Mini-Projecto · Dossiê de samblagens de um banco de madeira maciça
Contexto
A marcenaria "Oficina do Freixo" está a preparar a produção em série de um banco de madeira maciça, com pés, travessas e um assento formado por várias tábuas unidas pela largura. Antes de a peça ir para máquina, precisam de um dossiê de desenho de pormenor completo, com as samblagens escolhidas, cotadas e simuladas, para garantir que a produção em série sai sempre com o mesmo encaixe.
Foste contratado/a para analisar o desenho de conjunto do banco e produzir esse dossiê, aplicando pelo menos quatro famílias diferentes de samblagem vistas nesta UC, em sistema de CAD tridimensional.
Requisitos
Funcionais
- Desenho de conjunto do banco, com todas as peças identificadas (pés, travessas, tábuas do assento).
- Pelo menos uma samblagem por furo e respiga (indicar a variante: simples, dupla, com talão ou de fora a fora) na ligação pé-travessa, dimensionada e justificada.
- Pelo menos uma junção à meia-madeira ou esvaziada (indicar a variante) numa estrutura de suporte ou travamento.
- União das tábuas do assento pelo sentido da largura (junta viva, macho e fêmea, com ou sem lamelas para alinhar), com a largura de corte de cada tábua calculada.
- Fixação do assento à estrutura com peças que permitam o movimento transversal da madeira (botões, grampos ou furos ovalizados); o assento maciço nunca se cola em cruz sobre as travessas.
- Pelo menos uma ligação por cavilhas, lamelas ou dominós, com a localização e o dimensionamento dos furos ou ranhuras e a justificação da escolha.
- Desenho de pormenor de cada samblagem escolhida, à escala 1:1 ou 1:2, com vistas, cortes e cotas completas para a fabricar.
- Tolerâncias e folgas definidas (em décimas de milímetro) e simuladas em CAD, com movimento de montagem e deteção de interferências, para pelo menos duas das ligações.
Não-funcionais
- Respeito pelas normas de desenho técnico em todas as vistas e cotagens (1.º diedro, escalas normalizadas, cotas em milímetros com a medida real).
- Sentido do fio indicado em todas as peças maciças, nos desenhos e na lista de corte.
- Consistência de cotas entre peças que encaixam entre si (mesmas referências).
- Justificação escrita de cada escolha de samblagem, ligada ao esforço previsto e à visibilidade da ligação.
- Dossiê organizado, com nomes de ficheiro claros por peça e por ligação.
Fases
Fase 1 · Análise do desenho de conjunto (2h) Interpretar o desenho de conjunto do banco, identificar todas as peças e localizar onde cada uma encontra outra.
Fase 2 · Escolher as famílias de samblagem (2h) Para cada ligação identificada, escolher a família e a variante mais adequada, justificando pelo esforço previsto e pela visibilidade.
Fase 3 · Desenhar a ligação pé-travessa (4h) Desenho de pormenor da respiga escolhida: vistas, cortes, cotas de folga e, se aplicável, talão ou furo de fora a fora.
Fase 4 · Desenhar a estrutura de suporte (4h) Desenho de pormenor da junção à meia-madeira ou esvaziada escolhida para a estrutura de suporte ou travamento, e da ligação da travessa intermédia.
Fase 5 · Unir as tábuas do assento (3h) Desenho de pormenor da união das tábuas pela largura, com a técnica escolhida e a largura de corte de cada tábua, da posição das lamelas (se usadas) e da fixação do assento que deixa a madeira mexer.
Fase 6 · Simular tolerâncias em CAD (3h) Definir e simular as folgas de pelo menos duas ligações, confirmando que os conjuntos fecham sem interferências.
Fase 7 · Fechar o dossiê e apresentar (2h) Organizar o dossiê completo e apresentar à turma as escolhas de samblagem e as simulações feitas.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Análise correta do desenho de conjunto | 10% |
| Escolha e justificação das famílias de samblagem | 15% |
| Desenho de pormenor da respiga (vistas, cortes, cotas) | 20% |
| Desenho de pormenor da meia-madeira ou esvaziada, da união e da fixação do assento | 20% |
| Ligação por cavilhas, lamelas ou dominós bem escolhida, localizada e dimensionada | 15% |
| Tolerâncias simuladas em CAD | 10% |
| Dossiê organizado e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Escolher a mesma família de samblagem para todas as ligações, sem justificar pelo esforço ou pela visibilidade.
- Desenhar a respiga sem cotar a folga de ajuste, deixando essa decisão para a oficina.
- Esquecer o corte de pormenor numa ligação onde a cavidade interna não é visível pelo contorno exterior.
- Cotar as duas peças de uma ligação a partir de origens diferentes, gerando desalinhamento no encaixe.
- Não simular nenhuma tolerância, entregando cotas nominais sem confirmar o ajuste em CAD.
- Colar ou aparafusar o assento maciço às travessas em furos redondos, sem deixar a madeira mexer na largura.
- Esquecer o sentido do fio na lista de corte, ou o encontro das duas respigas dentro do mesmo pé.
Bónus (opcional)
- Desenhar também uma gaveta acessória do banco em cauda de andorinha: meio-escondido na frente e à vista na traseira, com a divisão das caudas calculada.
- Propor uma variante do banco com respiga de fora a fora e cunha, para um acabamento mais rústico.
- Comparar, em texto curto, o tempo estimado de execução entre a solução escolhida e uma alternativa mais simples, mas mais fraca.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a mesma peça pode justificar samblagens diferentes consoante o esforço previsto e a visibilidade da ligação? E qual das simulações de tolerância em CAD te obrigou a corrigir mais a folga inicial, e porquê?