Mini-Projecto · Planear e interpretar uma campanha de prospeção elétrica e eletromagnética
Contexto
A empresa "Minerpor, Lda." suspeita da existência de um corpo de sulfuretos disseminados numa área de 200 por 150 metros, junto a uma zona de falha já conhecida pelo mapeamento geológico regional. Antes de investir numa campanha de sondagem mecânica, cara e demorada, a empresa contratou a tua equipa para planear e conduzir uma campanha de prospeção elétrica e eletromagnética, e para entregar um relatório com os alvos priorizados para sondagem.
Trabalhas em equipa, simulando o trabalho de campo com dados fornecidos pelo professor (ou gerados em simulador), e entregas um plano de campanha, os mapas ou secções interpretadas e um relatório final de priorização de alvos, com o respetivo dossiê de calibração e segurança.
Requisitos
Funcionais
- Plano de campanha que justifique os métodos escolhidos (elétricos, eletromagnéticos, radiométricos) face ao contexto e à finalidade do trabalho.
- Pelo menos um levantamento em perfis e um levantamento em malha, com a disposição de elétrodos ou o procedimento de campo indicados.
- Registo de calibração do equipamento antes do início dos trabalhos (checklist preenchida).
- Interpretação de pelo menos dois métodos diferentes sobre o mesmo alvo (por exemplo, resistividade e IP, ou resistividade e VLF), cruzando os resultados.
- Mapeamento que sobreponha as anomalias geofísicas ao contexto geológico de superfície fornecido.
- Relatório final com a lista de alvos, por ordem de prioridade, e a justificação de cada um.
Não-funcionais
- Todas as leituras e mapas identificados com coordenadas ou posição no perfil/malha.
- Linguagem técnica rigorosa e consistente com o referencial da UC.
- Registo de segurança: EPI usado e normas de segurança e saúde no trabalho seguidas durante a campanha simulada.
- Trabalho organizado, com versões e datas identificadas em cada documento entregue.
Fases
Fase 1 · Planeamento da campanha (4h) Analisar o contexto geológico fornecido, decidir os métodos a usar e se o levantamento será em perfis, em malha, ou ambos. Justificar as escolhas face à finalidade do trabalho.
Fase 2 · Calibração do equipamento (2h) Confirmar a validade dos certificados de calibração e preencher a checklist de verificação de campo para cada instrumento a usar (resistivímetro/IP, recetor VLF, espectrómetro, conforme aplicável): teste com resistência de referência, resistência de contacto dos elétrodos, continuidade e isolamento dos cabos, escolha e intensidade da estação VLF, estabilização do espetro e ponto de controlo radiométrico. Preparar o plano de segurança da injeção de corrente (protocolo de rádio, sinalização dos elétrodos).
Fase 3 · Levantamento em perfis (5h) Conduzir (com os dados fornecidos ou o simulador) um levantamento 2D ao longo de um perfil sobre a zona de falha suspeita, registando estações, coordenadas e leituras.
Fase 4 · Levantamento em malha (5h) Conduzir um levantamento sobre uma malha que cubra a área de 200 por 150 metros, com pelo menos dois métodos diferentes (por exemplo, resistividade e IP, ou VLF e radiometria). Calcular antes o número de linhas e de estações (contando nós, não intervalos) e o tempo de campo necessário.
Fase 5 · Interpretação e mapeamento (5h) Processar os dados em secções ou mapas, identificar anomalias, e sobrepor os resultados ao mapeamento geológico de superfície fornecido.
Fase 6 · Priorização de alvos e relatório (3h) Comparar as anomalias com estudos de caso de depósitos conhecidos, priorizar os alvos mais promissores e redigir o relatório final.
Fase 7 · Apresentação (1h) Apresentar à turma o plano de campanha, os resultados e a lista de alvos priorizados, justificando as decisões tomadas.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Plano de campanha e adequação dos métodos à finalidade | 15% |
| Calibração do equipamento documentada e correta | 15% |
| Execução dos levantamentos em perfis e em malha | 20% |
| Interpretação cruzada de pelo menos dois métodos | 20% |
| Mapeamento e coerência com o contexto geológico | 15% |
| Relatório de priorização, segurança e apresentação | 15% |
Erros comuns
- Escolher malha para toda a área sem primeiro fazer uma triagem rápida (VLF ou SP), gastando tempo e recursos desnecessários.
- Avançar para o levantamento sem checklist de calibração preenchida ou sem a verificar antes do primeiro perfil.
- Interpretar um único método isoladamente, sem cruzar com pelo menos um segundo método ou com o mapeamento geológico.
- Classificar como alvo prioritário qualquer anomalia, sem comparar com estudos de caso conhecidos nem com o ruído de fundo da região.
- Esquecer o registo de coordenadas em cada estação, tornando impossível reconstruir o mapa mais tarde.
- Ignorar as normas de segurança e o uso de EPI durante o trabalho de campo simulado.
Bónus (opcional)
- Acrescentar um levantamento radiométrico sobre a mesma malha e discutir se a assinatura de K, U e Th reforça ou não a hipótese de alteração hidrotermal.
- Testar um levantamento GPR num setor raso da malha (só se o terreno for resistivo; em argila a penetração é mínima) e comparar a resolução obtida com a da resistividade.
- Propor uma segunda campanha de sondagem mecânica apenas nos alvos prioritários, com justificação de custo-benefício.
Reflexão
No relatório final, responde: porque é que cruzar pelo menos dois métodos diferentes reduz o risco de recomendar sondagem num alvo falso? E: que duas decisões de calibração ou de segurança tomaste que, se ignoradas, teriam comprometido a fiabilidade dos resultados?