Mini-Projecto · Desenho de definição de um suporte mecânico
Contexto
A oficina onde fazes o estágio precisa de refabricar um pequeno suporte de fixação (tipo bracket em L, para prender um sensor no compartimento do motor) do qual só resta a peça física, sem qualquer desenho. Foste encarregado/a de produzir o desenho de definição completo dessa peça, pronto para dar a fabricar — à mão (croqui rigoroso) e depois passado a limpo/CAD — segundo as normas.
Trabalhas individualmente ou a pares. Partes de uma peça real (ou de um modelo fornecido pelo formador), medes, decides as vistas, abres um corte onde for preciso, cotas com rigor e entregas o desenho normalizado com legenda e, se for um conjunto, lista de peças.
Requisitos
Funcionais
- Croqui rigoroso à mão, com proporções corretas e todas as vistas necessárias.
- Desenho final (à régua ou CAD) em projeção ortogonal, 1.º diedro, com o símbolo do diedro na legenda.
- Número mínimo de vistas que descreve a peça sem ambiguidade (mín. 2, tipicamente 3).
- Pelo menos um corte ou secção para mostrar um elemento interior (furo, rebaixo).
- Cotagem completa (ISO 129): dimensões gerais, furos (⌀ e posição), raios/concordâncias, chanfros.
- Pelo menos uma tolerância aplicada a uma cota funcional (ex.: furo de encaixe).
- Legenda (cartela) preenchida: título, material, escala, formato, autor, data, revisão, diedro.
- Se a peça tiver fixadores → designação normalizada (ex.: M6×20) e lista de peças se for conjunto.
Não-funcionais
- Traços conforme ISO 128 (hierarquia grosso/fino correta).
- Escala normalizada adequada ao formato; cotas = medidas reais.
- Desenho limpo, sem cotas duplicadas nem linhas de chamada a cruzar cotas.
- Escrita legível e uniforme.
Fases
Fase 1 · Análise e medição (2h) Observar a peça, identificar faces funcionais, medir com paquímetro/régua e registar as dimensões num esboço à mão.
Fase 2 · Escolha de vistas (2h) Decidir a vista principal (alçado) e as vistas necessárias; esboçar o arranjo no 1.º diedro, garantindo o alinhamento.
Fase 3 · Croqui rigoroso (3h) Desenhar à mão, com proporções corretas, todas as vistas e arestas (visíveis e invisíveis) e os eixos.
Fase 4 · Corte/secção (2h) Definir o plano de corte para revelar o interior, desenhar o corte e aplicar hachura (respeitando o que não se corta).
Fase 5 · Desenho final e cotagem (6h) Passar a limpo (régua/CAD); cotar tudo segundo a ISO 129, aplicar tolerância à cota funcional e representar roscas/furação.
Fase 6 · Legenda, revisão e inspeção (3h) Preencher a legenda (e lista de peças, se for conjunto); rever cotas (nenhuma em falta ou repetida); simular a inspeção medindo a peça contra o desenho.
Fase 7 · Entrega e apresentação (2h) Entregar croqui + desenho final + dossiê de decisões; apresentar a peça e justificar as escolhas de vistas, corte e cotagem.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Medição e croqui (proporções, vistas identificadas) | 15% |
| Escolha e alinhamento das vistas (1.º diedro) | 15% |
| Corte/secção correto (hachura, o que não se corta) | 15% |
| Cotagem completa e sem erros (ISO 129) | 25% |
| Tolerância, roscas/furação e normalização | 15% |
| Legenda, traços (ISO 128) e limpeza do desenho | 10% |
| Dossiê e apresentação | 5% |
Erros comuns
- Começar a desenhar sem medir e sem decidir as vistas → refazer tudo.
- Misturar 1.º e 3.º diedro / esquecer o símbolo do diedro.
- Cotar em cadeia e acumular erros na posição dos furos.
- Cotar duas vezes a mesma dimensão.
- Cortar ao comprido um veio/parafuso ou hachurar por cima das cotas.
- Confundir a escala com a cota (escrever a medida do papel).
- Esquecer a legenda, o material ou a revisão.
Bónus (opcional)
- Fazer também o modelo 3D em CAD e gerar as vistas automaticamente.
- Acrescentar ajustamento furo/veio (ex.: H7/g6) num encaixe.
- Indicar o acabamento superficial (Ra) numa face funcional.
- Produzir o desenho de conjunto (suporte + sensor + parafusos) com lista de peças.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque escolheste aquele alçado como vista principal? Que critério usaste para decidir quantas vistas desenhar, e porque aplicaste a tolerância àquela cota e não a outra?