Mini-Projecto · Escultura em vidro a quente
Contexto
O ateliê "Sopro & Forma" recebeu uma encomenda de uma pequena empresa de design de interiores: uma peça escultórica em vidro artístico, para expor num espaço comercial. Foste destacado/a, a par com um colega (o trabalho a quente faz-se sempre a dois, por segurança), para conceber, executar e recozer a peça, entregando-a pronta para o controlo de qualidade final.
Trabalham sempre em par, com um a segurar/rodar a cana e o outro a modelar ou apoiar, seguindo à risca as normas de segurança da oficina.
Requisitos
Funcionais
- Um projeto escrito da peça: forma (maciça ou oca), dimensão e peso aproximado (com o cálculo da massa de recolha), cor ou combinação de cores.
- Recolha e equilíbrio da massa vítrea documentados (registo do número de recolhas e do volume/massa estimados).
- Modelagem da peça de acordo com o projeto, com pelo menos uma correção de imperfeição registada.
- Aplicação de cor por, pelo menos, uma das técnicas estudadas (fusão, bastões, frita ou camadas).
- Ciclo de recozimento calculado (tempo de patamar pela regra da espessura ao quadrado, e taxa média de arrefecimento) e cumprido na arca de recozimento.
- Controlo de qualidade final, com registo de eventuais defeitos e conformidade com o projeto.
Não-funcionais
- Uso completo e correto do EPI durante toda a execução, verificado pelo formador.
- Registo de segurança: nenhum incidente de circulação ou manuseamento por reportar.
- Dossiê de processo entregue: projeto, registo de temperaturas por intervalo (nunca valores exatos inventados), cálculos e fotografias das fases.
Fases
Fase 1 · Conceção do projeto (2h) Desenhar a peça, decidir forma (maciça/oca), dimensão, cor e sequência de execução. Calcular a massa de recolha estimada.
Fase 2 · Preparação e segurança (1h) Verificar EPI de ambos os elementos do par, preparar bancada e ferramentas, confirmar a temperatura do forno.
Fase 3 · Recolha e equilíbrio (3h) Colher a massa vítrea (em uma ou mais camadas), equilibrar na cana com rotação constante, ajustar a composição da pasta se necessário.
Fase 4 · Modelagem (4h) Modelar a peça de acordo com o projeto, verificando e ajustando a temperatura, corrigindo imperfeições dentro da janela de trabalhabilidade.
Fase 5 · Coloração (2h) Aplicar a cor escolhida, verificando a compatibilidade dos vidros e corantes usados com a massa base.
Fase 6 · Recozimento (2h de preparação + ciclo no forno) Calcular o tempo de patamar e a taxa de arrefecimento pela espessura da peça, colocar na arca e cumprir o ciclo.
Fase 7 · Controlo de qualidade e acabamento (1,5h) Verificar defeitos e conformidade com o projeto; aplicar acabamento se a peça for aprovada.
Fase 8 · Apresentação e arrumação (0,5h) Apresentar a peça e o dossiê à turma; arrumar a oficina.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Projeto e cálculo da massa de recolha | 15% |
| Segurança, EPI e circulação na oficina | 15% |
| Recolha, equilíbrio e modelagem | 25% |
| Coloração aplicada corretamente | 15% |
| Cálculo e cumprimento do ciclo de recozimento | 20% |
| Controlo de qualidade, acabamento e dossiê | 10% |
Erros comuns
- Recolher sem calcular a massa, ficando com vidro a mais ou a menos para a peça planeada.
- Deixar a rotação parar durante a recolha ou a modelagem, descentrando a peça.
- Misturar bastões de cor incompatíveis com o vidro base, gerando fissuras no recozimento.
- Assumir uma relação direta entre espessura e tempo de recozimento, em vez da relação quadrática correta.
- Retirar a peça do forno de recozimento antes do fim do ciclo para poupar tempo.
- Trabalhar sem EPI completo "só por um instante".
Bónus (opcional)
- Executar uma segunda peça oca, comparando o tempo de recozimento com a peça maciça da fase principal.
- Combinar duas técnicas de coloração na mesma peça (por exemplo, camadas e frita).
- Documentar a variação de cor de um mesmo óxido em diferentes zonas da peça, relacionando com a atmosfera do forno.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que duplicar a espessura de uma peça não duplica o tempo de recozimento, mas multiplica-o por quatro? E identifica duas situações da execução em que a rotação constante ou o EPI evitaram um problema concreto na tua peça.