Mini-Projecto · Campanha de amostragem numa área de prospeção
Contexto
A empresa "Serra Alta Minerais" contratou a tua turma, como equipa técnica júnior, para planear e executar uma campanha de amostragem de reconhecimento numa área de 2 km² com indícios de mineralização (afloramentos com filões de quartzo, uma linha de água principal e dois afluentes). A empresa pede um plano completo, a execução simulada no terreno da escola ou de uma área próxima autorizada, e um relatório final com todos os registos.
Trabalham em equipas de três a quatro elementos, cobrindo os quatro tipos de amostra tratados na UC: rocha, solo, sedimento de corrente e concentrado de bateia, com o rigor de segurança, registo e QA/QC exigido a uma equipa profissional.
Requisitos
Funcionais
- Plano de amostragem escrito, com mapa da área, pontos ou malha previstos e tipos de amostra por local.
- Pelo menos 1 amostra de rocha (amostra de mão ou canal simulado), com ficha de campo preenchida.
- Uma malha de solos com, no mínimo, 6 pontos, com cálculo do número de amostras justificado.
- Pelo menos 2 pontos de sedimento de corrente, um deles num afluente, pouco a montante da sua confluência com a linha de água principal.
- Pelo menos 1 amostra de concentrado de bateia (real, se houver acesso a um curso de água, ou simulada com descrição detalhada do procedimento).
- QA/QC: inserir pelo menos um duplicado e um branco no plano, com justificação.
- Codificação de todas as amostras, com sistema de códigos coerente e documentado.
Não-funcionais
- Ficha de campo completa e legível para cada ponto, incluindo os não amostrados.
- Fotografias com escala de, pelo menos, três dos pontos amostrados.
- Cumprimento das regras de segurança e uso de EPI adequado em todas as fases.
- Registo de cadeia de custódia desde a recolha até à entrega simulada ao "laboratório" (a equipa docente).
Fases
Fase 1 · Preparação (3h) Consulta de carta da área, definição de alvos, desenho do plano de amostragem e da malha de solos, lista de material, verificação de segurança e autorizações.
Fase 2 · Amostragem de rocha (2h) Identificação de afloramentos, escolha do tipo de amostragem (mão, lascas ou canal), recolha, registo e fotografia com escala.
Fase 3 · Amostragem de solos (4h) Execução da malha regular, abertura de covas até ao horizonte B, recolha, peneiração se aplicável, registo de cada ponto.
Fase 4 · Amostragem de sedimentos de corrente (3h) Escolha de pontos (afluentes pouco a montante das confluências, longe de estradas e pontes), recolha e peneiração da fração fina, registo e justificação dos locais escolhidos.
Fase 5 · Concentrado de bateia (3h) Escolha do local de recolha (armadilhas naturais do leito), volume de sedimento fixo e registado, lavagem em bateia (real ou simulada), secagem, observação à lupa e, se possível, exposição a luz ultravioleta de onda curta, sempre com óculos de proteção UV.
Fase 6 · QA/QC, codificação e cadeia de custódia (3h) Inserção de duplicados e brancos no lote, atribuição de códigos, preenchimento final das fichas, lista de acompanhamento e registo de cadeia de custódia.
Fase 7 · Relatório e apresentação (2h) Compilação do relatório final e apresentação à turma, incluindo as decisões tomadas e as dificuldades encontradas.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Plano de amostragem e preparação | 15% |
| Amostragem de rocha, solo e sedimento (procedimento e registo) | 25% |
| Amostragem de concentrado de bateia | 15% |
| QA/QC, codificação e cadeia de custódia | 20% |
| Segurança e EPI | 10% |
| Relatório e apresentação | 15% |
Erros comuns
- Definir a malha de solos sem calcular antecipadamente quantas amostras (e quanto material) vai exigir.
- Amostrar sedimento junto a uma estrada ou caminho, sem perceber o risco de contaminação.
- Esquecer de registar os pontos não amostrados e a razão da decisão.
- Não inserir QA/QC, ou inseri-lo de forma identificável (não cega).
- Reutilizar códigos de amostra entre tipos diferentes, sem sistema coerente.
- Trabalhar sem EPI adequado, sobretudo ao partir rocha com martelo.
Bónus (opcional)
- Medir o pH de um ponto de água próximo e discutir se há indícios de drenagem ácida.
- Fazer a separação magnética simples do concentrado de bateia com um íman.
- Construir um mapa de anomalia simples, marcando os pontos da malha de solos por cor conforme um "resultado" fictício fornecido pela equipa docente.
- Propor, com justificação, uma segunda campanha mais apertada (prospeção tática) sobre a zona de maior interesse encontrada.
Reflexão
No relatório final, responde: porque é que uma amostra de sedimento de corrente pode representar uma área muito maior do que o ponto onde foi fisicamente colhida? E indica duas decisões concretas que a tua equipa tomou para evitar contaminação das amostras ao longo da campanha.