Mini-Projecto · Guião de atendimento e percurso de visita a um sítio arqueológico
Contexto
O Núcleo Museológico do Castro de Vale Antigo (entidade fictícia, para efeitos deste projeto) vai reabrir ao público um percurso arqueológico que inclui um castro da Idade do Ferro parcialmente escavado, com uma área de escavação ainda ativa e um pequeno museu de acolhimento. A direção do núcleo precisa de um guião completo de atendimento ao público, porque a equipa de receção é pequena e vai receber, na mesma semana, turistas, um grupo escolar e um jornalista local.
Foste contratado/a como assistente de arqueólogo/a para preparar os materiais de comunicação, o plano de segurança do percurso e o formulário de inscrição de visitas, aplicando tudo o que aprendeste sobre a atividade arqueológica e sobre comunicação com diferentes públicos.
Trabalhas individualmente ou em grupo de 2 a 3, e entregas um dossiê completo mais uma apresentação/simulação de atendimento à turma.
Requisitos
Funcionais
- Ficha de apresentação do sítio: tipo de sítio, contexto histórico, pelo menos um marco de desenvolvimento da arqueologia que ajude a explicá-lo ao público.
- Guião de atendimento com 3 versões da mesma informação, adaptadas a: turista sem conhecimento prévio, grupo escolar, jornalista.
- Mapa de organismos: quadro com os organismos (nacionais, locais e, se aplicável, internacionais) responsáveis pela tutela e licenciamento de um sítio deste tipo.
- Plano de segurança do percurso: identificação de riscos, delimitação de áreas, e o texto da introdução de segurança dada no início de cada visita.
- Política de confidencialidade do sítio: regras internas sobre o que pode e não pode ser divulgado (por exemplo, sobre a área de escavação ativa).
- Formulário de inscrição de visitas em conformidade com o RGPD, com nota informativa aos visitantes.
Não-funcionais
- Linguagem em português europeu, clara e sem jargão desnecessário fora das versões técnicas.
- Rigor factual: qualquer referência a sítios, organismos ou legislação reais tem de estar correta (usar apenas os factos vistos na sebenta e nas fichas).
- Materiais organizados num dossiê único, fácil de consultar pela equipa de receção.
Fases
Fase 1 · Caracterização do sítio (2h) Definir o tipo de sítio (castro, na base fornecida), o contexto histórico e um marco de desenvolvimento da arqueologia relevante para o explicar. Redigir a ficha de apresentação.
Fase 2 · Mapa de organismos (2h) Identificar e organizar em quadro os organismos nacionais, locais e internacionais relevantes, com o papel de cada um no licenciamento e na tutela deste tipo de sítio.
Fase 3 · Guião de atendimento (3h) Escrever as três versões da explicação do sítio (turista, grupo escolar, jornalista), aplicando técnicas de comunicação verbal e não verbal e escuta ativa.
Fase 4 · Plano de segurança (3h) Listar os riscos do percurso, desenhar (em texto ou esquema) a delimitação das áreas, e escrever o texto da introdução de segurança.
Fase 5 · Confidencialidade e RGPD (3h) Definir a política de confidencialidade do sítio e criar o formulário de inscrição de visitas com nota informativa RGPD.
Fase 6 · Simulação e apresentação (2h) Simular, perante a turma, um atendimento a um visitante que faz uma pergunta desafiante (ex.: pede para tocar numa peça ou pede a localização exata da área de escavação).
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Ficha de apresentação e rigor factual | 15% |
| Mapa de organismos correto e completo | 15% |
| Guião de atendimento adaptado aos três interlocutores | 25% |
| Plano de segurança do percurso | 20% |
| Confidencialidade e formulário RGPD | 15% |
| Simulação e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Escrever a mesma explicação para os três públicos, só a "encurtar" ou "esticar", sem mudar o foco nem o vocabulário.
- Esquecer de justificar porquê das regras de segurança, apresentando-as só como proibições secas.
- Divulgar, mesmo no dossiê de trabalho, coordenadas ou detalhes precisos de uma área de escavação "sensível", sem pensar na confidencialidade.
- Pedir dados a mais no formulário de inscrição "por precaução", sem justificação, violando a minimização de dados do RGPD.
- Usar o nome antigo de organismos (por exemplo "DGPC") em vez do nome atual, Património Cultural, I.P.
- Inventar datas ou factos sobre sítios reais para "enriquecer" o trabalho: usar apenas informação confirmada nas aulas ou assinalar claramente quando o sítio do projeto é fictício.
Bónus (opcional)
- Criar uma versão do guião de atendimento em inglês, para turistas estrangeiros.
- Desenhar a sinalética (texto dos painéis) para dois pontos do percurso.
- Preparar uma resposta escrita a um pedido de entrevista de um jornalista, aplicando técnicas de interação escrita.
- Propor uma parceria com a escola local para uma visita de estudo anual, com proposta de atividades para o grupo escolar.
Reflexão
No dossiê final, responde: qual foi o interlocutor mais difícil de "traduzir" no guião de atendimento, e porquê? E: que decisão tomaste sobre confidencialidade que, à primeira vista, pareceu excesso de cautela, mas que se justifica pela proteção do sítio?