Mini-Projecto · Prospetar, recolher e reportar um sítio simulado
Contexto
A empresa "Terra Antiga, Arqueologia e Património" foi contratada para avaliar o risco arqueológico de um terreno de 6 hectares, onde vai ser construído um pequeno loteamento. És assistente de arqueólogo/a na equipa e, sob orientação do/a arqueólogo/a responsável, vais planear e simular uma prospeção sistemática, recolher e registar achados simulados, e ajudar a redigir o relatório final que sustenta a recomendação à câmara municipal e ao Património Cultural, I.P.
O terreno (real ou simulado pela escola, num espaço exterior ou numa maqueta) tem características diferentes em zonas distintas: uma zona junto a uma linha de água, uma zona de maior declive e uma zona já intervencionada por agricultura recente. Trabalhas individualmente ou em pequena equipa.
Requisitos
Funcionais
- Plano de prospeção escrito, com metodologia justificada (tipo de prospeção, espaçamento de transectos, equipa).
- Pelo menos 1 sessão de prospeção simulada, com registo de visibilidade e cobertura efetiva.
- Fichas de registo preenchidas para, no mínimo, 5 achados simulados (fornecidos pelo professor ou representados por objetos de sala de aula, com coordenadas atribuídas).
- 1 ficha de amostra de solo, com descrição do procedimento de recolha seguido.
- Mapa de distribuição dos achados, mesmo que simples (esquema desenhado ou digital).
- Relatório final com as cinco secções: enquadramento, metodologia, resultados, interpretação preliminar, recomendações.
Não-funcionais
- Coordenadas registadas com indicação explícita do sistema de referência (PT-TM06/ETRS89).
- Fotografias (reais ou simuladas com legenda) com escala e indicação de norte.
- Linguagem técnica e rigorosa, adequada a um relatório profissional.
- Checklist de EPI e segurança preenchido antes da saída de campo.
Fases
Fase 1 · Planeamento (3h) Definir o objetivo da prospeção, escolher a metodologia (tipo, espaçamento, cobertura alvo) e justificar a escolha. Preparar o material: fichas, fitas métricas, sacos, EPI.
Fase 2 · Reconhecimento e indicadores de presença (2h) Percorrer o terreno (ou a maqueta) identificando indicadores de presença: manchas de solo, microrrelevo, materiais à superfície. Registar zonas de maior probabilidade.
Fase 3 · Prospeção de campo simulada (4h) Executar os transectos planeados, sinalizando achados. Registar visibilidade e cobertura efetiva em cada transecto, numa ficha de transecto.
Fase 4 · Recolha e registo (4h) Para cada achado, seguir a sequência fotografar, localizar, recolher: preencher a ficha de achado isolado, atribuir coordenadas e acondicionar em saco etiquetado. Recolher e registar uma amostra de solo simulada.
Fase 5 · Avaliação e mapa de distribuição (3h) Cruzar os dados recolhidos, construir o mapa de distribuição dos achados e discutir, em equipa, uma interpretação preliminar.
Fase 6 · Relatório final (3h) Redigir o relatório completo, com as cinco secções, incluindo recomendações fundamentadas nos resultados.
Fase 7 · Apresentação (1h) Apresentar o relatório à turma, justificando a metodologia e as recomendações propostas.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Plano de prospeção e metodologia justificada | 15% |
| Registo de indicadores de presença | 10% |
| Execução da prospeção e fichas de transecto | 15% |
| Fichas de achado e de amostra, com coordenadas corretas | 20% |
| Mapa de distribuição e interpretação preliminar | 15% |
| Relatório final (estrutura, rigor, recomendações) | 15% |
| Segurança, EPI e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Recolher achados antes de fotografar e localizar. Perde-se o contexto de forma irreversível.
- Não registar a visibilidade e a cobertura efetiva, tornando o relatório pouco interpretável.
- Coordenadas sem indicação do sistema de referência.
- Misturar amostras ou achados de zonas diferentes no mesmo saco.
- Recomendações no relatório sem base nos resultados apresentados.
- Ignorar o checklist de EPI por pressa.
Bónus (opcional)
- Simular um método geofísico simples (por exemplo, com uma bússola para detetar objetos metálicos enterrados como analogia ao método magnético) e comparar com os resultados da prospeção de campo.
- Propor, para a mesma área, um cenário de estudo de impacte ambiental completo, com situação de referência, análise de impactes e medidas de minimização.
- Construir uma versão digital do mapa de distribuição, com coordenadas reais de um sistema de informação geográfica simples.
Reflexão
No relatório final, responde: porque é que a ordem "fotografar, localizar, recolher" nunca pode ser invertida? E, olhando para os teus próprios resultados, que uma decisão de metodologia tomarias de forma diferente se repetisses o trabalho, e porquê?