Mini-Projeto · Campanha de prospeção magnetométrica
Contexto
A empresa "Minérios do Alandroal" (fictícia) contratou a tua equipa para prospetar, numa área com direitos de prospeção e pesquisa atribuídos pela DGEG, uma zona com indícios de ferro magnetítico junto a uma intrusão básica com afloramentos de magnetite conhecidos. O campo magnético de referência (IGRF) no local é da ordem de 44 100 nT, com inclinação de cerca de 53°. A tarefa é planear e executar uma campanha de prospeção magnetométrica, primeiro com perfis de reconhecimento e depois com uma malha de detalhe sobre a zona anómala encontrada, entregando um relatório com a interpretação dos dados e as medidas de segurança aplicadas.
Trabalhas individualmente ou em equipa, simulando dados de campo coerentes com a teoria estudada, e entregas um dossiê técnico completo (análise prévia, calibração, dados, interpretação e segurança).
Requisitos
Funcionais
- Análise do potencial mineral da área, com pelo menos duas fontes de informação distintas (por exemplo, carta geológica e estudo de caso semelhante).
- Suscetibilidade magnética das rochas aflorantes (valores simulados ou medidos com suscetibilímetro), com média por tipo de rocha e contraste esperado.
- Procedimento de calibração do equipamento documentado passo a passo, incluindo sincronização de relógios e teste de erro de orientação.
- Levantamento em perfil: pelo menos 3 linhas de reconhecimento, com espaçamento e orientação justificados.
- Levantamento em malha: sobre a zona anómala identificada no perfil, com espaçamento mais apertado e contagem explícita de linhas e estações (nós).
- Correção da variação diurna, com registo da estação base e cálculo explícito, e remoção do IGRF para obter a anomalia.
- Interpretação dos resultados: posição provável do corpo tendo em conta a forma dipolar da anomalia em Portugal, geometria provável, estimativa de profundidade, tipo de topo rochoso e espessura do capeamento de solo, falhas ou descontinuidades identificadas.
- Identificação do EPI (compatível com o sensor, sem metal ferroso) e da avaliação de riscos da campanha simulada, com referência às normas de segurança e saúde no trabalho aplicáveis.
Não-funcionais
- Registo rigoroso e organizado de todas as leituras (posição, hora, valor).
- Dossiê claro, com justificação de cada decisão de planeamento.
- Cumprimento das normas de segurança e saúde no trabalho ao longo de todo o relatório.
Fases
Fase 1 · Planeamento (1h) Definir a área de estudo, os objetivos da campanha e o cronograma das fases seguintes.
Fase 2 · Análise do potencial mineral (1,5h) Reunir e cruzar pelo menos duas fontes de informação sobre a área; justificar a escolha da zona a prospetar.
Fase 3 · Calibração e verificação do equipamento (1,5h) Documentar o procedimento de calibração passo a passo, incluindo o teste de erro de orientação.
Fase 4 · Levantamento em perfil (3h) Definir linhas, espaçamento e orientação; simular ou recolher leituras; identificar a zona anómala.
Fase 5 · Levantamento em malha (3h) Desenhar a malha de detalhe sobre a zona anómala; simular ou recolher leituras com espaçamento mais apertado.
Fase 6 · Processamento, interpretação e segurança (1,5h) Corrigir a variação diurna, interpretar a geometria provável do corpo, e documentar EPI e riscos de segurança.
Fase 7 · Apresentação (0,5h) Apresentar o dossiê à turma, justificando as decisões tomadas em cada fase.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Análise do potencial mineral | 10% |
| Calibração do equipamento | 15% |
| Levantamento em perfil | 15% |
| Levantamento em malha | 20% |
| Processamento e interpretação dos dados | 20% |
| EPI e segurança no trabalho | 10% |
| Dossiê e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Ir direto ao levantamento sem documentar a análise do potencial mineral.
- Orientar as linhas de perfil paralelas à direção geológica esperada.
- Não repetir a calibração ao longo do dia de trabalho.
- Esquecer a correção da variação diurna nos dados processados.
- Desenhar a malha sobre toda a área do perfil, em vez de a concentrar na zona anómala.
- Apresentar dados sem registo de posição, hora ou identificação da estação.
- Tratar o EPI e a segurança como um anexo, em vez de os justificar face aos riscos concretos da área.
- Usar valores de campo que não são de Portugal (o fundo anda pelos 44 000 nT, não pelos 50 000 nT).
- Marcar a sondagem no máximo da anomalia sem ter em conta a forma dipolar.
- Contar células em vez de nós ao dimensionar a malha.
- Levar botas com biqueira de aço no operador do sensor, ou pior, dispensar o calçado de segurança.
Bónus (opcional)
- Simular um segundo método geofísico (por exemplo, elétrico) como complemento à magnetometria.
- Construir um mapa de contornos simples da malha, mesmo que feito à mão ou em folha de cálculo.
- Comparar os resultados obtidos com um estudo de caso real de uma campanha semelhante.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a correção da variação diurna é indispensável antes de interpretar qualquer anomalia? E que três medidas de segurança tomaste, ou tomarias, para reduzir o risco desta campanha de campo?