Mini-Projecto · Coleção de contas e pingentes em vidro ao maçarico
Contexto
O atelier "Vidro & Sal" vai lançar uma pequena coleção de bijutaria artesanal para vender numa feira de artesanato local, e encomendou a um grupo de formandos a criação de uma coleção de contas e pingentes em vidro, trabalhados na técnica do maçarico. A encomenda pede peças com identidade visual coerente entre si, cor e escala pensadas para bijutaria, e qualidade que aguente o manuseamento diário de quem as usa.
Trabalhas individualmente ou a pares, num posto de maçarico equipado com propano e oxigénio, e entregas a coleção de peças acabadas mais um pequeno dossiê (esboços, ficha de segurança do posto e registo de produção).
Requisitos
Funcionais
- Coleção com, no mínimo, 6 peças: pelo menos 4 contas sobre mandril (técnica com vareta) e pelo menos 2 peças ocas (técnica com tubo e sopro).
- Pelo menos duas cores diferentes aplicadas com a técnica de maçarico, com gradação ou claro-escuro visível em pelo menos uma peça.
- Todas as peças de vidro compatível entre si (mesma família de coeficiente de dilatação).
- Furos de mandril compatíveis com fio ou corrente de bijutaria (diâmetro combinado antes de produzir).
- Todas as peças recozidas em vermiculita antes de qualquer acabamento.
Não-funcionais
- Todas as peças com acabamento sem arestas vivas nem resíduos de separador.
- Acabamento com EPI e método próprios: óculos de impacto EN 166 e luvas resistentes ao corte durante a lixagem e o polimento, feitos a húmido ou com captação de poeira, com os resíduos de vidro e de separador recolhidos em recipiente próprio.
- Ficha de verificação do posto preenchida antes de cada sessão (mangueiras, válvulas anti-retorno, teste de fugas, EPI).
- Ficha de encerramento do posto preenchida no fim de cada sessão (fecho das válvulas do bico, das garrafas, purga das linhas, alívio dos reguladores e arrumação das mangueiras), a par da ficha de verificação usada antes de começar.
- Registo escrito de pelo menos uma peça rejeitada no controlo final, com o motivo da rejeição.
- Uso permanente de EPI (óculos de didímio, luvas térmicas) documentado em fotografia ou vídeo de uma sessão.
Fases
Fase 1 · Design e planeamento (2h) Esboçar a coleção (mínimo 6 peças), definir escala, cores e furos de mandril. Confirmar compatibilidade dos vidros escolhidos.
Fase 2 · Preparar o posto e o material (2h) Verificar mangueiras, válvulas anti-retorno e fazer o teste de fugas. Preparar varetas de aço com separador e deixar secar. Organizar ferramentas e EPI.
Fase 3 · Técnica com vareta (5h) Moldar as contas sobre mandril: aquecer, enrolar, marver, aplicar cor. Repetir até completar o número mínimo de contas.
Fase 4 · Técnica com tubo e sopro (5h) Moldar as peças ocas: aquecer, soprar em incrementos controlados, aplicar cor, ajustar forma, separar do tubo.
Fase 5 · Recozimento (2h, com tempo de espera incluído) Recozer todas as peças em vermiculita, respeitando o tempo de arrefecimento antes de qualquer manuseamento.
Fase 6 · Acabamento e controlo final (3h) Separar dos mandris e do tubo, limpar, verificar rebarbas, comparar cada peça com o desenho e as especificações. Registar peças rejeitadas.
Fase 7 · Apresentação (1h) Apresentar a coleção acabada e o dossiê à turma, explicando as decisões de design e o que correu mal e foi corrigido.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Segurança dos gases e uso correto de EPI | 20% |
| Preparação do trabalho (posto, mandris, materiais) | 15% |
| Técnica com vareta (contas, conformação, cor) | 20% |
| Técnica com tubo e sopro | 20% |
| Acabamento e controlo do produto final | 15% |
| Dossiê e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Acender o maçarico sem verificar mangueiras, válvulas anti-retorno ou fazer o teste de fugas.
- Preparar as varetas de aço no próprio dia e aproximá-las da chama com o separador ainda húmido.
- Misturar vidros de famílias de compatibilidade diferentes na mesma coleção, "porque as cores combinam".
- Parar de rodar a vareta ou o tubo por alguns segundos, deformando a peça por gravidade.
- Soprar com força excessiva num tubo ainda pouco fluido, rebentando a bolha.
- Retirar peças da vermiculita antes de arrefecerem por completo.
- Entregar a coleção sem verificar rebarbas nem limpar resíduos de separador dos furos.
- Trabalhar sem óculos de didímio "só numa peça rápida".
Bónus (opcional)
- Aplicar a técnica de claro-escuro numa peça, com pelo menos três tons da mesma cor.
- Criar uma peça com vidro sódico-cálcico e demonstrar, em texto, porque não se poderia repetir o mesmo desenho em borossilicato sem reformular o projeto.
- Fotografar o processo de recozimento e explicar, no dossiê, a diferença entre o arrefecimento em vermiculita e um forno de recozimento profissional.
- Propor uma peça de escala maior e identificar, sem a produzir, que ajustes de tempo de recozimento seriam necessários.
Reflexão
No dossiê final, responde: qual foi o momento do projeto em que sentiste maior risco de errar por falta de tempo de trabalhabilidade do vidro, e o que farias de forma diferente na próxima peça? E, olhando para a ficha de verificação do posto preenchida em cada sessão, houve alguma vez tentação de saltar um passo "só desta vez"? Como resististe a essa tentação?