Mini-Projeto · Base de dados e SIG de um projeto de prospeção
Contexto
A empresa "GeoRocha, Lda." está a fazer a prospeção de uma área com indícios de mineralização de cobre. Foste contratado/a como técnico/a de gabinete para organizar toda a informação de campo já recolhida: pontos de amostragem geoquímica, um pequeno conjunto de furos de sondagem e um levantamento geológico de superfície.
Trabalhas individualmente ou em grupo, num software de base de dados à tua escolha e num Sistema de Informação Geográfica (real ou simulado em papel/folha de cálculo georreferenciada), e entregas uma base de dados organizada, um mapa com o cruzamento das fontes de dados e uma recomendação fundamentada de alvo de sondagem.
Requisitos
Funcionais
- Modelo de base de dados com, no mínimo, três tabelas relacionadas: Furo, Amostra e Ensaio (um resultado por amostra e elemento), com chaves primárias e estrangeiras e pelo menos uma lista fechada (tabela de códigos de litologia ou de tipo de amostra), acompanhado de um dicionário de dados.
- Cada registo com os metadados obrigatórios: identificador único, coordenadas no sistema PT-TM06/ETRS89 (EPSG:3763), método de posicionamento, data, operador; e, nos ensaios, unidade, laboratório e certificado.
- Pelo menos 15 amostras geoquímicas (podem ser fictícias, geradas para o exercício) com teor de um elemento à escolha, incluindo pelo menos um resultado abaixo do limite de deteção, registado como "<LD" com convenção documentada para cálculo.
- Camadas SIG (ou equivalente): amostras, geologia de superfície e, se disponível, geofísica.
- Um mapa com a sobreposição das camadas, classes de teor por percentis explicadas na legenda, e a identificação de pelo menos uma zona anómala.
- Um relatório curto com a recomendação de alvo de sondagem, justificada pelo cruzamento de fontes.
Não-funcionais
- Convenção de nomes consistente para identificadores de amostras e furos.
- Controlo de qualidade aplicado: pelo menos uma amostra duplicada e uma amostra branco simuladas no conjunto de dados.
- Cópias de segurança segundo a regra 3-2-1 (três cópias, dois suportes, uma fora do local), com um teste de restauro documentado.
- Registo de alterações de pelo menos uma correção feita aos dados durante o projeto.
Fases
Fase 1 · Planeamento e modelo de dados (3h) Desenhar o modelo entidade-relação (tabelas, campos, relações) antes de introduzir qualquer dado.
Fase 2 · Construir o conjunto de dados de campo (4h) Criar ou receber os dados de amostras, furos e análises; preencher todos os metadados obrigatórios.
Fase 3 · Base de dados (4h) Implementar as tabelas relacionadas, com chaves primárias e relações corretas; introduzir os dados.
Fase 4 · SIG e camadas (4h) Georreferenciar os pontos, criar as camadas (amostras, geologia, geofísica se existir) e produzir o mapa de sobreposição.
Fase 5 · Análise e cruzamento (3h) Aplicar estatística descritiva aos teores (média, mediana, histograma, percentis, tendo em conta a distribuição lognormal); cruzar as fontes de dados e identificar a zona anómala.
Fase 6 · Qualidade, segurança e relatório (2h) Rever o controlo de qualidade, fazer a cópia de segurança e escrever o relatório com a recomendação de alvo.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Modelo de base de dados e relações | 20% |
| Qualidade e completude dos metadados | 15% |
| SIG, camadas e mapa de cruzamento | 25% |
| Análise, estatística e interpretação | 15% |
| Controlo de qualidade, segurança e rastreabilidade | 15% |
| Relatório e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Começar a introduzir dados sem desenhar primeiro o modelo de tabelas.
- Amostras sem coordenadas completas ou sem o sistema de coordenadas identificado (PT-TM06/ETRS89).
- Modelar "uma amostra, uma análise" (1:1) ou obrigar amostras de solo a pertencer a um furo.
- Registar resultados abaixo do limite de deteção como zero.
- Sobrepor todas as camadas do SIG ao mesmo tempo, tornando o mapa ilegível.
- Tratar um valor de teor muito alto como erro e removê-lo sem investigar.
- Recomendar um alvo de sondagem baseado numa única fonte de dados.
- Esquecer a cópia de segurança ou não testar o restauro.
- Corrigir dados sem deixar qualquer registo da alteração.
Bónus (opcional)
- Aplicar interpolação aos teores e gerar um mapa de anomalia contínuo.
- Simular uma segunda campanha de amostragem para confirmar a anomalia identificada.
- Construir um pequeno dicionário de dados documentando cada campo do modelo.
- Comparar os resultados com um relatório histórico fictício da mesma área.
Reflexão
No relatório final, responde: porque é que a decisão de propor um alvo de sondagem nunca deve assentar numa única fonte de dados? E que duas medidas de controlo de qualidade e segurança aplicaste para garantir que a tua base de dados é defensável perante uma auditoria?