Mini-Projecto · Proposta em perspetiva cónica para um espaço público
Contexto
A Câmara Municipal de Vila Serrana está a requalificar o largo em frente à igreja matriz, e pediu a um atelier de artes e ofícios uma proposta decorativa para o espaço: um novo desenho de calçada para o largo, com um elemento vertical de destaque (um marco, um cruzeiro ou um pequeno monumento) junto ao portal da igreja. Antes de qualquer trabalho em pedra, cerâmica, metal ou madeira, a câmara exige uma apresentação em perspetiva que mostre com rigor como ficará o largo, para aprovar o orçamento.
Trabalhas individualmente ou a pares. Entregas um dossiê de apresentação, com os esboços de composição, a construção geométrica completa (em pelo menos duas perspetivas diferentes) e o desenho final tratado a sombra, textura e, se aplicável, cor.
Requisitos
Funcionais
- Planta de estudo do largo e do elemento vertical, à escala, com as duas direções principais assinaladas.
- Uma vista em perspetiva paralela (um ponto de fuga), mostrando o caminho de calçada de frente.
- Uma vista em perspetiva angular (dois pontos de fuga), construída pelo método do arquiteto, mostrando o largo e o portal da igreja "de esquina".
- Uma vista do elemento vertical de destaque em perspetiva de três pontos de fuga, dando-lhe imponência.
- Todas as vistas com linha de terra, linha do horizonte e pontos de fuga assinalados a lápis leve (visíveis na entrega de estudo, não na entrega final).
- Pelo menos uma vista com figura humana incluída, como escala de referência.
- Tratamento de luz e sombra (sombra própria e projetada) coerente com uma única fonte de luz, em todas as vistas finais.
- Pelo menos duas técnicas de sombreamento diferentes (por exemplo, hachura para a pedra e esfumado para o metal do cruzeiro).
- Uma vista do fundo do largo tratada com perspetiva atmosférica (esbatimento de cor e contraste).
Não-funcionais
- Escala e legenda registadas em todos os desenhos de apresentação.
- Traço de construção distinto do traço final (leve versus firme).
- Composição decidida antes da construção geométrica (formato, posição do horizonte, regra dos terços).
- Bancada e materiais organizados e usados em segurança durante todo o projeto.
Fases
Fase 1 · Planeamento e composição (3h) Estudo do largo (fotografias ou visita, se possível) e esboços rápidos de composição: formato, posição da linha do horizonte, enquadramento da igreja e do elemento vertical.
Fase 2 · Planta e ponto de vista (3h) Desenho da planta do largo à escala, definição do ponto de vista e do ângulo de visão para a perspetiva angular.
Fase 3 · Perspetiva paralela (4h) Construção completa da vista de frente do caminho de calçada, com o ponto principal e o ponto de distância, medindo pelo menos uma profundidade real com o método do ponto de distância.
Fase 4 · Perspetiva angular (5h) Construção da vista "de esquina" do largo e do portal, pelo método do arquiteto, com PF1 e PF2, a aresta de referência e pelo menos uma medida transportada por ponto de medição.
Fase 5 · Três pontos de fuga (3h) Construção da vista do elemento vertical de destaque, com o terceiro ponto de fuga acima do horizonte.
Fase 6 · Luz, sombra e textura (4h) Tratamento final a sombra própria e projetada, escolha e aplicação das técnicas de sombreamento, e esbatimento atmosférico do fundo.
Fase 7 · Dossiê e apresentação (2h) Organização do dossiê (planta, três perspetivas, tratamento final) e apresentação à turma, como se fosse à câmara municipal.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Planta, ponto de vista e composição | 10% |
| Perspetiva paralela e ponto de distância corretos | 20% |
| Perspetiva angular, método do arquiteto e pontos de medição corretos | 25% |
| Perspetiva de três pontos de fuga correta | 15% |
| Luz, sombra e técnicas de sombreamento | 15% |
| Dossiê, normas de apresentação e apresentação oral | 15% |
Erros comuns
- Construir a perspetiva angular com PF1 e PF2 demasiado próximos, distorcendo o largo.
- Medir profundidades "a olho", sem passar pelo ponto de distância ou pelos pontos de medição.
- Colocar o terceiro ponto de fuga sobre o horizonte em vez de numa vertical.
- Aplicar sombra própria mas esquecer a sombra projetada, deixando os elementos a parecer flutuar.
- Usar a mesma técnica de sombreamento para todos os materiais, sem distinguir pedra, metal ou madeira.
- Entregar o dossiê sem escala nem legenda.
Bónus (opcional)
- Estudo de cor sobre a construção final (lápis de cor ou tinta), mantendo a coerência da fonte de luz.
- Uma segunda vista de três pontos de fuga, olhando de cima para baixo (vista de pássaro sobre o largo).
- Maqueta simplificada em papel do elemento vertical, para confirmar as proporções antes da apresentação.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a mesma câmara municipal exige uma perspetiva angular e não só uma perspetiva paralela para aprovar este projeto? E qual foi o momento em que um erro de construção geométrica (ponto de fuga trocado, aresta mal medida) te obrigou a recomeçar parte do desenho, e o que mudaste no teu método de trabalho para não repetir esse erro?