Mini-Projecto · Orçamento de uma pequena empreitada
Contexto
A empresa "Cal & Prumo, Lda" foi contratada para uma pequena empreitada de construção de um muro de vedação, uma sapata de fundação contínua para o muro e a pintura interior de um anexo. Foste destacado/a como técnico/a de obra para elaborar o orçamento a apresentar ao cliente, antes de a obra arrancar.
Trabalhas individualmente ou a pares, primeiro numa folha de cálculo, e no final confirmas o mesmo resultado, ou parte dele, num programa específico de medição e orçamentação (o que a escola tiver disponível, ou uma simulação documentada do fluxo de trabalho, se não houver acesso ao software).
Dados do "projeto" a medir e orçamentar (mede primeiro, orçamenta depois):
- Muro de vedação: 25 m de comprimento, 1,80 m de altura, sem vãos.
- Sapata contínua de fundação do muro: 25 m de comprimento, 0,40 m de largura, 0,50 m de altura.
- Pintura interior do anexo: 38 m² de área líquida de parede (já descontados os vãos).
Requisitos
Funcionais
- Criar uma folha de medição, com as colunas N.º, Designação, Unidade, Quantidade, Preço unitário e Total, organizada em capítulos.
- Criar uma base de recursos simples, com os preços unitários fornecidos (ver Solução de referência) ou justificados por outra fonte.
- Criar os recursos compostos (artigos) necessários: alvenaria de tijolo furado, betão em sapatas e pintura de paredes interiores, com rendimentos e cálculo do preço de cada um.
- Medir os três elementos do contexto e calcular a quantidade de cada artigo.
- Calcular o custo direto, aplicar uma percentagem de custos indiretos, definir e aplicar markup ou margem (à escolha, mas identificando qual dos dois se usou) e aplicar o IVA correto ao caso (cliente particular ou empresa, ver Reflexão).
- Confirmar a medição ou o cálculo de pelo menos um artigo num programa específico de orçamentação, comparando o resultado com o obtido na folha de cálculo.
Não-funcionais
- Todos os valores calculáveis resultam de fórmulas, nunca de números escritos à mão.
- Cada preço unitário tem origem declarada (fornecido no enunciado ou "valor ilustrativo", justificado).
- Arredondamento a duas casas decimais em todos os valores monetários finais.
- Orçamento apresentado com capítulos, subtotais, cabeçalho (obra, cliente, data, versão) e leitura clara para quem não fez os cálculos.
Fases
Fase 1 · Analisar o "projeto" e planear a medição (2h) Ler os dados do contexto, decidir os capítulos do orçamento e a unidade de medida de cada elemento (muro em m², sapata em m³, pintura em m²).
Fase 2 · Criar a base de recursos simples e compostos (3h) Construir a folha ou o separador de recursos: preços unitários de mão de obra, materiais e equipamento; rendimentos e preço calculado dos três artigos compostos.
Fase 3 · Medir os artigos e preencher a folha de medição (3h) Calcular as quantidades do muro, da sapata e da pintura, e preencher a folha de medição com fórmulas ligadas à base de recursos.
Fase 4 · Calcular custos diretos e indiretos (2h) Somar o custo direto por capítulo e total; definir e aplicar a percentagem de custos indiretos; calcular o custo total.
Fase 5 · Definir margem ou markup e aplicar IVA (2h) Escolher markup ou margem, calcular o preço de venda; identificar se o cliente é particular ou empresa e aplicar o IVA correspondente.
Fase 6 · Estruturar e apresentar o orçamento final (2h) Organizar a apresentação: capítulos, subtotais, cabeçalho, formatação de células de entrada vs. calculadas.
Fase 7 · Simular no programa específico e comparar outputs (2h) Recriar pelo menos um artigo e a respetiva medição no programa específico disponível; comparar o preço calculado com o da folha de cálculo e emitir um output (mapa de quantidades ou resumo por capítulos).
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Base de recursos simples e compostos correta | 20% |
| Medição correta dos três elementos | 20% |
| Custo direto, indiretos e custo total corretos | 20% |
| Margem/markup e IVA aplicados corretamente | 20% |
| Confirmação no programa específico | 10% |
| Apresentação do orçamento e dossiê | 10% |
Erros comuns
- Medir o muro em metros lineares em vez de m², invertendo a lógica do preço unitário do artigo.
- Esquecer de incluir o coeficiente de perdas (1,05) no betão, subavaliando a quantidade real necessária.
- Aplicar os custos indiretos artigo a artigo em vez de sobre o custo direto total.
- Misturar margem e markup na mesma percentagem sem perceber que dão preços de venda diferentes.
- Aplicar o IVA antes do markup/margem, ou dentro da base do seu cálculo.
- Faturar IVA normal a uma empresa cliente quando o caso pedia autoliquidação, ou o inverso.
- Entregar a folha com valores escritos à mão em vez de fórmulas, impossibilitando a verificação.
Bónus (opcional)
- Acrescentar um quarto artigo (por exemplo, um portão metálico, "vg" ou verba) e recalcular o orçamento completo.
- Construir um resumo por capítulos com o peso percentual de cada um sobre o custo direto total.
- Simular uma subida de 10% no preço do tijolo e verificar o impacto no preço final ao cliente.
- Gerar, no programa específico, um mapa de trabalhos e quantidades (MTQ) pronto a enviar a um subempreiteiro.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que o IVA se aplica sempre por cima do preço de venda já com lucro, e nunca dentro da base de cálculo da margem ou do markup? E explica, com as tuas palavras, em que situação concreta desta empreitada se aplicaria a autoliquidação de IVA, se o cliente fosse uma empresa em vez de um particular.