Mini-Projeto · Orçamentar e controlar os custos de uma obra
Contexto
A empresa "Construções Vale Verde, Lda." foi contratada pelo cliente "Hortofrutícola Vale Fresco" para construir um pequeno pavilhão de arrumos e receção de mercadoria, com uma área de construção de cerca de 120 m². Foste destacado/a como técnico/a de obra responsável por orçamentar os trabalhos, elaborar as fichas de preços, controlar os custos ao longo de uma simulação de execução, e apresentar o dossiê ao encarregado de obra.
Trabalhas individualmente ou em grupo de dois, e entregas um dossiê completo (mapa de quantidades, fichas de preços, autos de medição simulados, análise de desvios e de valor ganho) mais uma apresentação à turma.
Requisitos
Funcionais
- Pelo menos 2 fichas de preço simples (materiais) e 2 fichas de preço composto (trabalhos completos), com todos os recursos discriminados.
- Um mapa de quantidades com pelo menos 4 rubricas, cada uma com custo direto unitário, preço de venda unitário e preço total.
- Cálculo dos custos de estaleiro (mínimo 4 componentes) e dos custos indiretos e margem, com a percentagem aplicada justificada.
- Simulação de pelo menos 2 autos de medição mensais, com retenção de garantia e amortização de adiantamento.
- Cálculo dos desvios de custos por rubrica, para pelo menos um dos meses simulados, com a interpretação de cada desvio.
- Cálculo do valor ganho (PV, EV, AC, CV, SV, CPI, SPI) num ponto da obra simulada, com interpretação do resultado.
Não-funcionais
- Todos os cálculos apresentam a fórmula, os valores substituídos e o resultado, nunca só o número final.
- O dossiê segue a estrutura de custos ensinada: diretos, estaleiro, indiretos, margem.
- As decisões de segurança, ambiente e qualidade do estaleiro simulado são referidas e coerentes com as normas aplicáveis.
- Nenhum valor de revisão de preços pode ser inventado. Se o grupo optar por referir uma revisão de preços, identifica apenas o regime legal aplicável (Decreto-Lei n.º 6/2004 e Código dos Contratos Públicos), sem inventar fórmulas nem coeficientes concretos.
Fases
Fase 1 · Planeamento e mapa de quantidades (3h) Definir as rubricas da obra (fundações, estrutura, alvenarias, cobertura, acabamentos) e as respetivas quantidades estimadas a partir de uma planta simplificada fornecida pelo professor.
Fase 2 · Fichas de preços simples e compostas (4h) Elaborar as fichas de preços simples dos materiais principais e as fichas de preços compostas de, pelo menos, duas rubricas do mapa de quantidades.
Fase 3 · Custos de estaleiro, indiretos e preço de venda (3h) Orçamentar o estaleiro por componentes, definir a percentagem de custos indiretos e margem, e calcular o preço de venda unitário e total de cada rubrica.
Fase 4 · Proposta e orçamento final (2h) Consolidar o mapa de quantidades com preços, montar o orçamento de proposta completo e verificar que a soma de todas as rubricas fecha com o preço total da empreitada.
Fase 5 · Simulação de execução e autos de medição (4h) Simular a execução de dois meses de obra (quantidades executadas e custos reais incorridos, fornecidos pelo professor ou definidos pelo grupo de forma realista) e elaborar os respetivos autos de medição.
Fase 6 · Controlo: desvios e valor ganho (3h) Calcular os desvios de custos por rubrica num dos meses simulados e o valor ganho (PV, EV, AC, CV, SV, CPI, SPI) nesse mesmo ponto da obra, com a respetiva interpretação e recomendação de ação corretiva.
Fase 7 · Apresentação e relatório (1h) Apresentar o dossiê à turma: decisões de orçamentação, resultado do controlo de custos, e o que fariam de forma diferente se a obra continuasse.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Mapa de quantidades e fichas de preços (simples e compostas) | 20% |
| Custos de estaleiro, indiretos e preço de venda | 20% |
| Autos de medição corretos (valor, retenção, amortização) | 15% |
| Desvios de custos calculados e interpretados corretamente | 15% |
| Valor ganho (PV, EV, AC, CV, SV, CPI, SPI) calculado e interpretado | 15% |
| Rigor dos cálculos e qualidade do dossiê e da apresentação | 15% |
Erros comuns
- Calcular o preço de venda sobre o preço de venda de outra rubrica em vez de sobre o custo direto dessa rubrica.
- Usar o custo direto, em vez do preço de venda contratual, ao preencher o auto de medição.
- Comparar o custo real acumulado com o orçamento total da obra, em vez de com o previsto para o avanço físico atingido.
- Esquecer a retenção de garantia ou a amortização do adiantamento no cálculo do valor líquido do auto.
- Confundir EV (valor do trabalho executado, medido pelo orçamento) com AC (custo real gasto): são conceitos diferentes e trocá-los inverte a leitura do CV e do SV.
- Inventar uma fórmula ou coeficientes de revisão de preços em vez de identificar apenas o regime legal aplicável.
Bónus (opcional)
- Simular um terceiro mês de execução e recalcular o valor ganho, comparando a evolução do CPI e do SPI.
- Fazer uma consulta ao mercado simulada (3 propostas fictícias de um subempreiteiro) e justificar a escolha considerando preço, prazo e garantia.
- Propor duas medidas concretas de gestão de resíduos e de segurança para o estaleiro simulado.
Reflexão
No relatório final, responde: se o CPI da tua obra simulada fosse inferior a 1 e o SPI superior a 1, o que estaria a acontecer à obra, e que ação tomarias primeiro? E: porque é que um desvio de custos de 0% numa rubrica não garante, por si só, que essa rubrica dá lucro?