Mini-Projecto · Molde de um motivo decorativo de calçada
Contexto
A junta de freguesia de Vila Serena encomendou ao atelier onde trabalhas um motivo decorativo em relevo para reproduzir em várias peças de calçada de um novo largo pedonal: uma flor estilizada, uma âncora ou outro motivo à tua escolha, com cerca de 12 a 18 cm de diâmetro ou lado maior.
A peça final vai ser produzida em série (entre 15 e 30 unidades), pelo que a encomenda não pede só o motivo modelado, pede um molde testado e validado, capaz de reproduzir o mesmo relevo vezes sem conta com a mesma qualidade. Trabalhas individualmente ou a pares, do desenho técnico até à primeira peça de teste vazada.
Requisitos
Funcionais
- Desenho técnico do motivo, cotado (por coordenadas ou em paralelo), com tolerâncias dimensionais definidas.
- Decisão justificada da linha de apartação e dos ângulos de saída do modelo.
- Modelo original executado em argila ou cera, fiel ao desenho técnico.
- Molde executado em gesso, alginato ou silicone, com a escolha do material justificada pelo número de cópias pretendido.
- Pelo menos uma peça de teste vazada no material final previsto (gesso, resina ou argamassa).
- Medição da peça de teste com o instrumento adequado, comparando o resultado com a tolerância definida.
Não-funcionais
- Registo do processo: proporções usadas (água/gesso, base/catalisador), tempos de trabalho e de cura observados.
- Cumprimento integral das normas de segurança e saúde no trabalho em todas as fases (EPI, ventilação).
- Acabamento cuidado da peça de teste (rebarbas e bolhas de ar corrigidas).
- Apresentação final com o modelo, o molde e a peça de teste, lado a lado.
Fases
Fase 1 · Desenho e traçado (3h) Escolher o motivo, desenhar e cotar o desenho técnico, definir tolerâncias, linha de apartação e ângulos de saída. Se o motivo for pensado para fundição em metal, aplicar também a contração do metal correspondente.
Fase 2 · Preparação (1h) Preparar a área de trabalho, selecionar e medir/pesar os materiais, rever ferramentas e equipamentos, preparar o EPI.
Fase 3 · Modelação (4h) Modelar o motivo em argila ou cera, seguindo rigorosamente as dimensões e a linha de apartação definidas no traçado.
Fase 4 · Execução do molde (6h) Preparar e aplicar o material do molde (gesso, alginato ou silicone), respeitando as proporções e os tempos de presa/cura. Aplicar desmoldante onde necessário.
Fase 5 · Vazamento de teste (3h) Calcular o volume e a massa de material necessários, vazar a peça de teste e desmoldar.
Fase 6 · Acabamento, medição e validação (2h) Remover rebarbas, corrigir bolhas de ar, medir a peça de teste e comparar com a tolerância definida. Corrigir o molde se necessário.
Fase 7 · Apresentação (1h) Apresentar o modelo, o molde e a peça de teste à turma, explicando as decisões de traçado e de material tomadas.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Desenho técnico, cotagem e tolerâncias | 15% |
| Linha de apartação e ângulos de saída bem decididos | 15% |
| Modelo (argila/cera) fiel ao desenho | 15% |
| Molde executado corretamente (proporções, presa/cura) | 20% |
| Peça de teste vazada, medida e dentro da tolerância | 20% |
| Segurança, registo do processo e apresentação | 15% |
Erros comuns
- Definir a linha de apartação só depois de modelar, em vez de decidi-la no traçado inicial.
- Esquecer o ângulo de saída em relevos com paredes altas e finas, que ficam presos ao desmoldar.
- Pesar o catalisador a olho, em vez de com balança, comprometendo a cura do silicone ou da resina.
- Vazar sem EPI completo, sobretudo com resinas de poliéster e catalisador MEKP.
- Considerar o molde pronto sem o testar com uma peça de vazamento real.
- Não registar as proporções usadas, tornando impossível repetir o mesmo resultado numa segunda série.
Bónus (opcional)
- Repetir o vazamento de teste num segundo material (por exemplo, gesso em vez de resina) e comparar o acabamento e a facilidade de desmoldagem.
- Aplicar acabamento decorativo à peça de teste (patine, pintura, verniz).
- Adaptar o desenho técnico para fundição em bronze, aplicando a contração de metal correspondente (1,5% a 2,0%) e recalculando as cotas do modelo.
- Produzir um segundo motivo em série a partir do mesmo molde e verificar se a segunda peça mantém a mesma qualidade da primeira.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a decisão sobre a linha de apartação e os ângulos de saída tem de ser tomada no traçado, antes de modelar, e não depois de o molde já estar feito? E: se a peça fosse pensada para fundição em bronze em vez de resina, que alteração concreta terias de fazer ao traçado, e porquê?