Mini-Projecto · Carta litológica de uma área de prospeção
Contexto
A empresa "Minérios do Vale" contratou a tua equipa para avaliar o potencial geológico de uma área de cerca de 2 km², onde há indícios antigos de uma zona de contacto entre um maciço granítico e uma formação sedimentar. A empresa quer uma carta litológica de detalhe da área, que fundamente a decisão de avançar (ou não) para uma fase de pesquisa mais aprofundada.
Trabalhas individualmente ou a pares, aplicando os métodos geológicos de cartografia litológica estudados na UC: planeamento, levantamento topográfico, itinerários e malha de afloramentos, caderno de campo, identificação de litologias, relações geométricas e, por fim, a passagem da carta de afloramentos à carta interpretativa, com um perfil litológico.
Se a saída de campo real não for possível, a área pode ser simulada a partir de uma carta topográfica, fotografias de afloramentos e um conjunto de dados de campo fornecidos pelo/a formador/a; o método e o raciocínio aplicam-se da mesma forma.
Requisitos
Funcionais
- Plano de campo escrito: objetivos, carta topográfica de base, itinerários previstos e material necessário.
- Levantamento topográfico: confirmação do datum e do sistema de coordenadas do GNSS igual ao da carta usada.
- Aplicação de, pelo menos, dois métodos de levantamento: itinerários, malha de afloramentos ou seguimento de contactos.
- Caderno de campo com, no mínimo, 10 pontos registados: número, coordenadas, data, litologia, estruturas e estado do afloramento.
- Identificação de, pelo menos, duas litologias distintas, com os critérios de campo (cor, textura, granularidade, minerais, dureza, efervescência ao ácido), e classificação do tipo de contacto entre elas (normal, discordante, intrusivo ou por falha), com os critérios que a justificam.
- Registo de, pelo menos, uma atitude (direção e inclinação, com sentido do pendor), numa notação única declarada no caderno e na legenda.
- Carta de afloramentos elaborada, com todos os pontos do caderno de campo localizados.
- Carta interpretativa elaborada a partir da carta de afloramentos, com legenda completa e grau de confiança assinalado nas linhas inferidas.
- Perfil litológico simples, construído a partir da atitude medida e das litologias identificadas.
Não-funcionais
- Distinção clara, em toda a documentação, entre o que foi observado e o que foi interpretado.
- Legenda completa e consistente em toda a carta.
- Uso correto de equipamento de proteção individual e cumprimento das normas de segurança de campo.
- Dossiê organizado, com fotografias (com escala) e croquis referenciados aos pontos do caderno de campo.
Fases
Fase 1 · Planeamento (2h) Reunir a carta topográfica de base, definir objetivos, esboçar itinerários previstos e preparar o material de campo (incluindo o EPI).
Fase 2 · Levantamento topográfico e preparação do GNSS (2h) Confirmar o datum e o sistema de coordenadas do recetor GNSS, identificar implantações geodésicas próximas e rever a leitura de curvas de nível, cotas e linhas de água da área.
Fase 3 · Trabalho de campo: itinerários e malha de afloramentos (6h) Percorrer os itinerários planeados, ajustando-os ao que se encontra; aplicar uma malha de afloramentos ou o seguimento de um contacto identificado; registar tudo no momento.
Fase 4 · Caderno de campo e identificação de litologias (3h) Completar o caderno de campo com, no mínimo, 10 pontos; identificar as litologias presentes pelos critérios de campo; medir e registar, pelo menos, uma atitude.
Fase 5 · Carta de afloramentos (3h) Transferir todos os pontos do caderno de campo para a carta, com legenda completa e distinção clara entre litologias, contactos e outras estruturas observadas.
Fase 6 · Carta interpretativa e perfil litológico (3h) A partir da carta de afloramentos, construir a carta interpretativa (com grau de confiança assinalado) e um perfil litológico simples ao longo de uma linha de corte escolhida.
Fase 7 · Apresentação e dossiê final (1h) Apresentar a carta de afloramentos, a carta interpretativa e o perfil litológico à turma, explicando as decisões tomadas e os métodos aplicados.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Planeamento e preparação de campo | 10% |
| Aplicação dos métodos de levantamento (itinerários, malha, seguimento de contactos) | 20% |
| Caderno de campo (rigor e completude) | 15% |
| Identificação de litologias e processos geológicos | 15% |
| Carta de afloramentos, carta interpretativa e perfil litológico | 25% |
| Segurança de campo e uso do EPI | 5% |
| Dossiê e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Ir a campo sem confirmar o datum do GNSS contra o da carta.
- Traçar um contacto a partir de blocos deslocados, sem confirmar afloramentos in situ.
- Registar uma atitude sem o sentido do pendor.
- Misturar, na carta final, o que foi observado com o que foi interpretado, sem qualquer distinção.
- Deixar a legenda incompleta, com símbolos usados na carta que não constam dela.
- Sair para o terreno sem plano de campo comunicado a alguém.
Bónus (opcional)
- Usar fotografia aérea ou imagens de satélite da área, antes do campo, para orientar as primeiras hipóteses de itinerário.
- Construir um segundo perfil litológico, ao longo de outra linha de corte, e comparar os dois.
- Discutir se algum dos contactos observados poderá corresponder a uma discordância, com a evidência de campo que sustenta essa hipótese.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a carta de afloramentos e a carta interpretativa têm de se manter sempre distinguíveis? E que duas decisões tomadas durante o trabalho de campo tiveram mais impacto na qualidade da carta final?