Mini-Projecto · Diagnóstico e reparação de uma anomalia elétrica/eletrónica
Contexto
A oficina "AutoMecatrónica" recebe um veículo com a luz do motor acesa e queixas de "falha a puxar e ralenti irregular". És o técnico responsável pelo diagnóstico e reparação do sistema elétrico/eletrónico. Deves seguir um método estruturado, usar os instrumentos corretos, executar a reparação segundo as normas do fabricante, fazer os ensaios de funcionamento e registar toda a atividade no sistema oficinal.
O trabalho é feito individualmente ou a pares, num veículo real, banca didática ou simulador de avarias, e entrega-se a viatura reparada mais um dossiê técnico (folha de diagnóstico, medições, decisões e registo).
Requisitos
Funcionais
- Reprodução do sintoma e recolha da reclamação do cliente.
- Inspeção visual documentada (fusíveis, relés, conectores, massas, cablagem).
- Leitura OBD completa: DTC, freeze frame e readiness.
- Análise de live data do sistema suspeito, comparada com valores de referência.
- Testes de circuito: alimentação, massa, sinal, queda de tensão e, quando aplicável, forma de onda no osciloscópio.
- Isolamento da causa justificado (sensor, atuador, cablagem/conector, massa ou ECU).
- Reparação executada segundo a norma (crimpagem + termo-retrátil, limpeza de massa, referência correta, calibre correto de fusível).
- Ensaio final: apagar DTC, confirmar que não volta, verificar readiness e prova de estrada.
Não-funcionais
- Uso correto e seguro dos instrumentos (multímetro, osciloscópio, scan tool).
- Segurança: bateria desligada em intervenções na cablagem; cuidados de alta tensão em híbridos/EV.
- Consulta e citação dos esquemas e valores do fabricante.
- Dossiê legível, com medições e fotografias.
Fases
Fase 1 · Receção e reclamação (2h) Ouvir o cliente, reproduzir o sintoma e preencher a folha de entrada (quando ocorre, a frio/quente, em andamento).
Fase 2 · Inspeção visual (2h) Verificar fusíveis, relés, conectores, massas e cablagem. Registar tudo o que for encontrado.
Fase 3 · Leitura OBD (2h) Ligar o scan tool; anotar DTC, freeze frame e readiness. Interpretar cada código (circuito/sintoma).
Fase 4 · Live data e testes de circuito (5h) Comparar os sensores suspeitos com os valores esperados; medir alimentação, massa, sinal e queda de tensão; usar o osciloscópio quando necessário.
Fase 5 · Isolamento e reparação (4h) Justificar a causa provável, executar a reparação segundo a norma e substituir/reparar o componente correto.
Fase 6 · Ensaio, calibração e registo (3h) Apagar códigos, calibrar/adaptar se necessário, confirmar readiness, prova de estrada e registar a atividade no sistema oficinal.
Fase 7 · Dossiê e apresentação (2h) Organizar a folha de diagnóstico, medições, decisões e conclusões; apresentar o caso.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Método de diagnóstico e inspeção visual | 15% |
| Leitura e interpretação correta do OBD (DTC/freeze frame/readiness) | 15% |
| Testes de circuito e uso dos instrumentos | 20% |
| Isolamento correto e justificado da causa | 15% |
| Reparação segundo a norma e segurança | 20% |
| Ensaio final, calibração e registo oficinal | 10% |
| Dossiê e apresentação | 5% |
Erros comuns
- Trocar a bobina indicada pelo DTC sem testar as restantes causas.
- Esquecer a massa do motor — causa clássica de misfire global.
- Medir resistência com o circuito ligado.
- Não medir queda de tensão com carga.
- Não fazer prova de estrada nem confirmar a readiness antes de entregar.
- Não registar a intervenção (perde-se rastreabilidade e garantia).
Bónus (opcional)
- Captar e imprimir a forma de onda de um sensor (CKP ou lambda) e explicá-la.
- Fazer uma adaptação/calibração com o scan tool e documentar o antes/depois.
- Comparar os fuel trims antes e depois da reparação.
Reflexão
- Qual foi o passo do método que mais tempo poupou? E o que mais te enganou?
- A causa era a peça do DTC ou estava "escondida" na cablagem/massa?
- O que farias diferente para diagnosticar mais depressa da próxima vez?