Mini-Projecto · Do modelo real ao dossiê técnico
Contexto
O ateliê "Oficina do Cabo", especializado em peças artesanais (calçada decorativa, cerâmica, peças em metal, mobiliário, cestaria ou encadernação), precisa de um dossiê técnico de um objeto ou estrutura que vai entrar em produção. Foste contratado/a para analisar um modelo real (natural ou artificial) e criar o desenho técnico completo que o representa: normalizado, cotado e legível por qualquer artesão da oficina.
Trabalhas individualmente ou a pares. Escolhes um objeto real (fornecido pelo professor ou trazido por ti, dentro dos materiais e áreas do curso) e entregas um conjunto de desenhos técnicos mais um pequeno dossiê de decisões.
Requisitos
Funcionais
- Análise do modelo: identificação escrita dos sólidos geométricos base e das proporções principais do objeto.
- Desenho em projeção ortogonal (1.º diedro): pelo menos três vistas (alçado, planta e uma vista lateral), alinhadas e cotadas.
- Desenho axonométrico do mesmo objeto, numa das variantes estudadas (isometria, dimetria, trimetria ou perspetiva cavaleira), com indicação escrita do ângulo e do coeficiente de redução usados.
- Escala escolhida e justificada, com escalímetro ou cálculo apresentado.
- Cotagem completa (linhas de cota, linhas de chamada, valores reais) em pelo menos um dos desenhos.
- Legenda (cartela) em todos os desenhos: título, autor, data, escala, formato e símbolo do diedro (quando aplicável).
Não-funcionais
- Traço limpo, com hierarquia clara entre linha de construção, contorno visível e aresta escondida.
- Papel "cavalinho" A3 ou A2, conforme o tamanho do objeto e a escala escolhida.
- Postura e organização do posto de trabalho corretas durante a execução (ver critérios de segurança).
- Desenho legível e compreensível sem explicação oral.
Fases
Fase 1 · Escolha e análise do modelo (2h) Selecionar o objeto ou estrutura; identificar por escrito os sólidos geométricos base, proporções e características a representar (textura, sombreamento, linhas de contorno).
Fase 2 · Equipamento e escala (2h) Preparar o posto de trabalho (suporte, iluminação, instrumentos); medir o objeto (ou as suas proporções relativas) e escolher a escala adequada ao formato de papel.
Fase 3 · Construções geométricas auxiliares (3h) Traçar, a lápis duro, as construções geométricas de base (mediatrizes, bissetrizes, polígonos, tangências) necessárias para desenhar o objeto com rigor.
Fase 4 · Projeção ortogonal (5h) Desenhar as três vistas em 1.º diedro, alinhadas, com traço final e distinção entre arestas visíveis e escondidas.
Fase 5 · Axonometria (5h) Desenhar o objeto na variante axonométrica escolhida, aplicando corretamente os ângulos e coeficientes de redução dessa variante.
Fase 6 · Cotagem, hachuras e legenda (2h) Cotar os desenhos, aplicar hachuras se houver secção, preencher a legenda de todos os desenhos.
Fase 7 · Verificação e apresentação (1h) Rever o conjunto contra as normas (conformidade, precisão, símbolos e convenções); apresentar o dossiê à turma.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Análise do modelo (sólidos base, proporções) | 15% |
| Projeção ortogonal (vistas, alinhamento, 1.º diedro) | 25% |
| Axonometria (ângulos e reduções corretos da variante escolhida) | 25% |
| Escala, cotagem, hachuras e legenda | 20% |
| Clareza, legibilidade e conformidade com as normas | 15% |
Erros comuns
- Escolher um objeto demasiado complexo para o tempo disponível, sem o simplificar em sólidos base.
- Misturar 1.º e 3.º diedro nas três vistas do mesmo desenho.
- Aplicar a redução teórica da isometria (0,816) quando o dossiê pede a prática corrente (1:1).
- Reduzir a face frontal numa perspetiva cavaleira, quando deveria ficar em verdadeira grandeza.
- Entregar desenhos sem legenda ou sem indicação de escala.
- Cotar com a régua diretamente sobre o desenho, em vez de calcular a partir da escala.
Bónus (opcional)
- Desenhar o mesmo objeto numa segunda variante axonométrica (ex.: dimetria além da isometria) e comparar visualmente.
- Aplicar sombreado ou textura ao desenho axonométrico, sugerindo o material real do objeto.
- Propor uma pequena variação dimensional do objeto (ex.: versão 20% maior) e recalcular a escala e as cotas.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque escolheste esta variante axonométrica e não outra, para este objeto em concreto? E: que diferença faria, no rigor do fabrico, entregar só o desenho axonométrico sem as vistas em projeção ortogonal?