Mini-Projecto · Plano de proteção fitossanitária de um pomar
Contexto
A Quinta do Vale Verde, um pequeno pomar de maçã com 2 hectares, seguido em Modo de Produção Integrado, precisa de um plano de proteção fitossanitária para a próxima campanha. Foste contratado/a, individualmente ou a pares, para diagnosticar os problemas fitossanitários mais prováveis, propor os meios de proteção adequados, planear a aplicação com o equipamento certo e organizar o armazenamento e o transporte dos produtos em segurança.
O trabalho entrega-se como um dossiê técnico: diagnóstico, plano de intervenção, cálculo da calda, ficha de EPI e emergência, e caderno de campo simulado de, pelo menos, três intervenções.
Variante B · jardim municipal
Em alternativa, o/a professor/a pode atribuir o mesmo trabalho sobre o Jardim Municipal da Várzea: 1,5 ha com relvado, sebes de buxo e alinhamentos de árvores, usado diariamente por famílias e com um parque infantil. As fases e os critérios são os mesmos, com três diferenças: os problemas a diagnosticar são típicos do jardim (por exemplo, infestantes nos caminhos e uma praga ou doença das sebes); o plano começa obrigatoriamente pelos meios não químicos; e, se houver tratamento químico, o dossiê inclui o aviso prévio ao público, a sinalização da zona tratada e o condicionamento do acesso até terminar o intervalo de reentrada, cumprindo as regras da Lei n.º 26/2013 para zonas urbanas e de lazer.
Requisitos
Funcionais
- Diagnóstico de pelo menos dois problemas fitossanitários prováveis num pomar de maçã (uma praga e uma doença), com meios de proteção propostos por ordem de prioridade (cultural, biológico, biotécnico, químico).
- Plano de intervenção em lógica de MPI: nível económico de ataque hipotético, decisão de tratar ou não, e justificação.
- Escolha da máquina de aplicação (pulverizador de jato projetado, turbopulverizador ou atomizador) e cálculo da dose, volume de calda e concentração para as 2 ha, para pelo menos um produto.
- Ficha de EPI por operação (preparação e aplicação), com base no conjunto de referência desta UC.
- Plano de armazenamento e transporte dos produtos usados no plano.
- Caderno de campo simulado, com pelo menos três registos de intervenção (data, produto, dose, condições, intervalo de segurança).
Não-funcionais
- Todas as decisões justificadas com base na matéria da UC, no rótulo dos produtos e na legislação em vigor, nunca inventadas.
- Cálculos apresentados passo a passo, com unidades corretas.
- Linguagem técnica e rigorosa, própria de um dossiê profissional.
- Plano de emergência claro, com contactos e procedimentos.
Fases
Fase 1 · Diagnóstico (2h) Identificar dois problemas fitossanitários prováveis no pomar (uma praga, uma doença) e os meios de proteção disponíveis para cada um.
Fase 2 · Plano de intervenção em MPI (3h) Definir um nível económico de ataque hipotético para cada problema, decidir se e quando tratar, e justificar a escolha dos meios, por ordem de prioridade.
Fase 3 · Máquina e cálculo da calda (4h) Escolher a máquina de aplicação, calcular a dose, o volume de calda e a concentração no depósito para as 2 ha, para pelo menos um produto do plano.
Fase 4 · EPI e segurança da aplicação (2h) Construir a ficha de EPI por operação (preparação e aplicação) e descrever os procedimentos de regulação e calibração da máquina antes de tratar.
Fase 5 · Armazenamento e transporte (2h) Descrever as condições do armazém e as regras de transporte dos produtos do plano até ao pomar.
Fase 6 · Caderno de campo e emergência (3h) Preencher o caderno de campo com três registos simulados e elaborar o plano de resposta a emergências (derrame, contacto acidental).
Fase 7 · Apresentação (2h) Apresentar o dossiê à turma, explicando as decisões tomadas em cada fase.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Diagnóstico e meios de proteção propostos | 15% |
| Plano de intervenção e lógica de MPI | 20% |
| Máquina, cálculo de dose e concentração | 20% |
| EPI e segurança da aplicação | 15% |
| Armazenamento e transporte | 10% |
| Caderno de campo, emergência e apresentação | 20% |
Erros comuns
- Propor logo a luta química, sem justificar porque os meios menos agressivos não bastam.
- Calcular a dose por hectare mas esquecer de a multiplicar pela área total do pomar.
- Escolher o EPI genérico, sem distinguir preparação (contacto direto com o concentrado) de aplicação (aerossol).
- Esquecer o intervalo de segurança ao planear a data da colheita.
- Dispensar a proteção respiratória na preparação da calda, quando é aí que se manuseia o produto concentrado.
- Na variante do jardim, planear o tratamento sem aviso ao público nem sinalização da zona tratada.
- Descrever o armazenamento sem falar de bacia de retenção nem de separação de alimentos.
- Caderno de campo incompleto, sem condições climáticas ou sem justificação da decisão de tratar.
Bónus (opcional)
- Comparar o plano em MPI com o que mudaria se o pomar seguisse Modo de Produção Biológico.
- Propor um modelo de previsão simples (ex.: relação entre chuva e risco de pedrado) para apoiar a decisão de tratar.
- Desenhar a rotulagem de emergência a afixar junto ao armazém, com contactos e procedimentos.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a decisão de tratar, em Modo de Produção Integrado, não pode depender só de "ver uma praga"? E, olhando para todo o plano, que três medidas concretas mais reduzem o risco para quem aplica os produtos neste pomar?