Mini-Projecto · Medição de uma praça em calçada artística portuguesa
Contexto
A Câmara Municipal de Vilanova vai requalificar o pavimento da Praça do Mercado, num projeto de calçada artística portuguesa com fundo liso em calcário branco, orla perimetral em basalto preto e um medalhão circular ao centro. A empresa responsável pela obra contratou-te como calceteiro/a artístico/a para fazer o levantamento e a medição antes do início dos trabalhos, de forma a validar as quantidades do projeto e preparar o pedido de material.
Trabalhas individualmente ou a pares. Recebes a planta da praça (descrita abaixo, à falta de um desenho CAD) e tens de interpretar o projeto, medir (ou simular a medição com os dados fornecidos) desenvolvimentos lineares, superfícies e volumes, e entregar uma folha de medição completa mais um relatório com as quantidades finais de material.
Dados do projeto: a praça de intervenção é retangular, com 25,00 m de comprimento por 18,00 m de largura. Ao longo de todo o perímetro corre uma orla de basalto com 0,40 m de largura. No centro da área interior à orla existe um medalhão circular em basalto com 3,00 m de raio. O resto da área interior é fundo liso em calcário branco. Prevê-se uma camada de areia de assentamento de 5 cm em toda a praça. Os cubos, de ambos os materiais, têm 5 cm de lado e junta de 0,5 cm.
Requisitos
Funcionais
- Interpretar o projeto: identificar as três zonas (fundo liso, orla, medalhão), a sua geometria e o tipo de pedra de cada uma.
- Medir desenvolvimentos lineares: perímetro da praça e perímetro do medalhão.
- Medir superfícies: área total da praça, área da orla, área do medalhão e área do fundo liso (por decomposição, com verificação de que a soma das partes bate certo com o total).
- Medir volumes: volume da camada de areia de assentamento para toda a praça.
- Calcular quantidades de cubos para cada zona, com um desperdício de 8%, sempre arredondado por excesso.
- Registar tudo numa folha de medição estruturada (elemento, forma, dimensões, área/volume, pedra, quantidade).
Não-funcionais
- Todos os comprimentos e larguras em metros com duas casas decimais; volumes em metros cúbicos com duas casas decimais.
- Nenhuma quantidade de material arredondada por baixo.
- Indicação explícita das medidas de segurança na via pública a adotar durante o levantamento de campo.
- Relatório final claro, organizado por zona, com todas as fórmulas usadas explícitas (não só o resultado).
Fases
Fase 1 · Segurança e preparação (1h) Planear a sinalização temporária, o colete de alta visibilidade e o EPI necessários para medir numa praça com circulação de pessoas. Reunir os instrumentos (fita métrica, esquadro, nível, eventualmente estação total para o alinhamento do medalhão).
Fase 2 · Interpretar o projeto (2h) Ler os dados do projeto, identificar as três zonas (fundo liso, orla, medalhão), o tipo de pedra de cada uma e as normas aplicáveis (espessura da camada de areia, junta).
Fase 3 · Medir desenvolvimentos lineares (2h) Calcular o perímetro da praça e o perímetro do medalhão. Verificar o ângulo reto dos cantos da praça com o esquadro.
Fase 4 · Medir superfícies (4h) Calcular a área total da praça, a área da orla (faixa perimetral), a área do medalhão circular e, por decomposição, a área do fundo liso. Confirmar que a soma das três áreas bate certo com o total.
Fase 5 · Medir volumes e calcular quantidades (4h) Calcular o volume da camada de areia para toda a praça. Calcular a densidade de cubos por m² e as quantidades de cubos (calcário e basalto), com 8% de desperdício, arredondadas por excesso.
Fase 6 · Folha de medição e relatório (2h) Preencher a folha de medição por zona e redigir o relatório final com as quantidades de material a encomendar.
Fase 7 · Apresentação (1h) Apresentar à turma o método de decomposição usado e as quantidades finais, justificando o desperdício previsto.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Interpretação correta do projeto e das zonas | 15% |
| Desenvolvimentos lineares (perímetros) corretos | 15% |
| Superfícies corretas, com decomposição e verificação da soma | 25% |
| Volumes e quantidades de cubos corretos, com desperdício e arredondamento por excesso | 25% |
| Folha de medição e relatório completos e organizados | 10% |
| Segurança na via pública e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Calcular a área da orla como perímetro × largura, sem descontar a sobreposição nos cantos (usar sempre a diferença entre o retângulo total e o retângulo interior).
- Esquecer de subtrair a área do medalhão à área interior antes de calcular o fundo liso.
- Não verificar que a soma das três zonas bate certo com a área total.
- Arredondar as quantidades de cubos por baixo, em vez de por excesso.
- Aplicar o desperdício apenas a uma zona e esquecer as restantes.
- Medir na praça sem sinalização nem colete de alta visibilidade.
Bónus (opcional)
- Calcular também a quantidade de areia de junta (assumindo uma espessura de junta e uma profundidade de preenchimento à escolha, justificada).
- Propor uma segunda zona decorativa (um friso interior entre a orla e o fundo liso) e recalcular todas as áreas e quantidades.
- Comparar o resultado do cálculo por fórmula com uma segunda medição direta (por exemplo, contando cubos numa amostra de 1 m² e comparando com a densidade teórica de 331 cubos/m²).
Reflexão
No relatório final, responde: porque é que a verificação cruzada (a soma das áreas das zonas ter de bater certo com a área total) é uma boa prática de qualidade, e não apenas um passo extra? E explica com um exemplo concreto deste projeto o que aconteceria à obra se as quantidades de cubos fossem arredondadas por baixo em vez de por excesso.