Mini-Projeto · Orçamento de uma obra de calçada artística
Contexto
A Junta de Freguesia de Assentiz quer requalificar o Largo da Igreja, um espaço público de 150 m², com um pátio em calçada portuguesa que integre o brasão da freguesia, num padrão a duas cores (calcário branco e basalto preto). A obra decorre em espaço de acesso público, com trânsito de peões durante toda a execução.
Foste contratado/a, como calceteiro/a artístico/a independente ou pela tua oficina, para elaborar o orçamento completo desta obra e apresentá-lo à Junta, pronto a ser aprovado. Trabalhas individualmente ou a pares, e entregas um documento de orçamento completo mais um pequeno dossiê de suporte (cálculos, riscos identificados, condições contratuais propostas).
Requisitos
Funcionais
- Identificar e listar todos os recursos necessários (materiais, mão de obra, equipamento, licenças e outros custos associados a uma obra em espaço público).
- Calcular os custos diretos completos: materiais (com a divisão de área por cor de pedra), mão de obra (dias-homem, prazo, custo por calceteiro) e equipamento (aluguer pelos dias de obra).
- Aplicar custos indiretos e uma reserva de risco financeiro, ambos como percentagem justificada dos custos diretos.
- Calcular a margem de lucro sobre o subtotal e o IVA sobre o preço de venda, chegando ao preço final ao cliente e ao preço por m².
- Entregar um documento de orçamento com, no mínimo, as seis secções da estrutura estudada: identificação, descrição do projeto, detalhe de custos, preço final, prazo e validade, condições e exclusões.
- Identificar pelo menos dois riscos financeiros específicos deste projeto e, para cada um, uma estratégia de resposta.
Não-funcionais
- Todos os cálculos seguem a sequência custos diretos → custos indiretos → reserva de risco → subtotal → margem de lucro → preço de venda → IVA → preço final, com arredondamento ao cêntimo (2 casas decimais) logo a seguir a cada cálculo.
- Documento em português de Portugal, claro, sem erros de soma e sem contradições entre os valores apresentados em tabelas diferentes.
- O orçamento inclui prazo de validade (por exemplo, 30 dias) e uma condição de revisão de preço para a matéria-prima.
- Apresentação organizada, com tabelas para os custos e para os riscos, fácil de seguir por alguém que não assistiu aos cálculos.
Fases
Fase 1 · Levantamento e briefing (2h) Analisar o pedido da Junta de Freguesia, confirmar a área (150 m²), o padrão (duas cores, com brasão), o prazo pretendido e as condicionantes do espaço público (trânsito de peões, necessidade de licença).
Fase 2 · Definição do âmbito e recursos (2h) Listar todos os recursos necessários: materiais, mão de obra, equipamento, licenças e outros custos específicos de uma obra em espaço público (sinalização, vedação).
Fase 3 · Cálculo dos custos diretos (4h) Calcular o custo de materiais (por cor de pedra e argamassa), o custo de mão de obra (dias-homem, prazo, custo diário) e o custo de equipamento (aluguer pelos dias de obra). Somar o total de custos diretos.
Fase 4 · Custos indiretos, risco, margem e IVA (3h) Aplicar a percentagem de custos indiretos e a reserva de risco financeiro sobre os custos diretos, calcular o subtotal, aplicar a margem de lucro sobre o subtotal, e por fim o IVA sobre o preço de venda, até ao preço final e ao preço por m².
Fase 5 · Gestão de riscos e aspetos legais (2h) Identificar riscos financeiros específicos desta obra (prazo, matéria-prima, obra pública) e as respetivas estratégias de resposta. Definir as condições contratuais a propor à Junta (pagamento, prazo, revisão de preço, garantia).
Fase 6 · Montagem do documento de orçamento (2h) Organizar toda a informação no documento final, com as seis secções da estrutura estudada, tabelas de custos e de riscos, e as condições contratuais.
Fase 7 · Apresentação e defesa (1h) Apresentar o orçamento à turma como se apresentasse à Junta de Freguesia, justificando as percentagens de indiretos, risco e margem escolhidas.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Levantamento e identificação de recursos (âmbito completo) | 15% |
| Cálculo dos custos diretos (rigor matemático) | 25% |
| Custos indiretos, risco, margem e IVA (rigor matemático) | 25% |
| Gestão de riscos e aspetos legais/contratuais | 15% |
| Documento de orçamento (estrutura, formato, revisões) | 10% |
| Apresentação e justificação das decisões | 10% |
Erros comuns
- Orçamentar sem visitar o largo, sem confirmar a área real e as condicionantes do espaço público.
- Esquecer a licença de ocupação de via pública e a sinalização de obra, obrigatórias neste tipo de projeto.
- Aplicar a margem de lucro sobre os custos diretos em vez de sobre o subtotal (diretos + indiretos + risco).
- Arredondar só no final da cadeia de cálculo, em vez de a cada passo, o que desalinha o preço final.
- Não distinguir a reserva de risco da margem de lucro, tratando-as como a mesma coisa.
- Entregar um orçamento sem prazo de validade, ficando a empresa exposta a uma subida de preços da matéria-prima.
Bónus (opcional)
- Propor uma cláusula de revisão de preços indexada a um índice público de preços da pedra ou da construção.
- Comparar o preço final com uma estimativa paramétrica simples (€/m² de mercado para calçada artística) e comentar o desvio.
- Simular o efeito de aumentar a equipa para 6 calceteiros: recalcular prazo, mão de obra e custo do aluguer de equipamento.
- Desenhar (em papel ou digital) o layout do documento de orçamento a entregar à Junta de Freguesia.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a reserva de risco financeiro desta obra (6%) é maior do que a do exemplo dado nas aulas (5%)? E se a Junta de Freguesia pedisse, já depois de aprovado o orçamento, para aumentar a área em 20 m², que passos do processo de revisões e aprovações terias de repetir?