- Testar e documentar o caudal da ventilação forçada nas várias velocidades (diagnóstico da resistência/módulo).
Reflexão
Escreve meia página: o que foi mais difícil de diagnosticar? Como distinguiste "falta de gás" de "compressor fraco" de "obstrução" pelas pressões? Que cuidados ambientais e de segurança consideras mais importantes nesta UC, e porquê?