Mini-Projecto · Diagnóstico e limpeza preliminar de um lote de achados
Contexto
Um lote de cinco peças (réplicas, fotografias de alta resolução, ou objetos didáticos fornecidos pelo/a formador/a, representando materiais diferentes: cerâmica, metal, osso, vidro e pedra) chegou ao laboratório da escola, vindo de uma escavação de rotina. Foste destacado/a como assistente de arqueólogo/a para a equipa responsável por diagnosticar o estado de conservação de cada peça, planear o processo de limpeza e proceder à limpeza preliminar, sempre sob orientação do/a Arqueólogo/a responsável (o papel será desempenhado pelo/a formador/a ao longo do projeto).
Trabalhas individualmente ou em grupos de dois ou três, e entregas um dossiê técnico completo por peça, mais um relatório final de equipa.
Requisitos
Funcionais
- Ficha de conservação em laboratório preenchida para cada uma das cinco peças, com identificação, material, diagnóstico e patologias.
- Classificação do tipo de degradação (física, química, biológica, mecânica) e do tipo de sujidade (mineral, orgânica, biológica ativa, antrópica) para cada peça, quando aplicável.
- Plano de limpeza por peça, com objetivo, instrumentos e produtos propostos, teste prévio descrito e limites de intervenção assinalados.
- Marcação simulada: descrição do local escolhido, da base protetora e do código atribuído a cada peça.
- Execução da limpeza preliminar (real, em réplicas ou objetos didáticos, ou simulada por escrito quando o/a formador/a assim definir), documentada com fotografias antes e depois.
- Pelo menos uma peça do lote deve ser identificada como estando fora do limite do assistente, com justificação escrita e proposta de encaminhamento.
Não-funcionais
- Todas as fichas seguem o mesmo modelo, preenchidas com rigor e sem campos em branco.
- Registo do EPI usado em cada etapa e do descarte de resíduos, mesmo quando a limpeza é apenas simulada.
- Linguagem técnica correta, sem inventar dados sobre as peças que não foram observados.
Fases
Fase 1 · Receção e diagnóstico inicial (3h) Observar cada peça (visual, lupa), identificar patologias, classificar o tipo de degradação e o tipo de sujidade. Preencher a primeira parte da ficha de conservação de cada peça.
Fase 2 · Marcação (2h) Definir o local de marcação, descrever a base protetora a aplicar e atribuir um código de identificação a cada peça, ligado à ficha de conservação.
Fase 3 · Planeamento da limpeza (3h) Para cada peça, montar o plano de limpeza: objetivo, instrumentos e produtos propostos, teste prévio, e verificação explícita se a peça está dentro do limite do assistente ou deve ser encaminhada.
Fase 4 · Validação pelo/a Arqueólogo/a (1h) Apresentar os cinco planos ao/à formador/a (no papel de Arqueólogo/a responsável), que aprova, pede ajustes ou determina o encaminhamento de alguma peça.
Fase 5 · Execução sob orientação (5h) Proceder à limpeza preliminar das peças aprovadas, seguindo rigorosamente o plano validado. Cumprir o EPI adequado a cada produto usado, mesmo em exercícios simulados. Fotografar antes e depois.
Fase 6 · Segurança e encerramento (2h) Descrever o descarte correto dos resíduos gerados e a limpeza do posto de trabalho. Redigir o procedimento de emergência (com o 112) que seria seguido em caso de acidente com os produtos usados no projeto.
Fase 7 · Relatório final e apresentação (2h) Compilar o dossiê técnico das cinco peças e apresentar à turma, explicando o diagnóstico, as decisões tomadas e, em particular, a peça encaminhada e porquê.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Diagnóstico e classificação (degradação, sujidade) | 20% |
| Fichas de conservação e marcação | 15% |
| Plano de limpeza (objetivo, instrumentos, teste prévio, limites) | 20% |
| Execução documentada (antes/depois, EPI, segurança) | 25% |
| Reconhecimento do limite do assistente e encaminhamento | 10% |
| Dossiê e apresentação final | 10% |
Erros comuns
- Começar a limpar antes de terminar o diagnóstico de todas as peças do lote.
- Confundir sujidade com degradação ao classificar as peças, sobretudo em metais com corrosão.
- Saltar o teste prévio e aplicar o método diretamente à peça inteira.
- Não incluir nenhuma peça fora do limite do assistente: o exercício exige reconhecer, pelo menos uma vez, quando encaminhar em vez de intervir.
- Esquecer de documentar o EPI e o descarte de resíduos, tratando-os como pormenor sem importância.
- Escrever um procedimento de emergência vago, sem mencionar o 112 de forma explícita.
Bónus (opcional)
- Elaborar uma pequena base de dados (folha de cálculo) com todas as fichas de conservação do lote, pesquisável por material e tipo de patologia.
- Preparar uma checklist de EPI e materiais a validar antes de qualquer sessão de limpeza, para uso futuro da turma.
- Simular um segundo lote com peças de vidro e osso, comparando as decisões de limpeza com as do lote inicial.
Reflexão
No relatório final, responde: qual foi o momento em que mais hesitaste entre intervir e encaminhar, e o que te fez decidir? E, olhando para as cinco peças do lote, em que situação um erro de sequência (por exemplo, saltar o teste prévio ou a documentação) teria causado o maior dano irreversível?