Mini-Projecto · Organizar o registo de uma intervenção arqueológica
Contexto
A empresa de arqueologia "Terra e Tempo, Lda." foi contratada para uma intervenção de acompanhamento arqueológico no Sítio da Quinta do Freixo (sigla QFX), autorizada nos termos do Decreto-Lei n.º 164/2014 e licenciada pelo Património Cultural, I.P. Foste destacado/a como assistente de arqueólogo/a para organizar todo o processo de registo de uma sondagem, da abertura à entrega do dossiê ao arqueólogo responsável.
Trabalhas individualmente ou a pares, a partir de um conjunto de observações de campo fornecidas pelo professor (ou simuladas pela turma), e entregas um dossiê de registo completo e coerente, pronto a sustentar o relatório de intervenção.
Requisitos
Funcionais
- Implantação da sondagem descrita (quadrícula, ponto zero, registo topográfico e cartográfico do sítio).
- Fichas de registo estratigráfico completas para, no mínimo, 5 unidades estratigráficas, com descrição e interpretação separadas.
- Relações estratigráficas identificadas e registadas para todas as UE (cobre, corta, enche, iguala, conforme aplicável).
- Matriz de Harris completa da sondagem, coerente com as relações registadas nas fichas.
- Inventário de achados, com no mínimo 6 peças, cada uma com código de inventário próprio, seguindo a convenção SIGLA-ANO/UEnn-nnn.
- Lista de desenhos, com no mínimo 3 desenhos técnicos numerados (D-01, D-02…) e associados às respetivas UE.
- Registo fotográfico organizado por UE, com identificação de cada foto (número, UE, o que mostra).
Não-funcionais
- Coerência total entre fichas, matriz, inventário, lista de desenhos e registo fotográfico: nenhum número "solto".
- Linguagem técnica rigorosa, sem inventar dados do referencial nem misturar descrição com interpretação.
- Checklist de segurança preenchida antes do início dos trabalhos de campo simulados.
- Dossiê organizado por secções, pronto a ser consultado por outra pessoa da equipa sem explicações adicionais.
Fases
Fase 1 · Enquadramento e implantação (2h) Situar o sítio (registo cartográfico), implantar a quadrícula e o ponto zero (registo topográfico), e preencher a checklist de segurança antes de iniciar.
Fase 2 · Registo das unidades estratigráficas (5h) Preencher as fichas de registo estratigráfico das 5 UE fornecidas: descrição, interpretação e relações com as unidades vizinhas.
Fase 3 · Matriz de Harris (3h) Construir a matriz de Harris da sondagem a partir das relações registadas nas fichas, da mais antiga à mais recente.
Fase 4 · Inventário e desenho técnico (5h) Atribuir códigos de inventário às peças recolhidas, preencher as fichas de inventário e a lista de desenhos técnicos, com escala e orientação.
Fase 5 · Registo fotográfico e organização final (3h) Organizar o registo fotográfico por UE e rever a coerência de todo o dossiê: fichas, matriz, inventário, desenhos e fotos a bater certo.
Fase 6 · Apresentação (2h) Apresentar o dossiê ao arqueólogo responsável (o professor ou a turma), explicando a sequência estratigráfica e as decisões de registo tomadas.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Implantação e checklist de segurança | 10% |
| Fichas de registo estratigráfico (descrição, interpretação, relações) | 25% |
| Matriz de Harris coerente com as fichas | 20% |
| Inventário de achados com numeração correta | 20% |
| Lista de desenhos e registo fotográfico organizados | 15% |
| Dossiê coerente e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Construir a matriz de Harris antes de terminar as fichas, com relações inventadas para "fechar" o diagrama em vez de derivadas do registo real.
- Reutilizar ou saltar números de UE entre membros diferentes da equipa por falta de comunicação.
- Atribuir códigos de inventário sem UE de origem, quebrando a rastreabilidade dos achados.
- Misturar descrição e interpretação no mesmo campo da ficha.
- Desenhos sem escala nem número, impossíveis de integrar depois no relatório.
- Deixar a organização final para o último dia, em vez de rever a coerência do dossiê a cada fase.
Bónus (opcional)
- Propor uma hipótese de datação relativa adicional, cruzando a matriz de Harris com os materiais inventariados (por exemplo, um fragmento de cerâmica característico de um período).
- Elaborar um pequeno esboço do futuro relatório de intervenção, com as secções previstas e o que cada uma reúne do dossiê.
- Simular um incidente de segurança em campo (por exemplo, uma racha detetada numa parede) e documentar a resposta dada.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a matriz de Harris tem de ser construída a partir das relações registadas nas fichas, e nunca ao contrário? E identifica duas situações concretas deste projeto em que uma UE ou um achado mal numerado teria comprometido a coerência de todo o dossiê.