Mini-Projecto · Inventariar um conjunto de espólio de um sítio fictício
Contexto
O Castro de Vale Formoso é um sítio arqueológico fictício, em escavação há três campanhas. A equipa de arqueologia entrega-te um lote de materiais recolhidos na última campanha, ainda sem tratamento completo: fichas de campo por rever, peças por classificar, marcar e inventariar.
Trabalhas individualmente ou a pares, simulando o trabalho de gabinete de um/a assistente de arqueólogo/a: organizas o espólio recebido, atribuis siglas, preenches fichas de inventário completas e entregas um pequeno dossiê com as tuas decisões técnicas.
Requisitos
Funcionais
- Um lote de pelo menos 8 peças fictícias, distribuído por, no mínimo, quatro tipos de material diferentes (lítico, cerâmica, vidro, metal, osso, ou restos botânicos).
- Para cada peça: sigla atribuída segundo a convenção
[Sítio].[Ano].[Número sequencial], ficha de inventário completa (proveniência, material, tipologia, dimensões, estado de conservação) e classificação por tipo de depósito (primário ou secundário). - Uma matriz de Harris simplificada das UEs de onde vieram as peças do lote.
- Uma proposta de cronologia para o conjunto, combinando tipologia (relativa) e, para pelo menos uma peça orgânica, uma data absoluta fictícia coerente com o contexto.
- Um plano de acondicionamento que separe corretamente os metais com corrosão ativa (humidade relativa muito mais baixa, em contentor estanque com sílica gel condicionada) do resto do espólio.
Não-funcionais
- Todas as siglas únicas e sem repetição dentro do lote.
- Fichas com linguagem técnica correta (termos do referencial: traceologia, ceramologia, metalografia, arqueozoologia, NMI, conforme o material).
- Registo fotográfico simulado: descrição do enquadramento e da escala para cada peça (não é preciso fotografia real).
- Cumprimento das normas de segurança e proteção ambiental descritas no dossiê.
Fases
Fase 1 · Receção do lote e fichas de campo (2h) Analisar o lote fictício de materiais e as fichas de campo associadas (UE, quadrícula, cota de cada peça). Confirmar que nenhuma informação de proveniência está em falta.
Fase 2 · Estratigrafia e matriz de Harris (2h) Construir a matriz de Harris simplificada das UEs envolvidas. Classificar cada peça como estando em depósito primário ou secundário.
Fase 3 · Classificação por material (5h) Para cada peça, identificar o material, a técnica de fabrico e a técnica de análise apropriada (traceologia, ceramologia, metalografia/XRF, arqueozoologia com NMI, ou análise arqueobotânica, conforme o caso).
Fase 4 · Marcação e etiquetagem (2h) Atribuir a sigla a cada peça, seguindo a convenção da UC, e descrever o processo de marcação (ou de etiquetagem, para peças frágeis) de cada uma.
Fase 5 · Ficha de inventário e cronologia (5h) Preencher a ficha de inventário completa de cada peça. Propor uma cronologia relativa para o conjunto e cruzá-la com pelo menos uma data absoluta fictícia coerente.
Fase 6 · Acondicionamento e segurança (2h) Elaborar o plano de acondicionamento, separando metais do resto do espólio, e listar os EPI e normas de segurança e proteção ambiental relevantes para o trabalho realizado.
Fase 7 · Apresentação (2h) Apresentar o dossiê à turma, explicando as decisões de classificação, marcação e cronologia tomadas para o lote.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Matriz de Harris e classificação de depósitos | 15% |
| Classificação por material e técnica de análise | 25% |
| Marcação, etiquetagem e siglas corretas | 15% |
| Fichas de inventário completas | 20% |
| Cronologia proposta e coerência com o contexto | 15% |
| Acondicionamento, segurança e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Atribuir siglas repetidas dentro do mesmo lote, por falta de controlo sequencial.
- Classificar um depósito secundário como primário, sem verificar sinais de perturbação da camada.
- Aplicar a mesma técnica de análise a materiais diferentes, por exemplo tentar metalografia num osso.
- Preencher fichas incompletas, sem tipologia ou sem estado de conservação.
- Guardar metais com corrosão ativa junto do resto do espólio, ignorando os valores muito mais baixos de humidade relativa (e o contentor estanque com sílica gel condicionada) que a peça exige.
- Aceitar uma cronologia absoluta isolada, sem a cruzar com a estratigrafia e a tipologia.
Bónus (opcional)
- Propor uma ficha de conservação preventiva para a fíbula de bronze, com plano de monitorização periódica.
- Desenhar uma planta simplificada do sítio com a localização das UEs e das peças do lote.
- Pesquisar e citar um caso real de sítio arqueológico português com metodologia semelhante à aplicada no projeto.
Reflexão
No dossiê final, responde: por que razão a marcação de uma peça tem de ser sempre reversível? E que duas decisões tomaste no projeto para proteger a informação de contexto de cada peça, do campo até à ficha de inventário final?