Mini-Projecto · Sistema de qualidade para uma campanha de prospeção mineral
Contexto
A "Serra Funda", uma empresa a iniciar uma campanha de prospeção de recursos minerais numa nova área, contratou-te como técnico/a de qualidade para diagnosticar a situação atual e propor um plano de qualidade completo para a campanha, incluindo procedimentos, instrumentos de controlo, calibração e envolvimento das partes interessadas locais.
Trabalhas individualmente ou a pares, e entregas um dossiê de qualidade completo, mais uma apresentação à "gestão" (a turma) a justificar as decisões tomadas.
Requisitos
Funcionais
- Diagnóstico inicial: lista dos procedimentos de qualidade do produto e do processo que a campanha deve ter, com base no referencial da UC.
- Referência normativa: identificar que normas (ISO 9001, ISO/IEC 17025 e outras aplicáveis), que legislação nacional e europeia e que código de relato de recursos a campanha deve cumprir.
- Plano de amostragem e cadeia de custódia: descrever, passo a passo, como se garante a representatividade e a rastreabilidade de cada amostra.
- Protocolo de QA/QC: tipos de amostras de controlo (brancos, duplicados de campo, de preparação e de polpa, materiais de referência certificados), taxas de inserção justificadas, critérios de aceitação, cartas de controlo e o que fazer quando um controlo falha.
- Plano de calibração: lista de equipamentos de medição usados, com periodicidade de calibração proposta e justificada, verificações de rotina e critério de aceitação.
- Instrumentos de gestão da qualidade: aplicar pelo menos um diagrama de Ishikawa e um diagrama de Pareto a um problema de qualidade hipotético da campanha.
- Análise de custos da qualidade: classificar pelo menos 6 custos previstos nas quatro categorias (prevenção, avaliação, falha interna, falha externa).
- Plano de envolvimento das partes interessadas: identificar as partes interessadas da área da campanha e propor a forma de as informar e consultar.
- Instrumento de avaliação da satisfação do cliente: desenhar um inquérito simples, de 5 a 8 perguntas.
Não-funcionais
- Linguagem técnica, clara e sem termos inventados que não constem do referencial ou de fontes credíveis.
- Documento organizado por secções, fácil de seguir por quem audita.
- Coerência entre as normas citadas e os procedimentos propostos.
Fases
Fase 1 · Diagnóstico e enquadramento normativo (4h) Levantar os procedimentos de qualidade do produto e do processo a aplicar; identificar as normas e a legislação relevantes para a campanha.
Fase 2 · Plano de amostragem, cadeia de custódia e protocolo de QA/QC (5h) Descrever o processo de recolha, identificação, transporte e registo das amostras, com os pontos de controlo de cada etapa; definir o protocolo de QA/QC, calcular o número de amostras de controlo da campanha e interpretar uma carta de controlo com dados fornecidos pelo professor.
Fase 3 · Plano de calibração (3h) Listar os equipamentos de medição da campanha e propor um plano de calibração com periodicidade justificada, verificações de rotina, critério de aceitação e registo.
Fase 4 · Instrumentos de gestão da qualidade (4h) Aplicar um diagrama de Ishikawa e um diagrama de Pareto a um problema de qualidade hipotético; propor uma ação corretiva segundo o ciclo PDCA.
Fase 5 · Custos da qualidade (2h) Levantar e classificar pelo menos 6 custos previstos da campanha nas quatro categorias da qualidade.
Fase 6 · Partes interessadas e satisfação do cliente (4h) Identificar as partes interessadas da área; propor a forma de envolvimento; desenhar o inquérito de satisfação do cliente.
Fase 7 · Apresentação (3h) Apresentar o dossiê de qualidade à turma, justificando as decisões tomadas em cada fase.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Diagnóstico e enquadramento normativo | 10% |
| Plano de amostragem, cadeia de custódia e protocolo de QA/QC | 25% |
| Plano de calibração | 10% |
| Instrumentos de gestão da qualidade (Ishikawa, Pareto, PDCA) | 15% |
| Custos da qualidade | 10% |
| Partes interessadas e satisfação do cliente | 15% |
| Dossiê e apresentação | 15% |
Erros comuns
- Citar normas ou números sem confirmar que existem e se aplicam ao caso (nunca inventar referências).
- Propor um protocolo de QA/QC sem materiais de referência certificados, confiando só nos controlos internos do laboratório.
- Confundir certificação ISO 9001 com acreditação ISO/IEC 17025 ao escolher o laboratório.
- Confundir o plano de amostragem com o plano de calibração, tratando-os como a mesma coisa.
- Aplicar o diagrama de Ishikawa sem depois priorizar as causas com um Pareto, perdendo o objetivo de decidir o que corrigir primeiro.
- Esquecer as falhas externas na análise de custos, focando só nos custos internos e mais visíveis.
- Tratar o envolvimento das partes interessadas como uma reunião única, sem canal de comunicação contínuo.
- Desenhar um inquérito de satisfação demasiado longo ou técnico para o cliente responder com facilidade.
Bónus (opcional)
- Propor um indicador (KPI) simples para acompanhar a taxa de não conformidades por campanha.
- Simular uma auditoria interna a uma das fases do plano, com uma lista de verificação.
- Comparar o plano de qualidade proposto com o de um sistema de gestão integrado (juntando também ambiente e segurança).
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que investir em prevenção e avaliação tende a reduzir os custos de falhas da tua campanha em valor superior ao investido, e que dados precisarias de recolher para o demonstrar? E que duas decisões do teu plano dependem diretamente de manter as normas e a legislação atualizadas?