Mini-Projecto · Receção e preparação de um lote de madeiras e derivados
Contexto
A marcenaria "Oficina do Vale" recebeu uma encomenda para fabricar cinco bancos de exterior e precisa que a matéria-prima seja recebida, classificada, medida e organizada antes de entrar em produção. Foste destacado/a para essa tarefa: receber o lote, verificar a sua conformidade, calcular as quantidades necessárias e preparar toda a documentação e as condições de segurança para a equipa de produção.
Trabalhas individualmente ou a pares, a partir de um lote fictício de madeira e derivados que tu próprio/a defines (com espécies, dimensões e quantidades plausíveis), e entregas um dossiê de preparação de matéria-prima completo.
O projeto serve os dois lados do trabalho: do lado do desenho de produto, partes das medidas do banco para a lista de corte (com o sentido do fio e as sobremedidas) e para a especificação dos materiais; do lado da produção, recebes e controlas o lote, calculas as quantidades e preparas o plano de corte que a seccionadora ou a CNC vão usar.
Requisitos
Funcionais
- Ficha de espécies: pelo menos duas espécies de madeira (uma resinosa, uma folhosa), com nome comum e nome científico, escolhidas e justificadas para os bancos.
- Lista de corte: peças do banco com medidas acabadas, sentido do fio e medidas em bruto calculadas com as sobremedidas da oficina.
- Controlo do teor de água: valores medidos (simulados) e pelo menos um cálculo pelo método da estufa, em base seca.
- Classificação de defeitos: inspeção simulada de pelo menos 6 peças, com registo de defeitos encontrados e decisão de aceitar/rejeitar cada uma.
- Cálculo de matéria-prima: volume e massa do lote principal, mais uma estimativa por amostragem para um segundo lote maior.
- Cálculo de rendimento e desperdício: para o plano de corte da madeira maciça e para o nesting do painel derivado.
- Ficha de produção preenchida, com material, quantidades, medidas, data e responsável.
- Lista de materiais complementares: derivado (com norma e tipo), ferragens, adesivo (com classe) e produto de acabamento, com justificação.
Não-funcionais
- Medidas e cálculos apresentados com unidades corretas em cada passo.
- Justificações de escolha (espécie, derivado, adesivo) ligadas à aplicação real (exterior, uso corrente).
- Plano de segurança claro e aplicável na prática.
- Documento organizado, com tabelas e linguagem técnica precisa.
Fases
Fase 1 · Definir o lote (1h) Escolher as espécies, derivados e dimensões das peças do lote fictício, com base nos bancos a produzir.
Fase 2 · Classificação e defeitos (2h) Simular a inspeção de 6 peças, atribuir defeitos plausíveis e decidir aceitar ou rejeitar cada uma, com justificação.
Fase 3 · Instrumentos e medições (2h) Definir que instrumentos usar para cada medição (balança, medidor de humidade, paquímetro, fita métrica, esquadro), registar os valores medidos e calcular o teor de água em base seca.
Fase 4 · Cálculo de matéria-prima (2h) Fazer a lista de corte com as medidas em bruto; calcular volume e massa do lote principal; estimar por amostragem a massa de um segundo lote maior.
Fase 5 · Rendimento e desperdício (2h) Definir o plano de corte das peças maciças e o nesting do painel derivado, e calcular o rendimento e o desperdício esperados.
Fase 6 · Documentação e segurança (2h) Preencher a ficha de produção, listar os materiais complementares e escrever o plano de segurança e EPI.
Fase 7 · Apresentação (1h) Apresentar o dossiê à turma, explicando as decisões tomadas em cada fase.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Escolha e justificação de espécies e derivados | 15% |
| Classificação de defeitos e decisão aceitar/rejeitar | 15% |
| Cálculo de matéria-prima (volume, massa, amostragem) | 25% |
| Cálculo de rendimento e desperdício | 15% |
| Ficha de produção e materiais complementares | 15% |
| Plano de segurança e apresentação | 15% |
Erros comuns
- Escolher a espécie só pela estética, sem confirmar se resiste ao uso exterior.
- Classificar defeitos sem justificar a decisão com a aplicação final da peça.
- Trocar unidades nos cálculos (milímetros por metros) sem converter.
- Calcular o teor de água dividindo pela massa húmida em vez da massa seca.
- Encomendar pela medida acabada, esquecendo as sobremedidas e o sentido do fio.
- Amostrar sempre as peças mais acessíveis, em vez de uma amostra representativa.
- Esquecer o plano de corte e assumir um rendimento sem o calcular.
- Entregar a ficha de produção incompleta, sem data ou responsável.
Bónus (opcional)
- Propor um segundo plano de corte alternativo e comparar o rendimento dos dois.
- Calcular o custo estimado do lote, cruzando massa/volume com um preço por kg ou m³ à tua escolha.
- Elaborar uma checklist de receção de matéria-prima reutilizável para futuros lotes.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a amostragem tem de ser representativa, e não apenas conveniente? E que três decisões tomadas neste projeto tiveram maior impacto na redução do desperdício?