Mini-Projecto · Plano de fatores humanos para uma missão prolongada
Contexto
A tua unidade foi destacada para uma missão aeroespacial prolongada, com turnos consecutivos, ambiente de trabalho exigente e uma equipa de 4 a 6 elementos que trabalha em conjunto pela primeira vez. Antes da partida, foste designado/a para preparar o plano de fatores humanos da missão: prever onde o erro tende a surgir, como reconhecer sinais de stress e fadiga, e como estruturar a comunicação da equipa.
Trabalhas individualmente ou em pequeno grupo, aplicando os modelos e critérios desta UC a um cenário concreto, e apresentando o plano à turma como se fosse à própria chefia da missão.
Requisitos
Funcionais
- Aplicação do modelo SHELL ou PEAR (pelo menos um dos dois, com justificação da escolha) para identificar três pontos de risco concretos da missão.
- Um caso, real ou fictício mas plausível, analisado com o modelo de Reason, distinguindo falhas latentes de falhas ativas.
- Um plano de gestão de stress e fadiga, com sinais a monitorizar e ações concretas, incluindo referência à lei de Yerkes-Dodson.
- Um protocolo simples de comunicação de equipa (CRM), incluindo pelo menos um exemplo de escalada assertiva.
- Um procedimento de encaminhamento claro para sinais de risco elevado (stress intenso, sinais de consumo abusivo de substâncias, sofrimento psicológico grave), identificando os canais corretos.
Não-funcionais
- Linguagem clara e objetiva, adequada a ser lida por uma chefia operacional, não um ensaio académico.
- Nenhuma recomendação do plano pode sugerir que um militar "resolva sozinho" um sinal de risco elevado.
- O plano deve ser consistente com os princípios éticos e regulamentos referidos na UC (confidencialidade, autorrelato honesto).
Fases
Fase 1 · Caracterização da missão e da equipa (2h) Descrever o cenário da missão, a composição da equipa e os fatores de exigência previsíveis (duração, turnos, ambiente).
Fase 2 · Mapeamento de risco com SHELL/PEAR (3h) Identificar três pontos de risco concretos usando o modelo escolhido, com justificação de cada um.
Fase 3 · Análise de um caso com o modelo de Reason (3h) Construir e analisar um caso plausível, distinguindo falhas latentes de falhas ativas e camadas de defesa.
Fase 4 · Plano de gestão de stress e fadiga (4h) Definir sinais a monitorizar, ligados à lei de Yerkes-Dodson, e ações concretas de prevenção e deteção precoce.
Fase 5 · Protocolo de comunicação de equipa (4h) Desenhar um protocolo simples de comunicação em circuito fechado e de escalada assertiva (CRM), com um exemplo aplicado.
Fase 6 · Procedimento de encaminhamento (2h) Definir, com clareza, os canais de encaminhamento para sinais de risco elevado, incluindo cadeia de comando, serviço de psicologia e Linha SNS 24.
Fase 7 · Apresentação do plano (2h) Apresentar o plano completo à turma, num registo dirigido a uma chefia operacional real.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Caracterização da missão e da equipa | 10% |
| Mapeamento de risco (SHELL/PEAR) | 20% |
| Análise do caso com o modelo de Reason | 20% |
| Plano de gestão de stress e fadiga | 20% |
| Protocolo de comunicação de equipa (CRM) | 15% |
| Procedimento de encaminhamento e apresentação | 15% |
Erros comuns
- Analisar o caso do modelo de Reason apontando apenas a falha ativa, sem identificar as falhas latentes que a tornaram provável.
- Confundir a Lei de Murphy com um modelo científico e usá-la em vez do modelo de Reason na análise do caso.
- Escrever um plano de gestão de stress genérico, sem sinais concretos nem ligação à lei de Yerkes-Dodson.
- Desenhar um protocolo de comunicação sem exemplo aplicado, ficando apenas na teoria.
- Incluir, no procedimento de encaminhamento, qualquer recomendação para o próprio militar "gerir sozinho" um sinal de risco elevado.
- Ignorar a confidencialidade no desenho do procedimento de encaminhamento.
Bónus (opcional)
- Propor um indicador simples e não intrusivo de acompanhamento do bem-estar da equipa ao longo da missão.
- Desenhar uma versão reduzida do protocolo CRM em forma de cartão de bolso, para consulta rápida em campo.
- Simular uma segunda ocorrência, desta vez ligada ao consumo de um medicamento não comunicado, e aplicar o mesmo procedimento de encaminhamento.
Reflexão
No relatório final, responde: porque é que um plano de fatores humanos centrado só em "pedir mais atenção" aos militares falha, à luz do modelo de Reason e das limitações do processamento de informação? E identifica uma situação do teu plano em que a linha entre disciplina de comando e assertividade de equipa poderia ter sido mal gerida, e como a preveniste.