Mini-Projecto · Simulação de cenário TCCC em exercício de combate
Contexto
O 1º Batalhão vai realizar um exercício de treino em campo, com recurso a manequins de treino (simuladores de trauma) e cenários de combate simulados. A tua secção foi destacada para montar e conduzir uma estação de socorrismo tático (TCCC), avaliada por um instrutor, num cenário com fogo simulado, múltiplas vítimas e evacuação por meios improvisados.
Trabalhas em equipa de 3 a 4 elementos, a rodar pelos papéis de socorrista, vítima simulada e observador, e apresentas no fim um dossiê de exercício: relatório da atuação, ficha de cada vítima tratada e reflexão sobre decisões tomadas sob pressão.
Requisitos
Funcionais
- Montar o cenário de combate simulado, com pelo menos duas vítimas com lesões diferentes (uma hemorragia de extremidade, uma lesão torácica ou de vias aéreas).
- Conduzir a sequência completa: CUF → TFC → TACEVAC, com o MARCH aplicado corretamente em cada vítima.
- Aplicar pelo menos um torniquete (CAT), um agente hemostático com compressão direta e um selo torácico ou cânula nasofaríngea, consoante as lesões definidas.
- Montar uma maca improvisada (tábuas de 15x40 ou 15x100 cm e cartão canelado) e transportar a vítima até ao ponto de evacuação.
- Fazer o relato de situação médica por rádio ou verbalmente, com a estrutura completa (identificação, mecanismo, tratamento com hora, estado atual, pedido de evacuação).
- Aplicar a triagem quando houver mais do que uma vítima em simultâneo.
Não-funcionais
- Uso correto do equipamento de proteção individual (EPI) durante todo o exercício.
- Registo escrito, com hora exata, de cada intervenção feita em cada vítima.
- Comunicação clara e calma entre os elementos da equipa, mesmo sob simulação de stress.
- Cumprimento das normas de segurança do exercício, definidas pelo instrutor.
Fases
Fase 1 · Planeamento do cenário (2h) Definir as lesões das vítimas simuladas, o equipamento necessário e a disposição do terreno de treino.
Fase 2 · Briefing e distribuição de papéis (1h) Atribuir os papéis de socorrista, vítima e observador; rever o MARCH e o equipamento disponível.
Fase 3 · Execução CUF (2h) Simular a abordagem sob fogo direto: avaliação da segurança, remoção rápida e controlo da hemorragia massiva imediata.
Fase 4 · Execução TFC (3h) Avaliação completa segundo o MARCH em cada vítima: hemorragia, vias aéreas, tórax, circulação.
Fase 5 · Transporte e TACEVAC (3h) Montar a maca improvisada, transportar a vítima e manter o tratamento durante a simulação de evacuação.
Fase 6 · Relato e triagem (2h) Comunicar a situação médica de cada vítima e, com múltiplas vítimas, aplicar a triagem para decidir a ordem de evacuação.
Fase 7 · Apresentação e reflexão (2h) Apresentar o dossiê de exercício ao instrutor: decisões tomadas, erros identificados e correções feitas em treino.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Avaliação da situação e segurança (CUF) | 20% |
| Controlo de hemorragias massivas (torniquete e hemostático) | 20% |
| Vias aéreas e tórax (MARCH completo) | 20% |
| Transporte, evacuação e triagem | 20% |
| Comunicação e relato da situação médica | 10% |
| Dossiê e reflexão final | 10% |
Erros comuns
- Iniciar a avaliação completa (TFC) ainda com fogo simulado ativo, sem esperar pela transição de fase.
- Aplicar o torniquete demasiado perto da ferida ou não apertar suficientemente a haste.
- Interromper a compressão direta antes dos três minutos para verificar se a hemorragia parou.
- Vedar a ferida torácica sem válvula, ou esquecer de reavaliar a respiração depois de aplicar o selo.
- Evacuar por ordem de chegada em vez de aplicar a triagem por gravidade.
- Omitir a hora do torniquete ou do selo torácico no relato de situação.
- Mover a vítima sem confirmar que o tratamento já feito (torniquete, selo) se mantém intacto durante o transporte.
Bónus (opcional)
- Simular uma terceira vítima com obstrução das vias aéreas, exigindo cânula nasofaríngea e posição lateral de segurança.
- Cronometrar o tempo entre a lesão simulada e o torniquete aplicado, e discutir como reduzi-lo.
- Simular uma falha de equipamento (torniquete que não estanca) e treinar a resposta com o segundo torniquete.
- Repetir o exercício de noite ou com visibilidade reduzida, avaliando o impacto na velocidade de atuação.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a ordem do MARCH não pode ser alterada, mesmo quando parece haver uma lesão mais visível ou impressionante do que a hemorragia? E que duas atitudes (do referencial desta UC) sentiste mais difíceis de manter durante a simulação, e porquê?