Mini-Projecto · Reconstituir uma peça arqueológica
Contexto
O Museu Municipal de Arqueologia da Vila recebeu, de uma escavação recente, um conjunto de fragmentos de uma peça de cerâmica utilitária (um vaso ou uma tigela), já limpos e tratados pela conservadora-restauradora responsável. Foste destacado/a, como assistente de arqueólogo/a, para planear e efetuar a reconstituição da peça e registar exaustivamente a intervenção, seguindo os princípios da Carta de Veneza.
Trabalhas individualmente ou a pares, com uma peça real, uma réplica em gesso montável ou um conjunto simulado de fragmentos fornecido pelo/a formador/a, e entregas a peça reconstituída mais um dossiê de intervenção completo.
Requisitos
Funcionais
- Diagnóstico escrito do estado inicial da peça (fragmentos, fragilidades, sujidade, lacunas previstas).
- Plano de montagem: sequência de colagem justificada, produtos escolhidos e suportes previstos.
- Reconstituição efetuada: fragmentos montados e colados, com pelo menos uma lacuna preenchida de forma distinguível.
- Ficha de intervenção completa: antes, durante e depois, com fotografias, produtos, datas e responsável.
- Justificação escrita de como cada decisão respeita os quatro princípios da Carta de Veneza (intervenção mínima, reversibilidade, distinguibilidade, compatibilidade).
Não-funcionais
- Registo fotográfico de qualidade suficiente para se perceber o estado antes, durante e depois.
- Procedimento de segurança seguido e documentado (EPI usado, ficha de dados de segurança consultada).
- Posto de trabalho limpo e organizado no final de cada sessão.
- Linguagem técnica correta e consistente com o vocabulário da UC.
Fases
Fase 1 · Diagnóstico (2h) Observar, fotografar e documentar o estado inicial da peça: fragmentos disponíveis, fragilidades, sujidade residual, lacunas previstas.
Fase 2 · Planeamento (2h) Pré-montagem a seco, definição da sequência de montagem, escolha justificada dos produtos de colagem e de preenchimento, previsão do suporte de secagem.
Fase 3 · Montagem e colagem (5h) Colar os fragmentos pela sequência definida, com o adesivo escolhido, em mãos sucessivas, com suporte temporário e limpeza do excesso.
Fase 4 · Preenchimento de lacunas (3h) Preencher pelo menos uma lacuna com gesso ou mastique, distinguível e reversível, sem reconstruir decoração inexistente.
Fase 5 · Segurança e limpeza (1h) Rever o EPI usado em cada etapa, consultar as fichas de dados de segurança dos produtos aplicados, limpar e organizar o posto de trabalho.
Fase 6 · Registo e dossiê (2h) Compilar a ficha de intervenção completa (antes, durante, depois), com fotografias, produtos, datas e responsável, e a justificação ética das decisões.
Fase 7 · Apresentação (1h) Apresentar a peça reconstituída e o dossiê à turma, explicando as decisões tomadas em cada fase.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Diagnóstico e planeamento | 15% |
| Montagem e colagem corretas | 25% |
| Preenchimento de lacunas (técnica e ética) | 15% |
| Segurança e organização do posto de trabalho | 15% |
| Ficha de intervenção e registo | 20% |
| Apresentação e justificação das decisões | 10% |
Erros comuns
- Colar fragmentos com sujidade ou sais ainda visíveis, em vez de confirmar que já foram tratados.
- Escolher um adesivo mais forte ou mais rápido (cianoacrilato, epóxi) em vez de um produto reversível.
- Preencher a lacuna de forma indistinguível do original, ou inventar decoração inexistente.
- Trabalhar sem ventilação, sem luvas ou sem consultar a ficha de dados de segurança do produto.
- Deixar o registo para o fim, tentado de memória, em vez de documentar ao longo da intervenção.
- Esquecer de limpar o posto de trabalho e de descartar corretamente os resíduos.
Bónus (opcional)
- Comparar, em texto, a solução técnica escolhida com uma alternativa que violaria um dos princípios da Carta de Veneza, explicando porquê seria errada.
- Propor uma ficha de intervenção digital, reutilizável para outras peças do museu.
- Pesquisar e citar um exemplo real de reconstituição arqueológica publicado por uma instituição portuguesa.
Reflexão
No dossiê final, responde: qual foi a decisão mais difícil deste projecto entre "fazer mais" e "respeitar a intervenção mínima", e porque escolheste o que escolheste? E: se, daqui a dez anos, um conservador-restaurador tivesse de reverter a tua intervenção, a tua ficha de registo daria informação suficiente para o fazer com segurança?