Mini-Projeto · Sistema de cor para a identidade de uma mercearia fina
Contexto
A Mercearia Fio de Prumo é uma mercearia fina fictícia, que vende conservas, azeites, chás e doçaria portuguesa em loja e online. Vai renovar a sua imagem e entrega-te o desafio de definir e implementar o sistema de cor da marca. O briefing pede uma identidade calorosa e artesanal, com um público de 30 a 60 anos, e uma cor que funcione tanto no ecrã (site e redes sociais) como na impressão (etiquetas, sacos de papel e um folheto de promoções).
Trabalhas individualmente ou a pares, com aplicações de edição de imagem e de vetores, um catálogo físico de cores Pantone e uma impressora para provas. O logótipo não te é dado: desenhas um logótipo simples (o nome da mercearia em tipografia, com um símbolo geométrico) na fase 5, para lhe aplicares a paleta. Entregas um dossiê com a pesquisa, as análises, a paleta, as verificações, as peças e o arquivo, e fazes uma apresentação final.
As 25 horas da UC repartem-se por cerca de 9 horas de exposição e exercícios orientados (slides e sebenta), 4 horas de fichas em aula e 12 horas de mini-projeto em aula. As restantes horas das fichas (3 h) e do mini-projeto (8 h) fazem-se em trabalho autónomo.
Requisitos
Funcionais
- Pesquisar 15 a 20 referências de mercearias, conservas ou chás de várias fontes, com fonte, autor e data registados, e organizá-las num moodboard.
- Analisar o esquema de cor e a paleta de, no mínimo, 3 peças reais de design de comunicação, com ficha de análise (esquema, proporção, contrastes e função da cor).
- Criar a paleta de cor da marca, própria e justificada pelo teu briefing e pelas tuas referências, com principal, secundária(s), acento, neutras e uma escala de luminosidade da cor principal, com valores em hexadecimal, RGB e CMYK, e a referência Pantone consultada no catálogo físico.
- Justificar a paleta com significado, público, cultura e suporte, e indicar o esquema escolhido e a proporção de uso (por exemplo, 60 : 30 : 10).
- Medir a razão de contraste de, pelo menos, 8 pares de texto e fundo, e corrigir os que falharem.
- Testar a paleta com simulação de daltonismo e em escala de cinzentos, e apresentar uma alteração decorrente do teste.
- Aplicar a paleta em, no mínimo, três peças: o logótipo em vetor (versão a cores, a uma só cor e invertida), uma fotografia tratada (ajustes e duotone, de forma não destrutiva) e um folheto A5 com preços e destaques.
- Preparar a produção: perfil de cor, conversão para CMYK, escolha entre quadricromia, dicotomia e cor direta com justificação, e uma prova impressa vista sob boa luz.
- Organizar e arquivar os ficheiros com estrutura de pastas e nomenclatura, e entregar um guia de cor de uma página.
Não-funcionais
- Registo organizado, com valores e unidades sempre explícitos e fontes indicadas.
- Respeito pelos direitos de autor das referências e das imagens usadas.
- Cumprimento das normas de segurança e saúde no trabalho (posto com ecrã, pausas) e das normas de proteção ambiental (provas reduzidas, papel certificado ou reciclado).
- Linguagem clara e inclusiva em todos os textos.
- Decisões justificadas com dados medidos, e não com valores inventados.
Fases
Fase 1 · Briefing e pesquisa de referências (3h, trabalho autónomo) Ler o briefing, definir as perguntas de pesquisa, recolher 15 a 20 referências de fontes variadas (websites, publicações, redes sociais, observação em loja), registar fonte e data, e montar o moodboard com a síntese de tendências.
Fase 2 · Análise de esquemas de cor (2h, em aula) Escolher 3 peças reais, recolher as cores com o conta-gotas, classificá-las no círculo cromático, estimar proporções, medir contrastes e preencher a ficha de análise de cada uma.
Fase 3 · Conceito de cor e paleta (4h: 2h em aula, 2h em trabalho autónomo) Definir o conceito, escolher o esquema, criar a paleta com papéis, escalas e neutras, e registar valores em hexadecimal, RGB e CMYK. Consultar o catálogo Pantone físico, para papel revestido e não revestido, e escolher a referência da cor principal.
Fase 4 · Legibilidade e design inclusivo (2h, em aula) Medir a razão de contraste de 8 pares texto e fundo, corrigir os que falham, simular daltonismo, converter para cinzentos e documentar pelo menos uma alteração feita em resultado dos testes.
Fase 5 · Aplicação em imagem e em vetores (4h, em aula) Construir o logótipo em vetor com amostras globais (a cores, uma só cor e invertido), tratar a fotografia com camadas de ajuste e duotone, e compor o folheto A5, garantindo a legibilidade do texto sobre cor e sobre imagem.
Fase 6 · Produção, ficheiros e arquivo (3h, trabalho autónomo) Definir o perfil e converter para CMYK, decidir o número de tintas por peça, imprimir uma prova e compará-la com o ecrã e com o catálogo. Nomear, organizar e arquivar os ficheiros e escrever o guia de cor de uma página.
Fase 7 · Apresentação e reflexão (2h, em aula) Apresentar o dossiê à turma, explicando o conceito, a paleta, uma decisão que mudou após a medição de contraste ou o teste de daltonismo, e o que a prova impressa mostrou de diferente do ecrã.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Pesquisa de referências e análise de esquemas de cor | 15% |
| Conceito e criação da paleta (esquema, papéis, valores, Pantone) | 20% |
| Legibilidade, contraste e design inclusivo | 15% |
| Aplicação da cor em imagem e em vetores (ajustes, efeitos) | 20% |
| Produção e prova (perfil, CMYK, cores diretas) | 10% |
| Ficheiros, arquivo, segurança e ambiente | 10% |
| Dossiê, guia de cor e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Escolher a paleta antes do briefing, por gosto.
- Aprovar a cor no ecrã sem prova impressa nem catálogo.
- Medir o contraste só de um par, ou nunca medir.
- Usar a cor como único sinal de categoria ou de estado.
- Misturar RGB e CMYK sem planear a conversão e sem verificar a gama.
- Aplicar ajustes diretamente nos píxeis, sem camadas de ajuste.
- Demasiadas cores, todas em áreas iguais.
- Copiar uma referência em vez de a analisar.
- Ficheiros sem padrão de nome e versões sobrescritas.
- Esquecer pausas, calibração e iluminação do posto, e imprimir várias provas desnecessárias.
Bónus (opcional)
- Criar uma variante em modo escuro da paleta e do folheto digital, com os contrastes medidos.
- Construir uma escala de nove degraus para cada cor principal e usá-la numa página web simples.
- Imprimir o mesmo logótipo em papel revestido e não revestido e documentar as diferenças de cor.
- Fazer a versão a uma só cor do logótipo para um carimbo ou para serigrafia.
- Pedir a duas pessoas do público que avaliem a paleta e registar as reações.
Reflexão
No dossiê final, responde: qual foi a decisão de cor que mais mudou depois de medires o contraste ou de simulares o daltonismo, e porquê? E que diferença viste entre a cor do ecrã e a da prova impressa, e o que farias para a reduzir num próximo projeto?