Mini-Projeto · Sistema tipográfico e composição de uma campanha de festival de leitura
Contexto
Uma associação cultural de bairro organiza o Festival de Leitura do Bairro, com quatro dias de sessões de leitura, oficinas para crianças e conversas com autores locais. Precisa de uma imagem tipográfica coerente e de duas peças prontas a produzir: um cartaz A3 para afixação em escolas, cafés e bibliotecas, e um programa A5 de 4 páginas (abertura, um dia do programa, informação prática e contracapa) com horários e descrições. A associação também quer uma versão digital do programa acessível para quem lê em ecrã.
O orçamento é limitado e a associação pede um trabalho com preocupações ambientais. Trabalhas individualmente ou a pares, como num pequeno gabinete de design de comunicação, com o briefing descrito neste enunciado, e entregas um dossiê com o sistema tipográfico, as peças, os ficheiros organizados e uma reflexão final. Os textos do programa (nomes das sessões, horários, descrições e informação prática, cerca de 400 palavras no total) são escritos ou escolhidos por ti, com a fonte indicada no dossiê, e servem de texto real em todos os testes.
Requisitos
Funcionais
- Pesquisar e documentar referências e tendências tipográficas num moodboard com, no mínimo, 12 exemplos (escolhidos de uma recolha em bruto de 20 a 30), indicando a fonte de cada um e três conclusões que orientam o projeto.
- Observar tipografia em peças reais: aplicar a três peças do quotidiano (cartaz, rótulo, sinalética) o registo de cinco campos da tarefa do capítulo 12 da sebenta e extrair dele uma conclusão que oriente o programa.
- Definir um sistema tipográfico com, no máximo, três famílias de fontes (duas costumam bastar), justificando a escolha por público, suporte, tom, quantidade de texto e caracteres do português.
- Construir uma hierarquia tipográfica com, no mínimo, cinco níveis (título, subtítulo, intertítulo, corpo, legenda ou nota), baseada numa escala modular com razão justificada.
- Estruturar o layout com grelha (colunas, margens, intercolúnio e grelha de linhas de base) para o programa A5, com cálculo dos valores.
- Compor o cartaz A3 e o programa A5 numa aplicação de edição eletrónica, com estilos de parágrafo e de caractere, páginas mestras e kerning revisto nos títulos.
- Garantir a legibilidade e a acessibilidade: comprimento de linha entre 45 e 75 caracteres no texto corrido, contraste medido e registado (mínimo 4,5:1 no texto normal) e informação que não dependa só da cor.
- Aplicar pelo menos cinco princípios do design inclusivo (por exemplo, linguagem simples, letra grande, formato alternativo, representatividade) e registar como foram aplicados.
- Preparar uma versão digital acessível do programa (PDF com texto real e estrutura de títulos).
- Elaborar um registo de licenças das fontes e imagens usadas, com a verificação do tipo de uso.
- Organizar os ficheiros em arquitetura de pastas com nomenclatura consistente, empacotar o projeto e preparar o PDF de entrega para a gráfica.
Não-funcionais
- Rigor tipográfico: sinais corretos (aspas «», meia-risca, reticências), sem espaços duplos, sem linhas vazias criadas com Enter, sem pseudo-estilos.
- Cumprimento das normas de segurança e saúde no trabalho no posto de trabalho e registo de pelo menos três medidas ergonómicas aplicadas.
- Decisões de proteção ambiental documentadas (formato, papel, tiragem, acabamentos).
- Respeito pelas regras de direitos de autor: nenhuma fonte ou imagem sem licença adequada ao uso.
- Sentido analítico e respeito pelas regras e normas definidas: decompor o problema tipográfico nas suas variáveis (público, suporte, texto, contraste) e cumprir as regras do briefing, do guia de estilo e da gráfica, registando como foram cumpridas.
- Reflexão final baseada em testes e dados registados, não em opiniões vagas.
Fases
Fase 1 · Briefing e pesquisa de referências (2h) Ler o briefing deste enunciado, identificar público, objetivo, suportes e restrições. Recolher e analisar as três peças reais. Reunir o moodboard com fontes registadas e escrever as três conclusões que orientam as decisões tipográficas.
Fase 2 · Sistema tipográfico e hierarquia (2h) Escolher e testar famílias com texto real do programa. Definir a escala modular, os cinco níveis hierárquicos e as regras de combinação. Verificar caracteres do português e licenças.
Fase 3 · Grelha e estilos (2h) Calcular a grelha do A5 (margens, colunas, intercolúnio, linhas de base). Criar na aplicação as páginas mestras e os estilos de parágrafo, de caractere e de objeto.
Fase 4 · Composição das peças (3h) Compor o cartaz A3 e o programa A5. Rever kerning dos títulos, alinhamento, hifenização, rios, viúvas e órfãs. Aplicar as funcionalidades OpenType adequadas (algarismos tabulares nos horários, ligaduras) e tratar o texto sobre imagem, se existir.
Fase 5 · Legibilidade, acessibilidade e inclusão (1h) Medir os contrastes, verificar comprimento de linha e corpo, rever o texto em linguagem simples e produzir a versão digital acessível. Registar os princípios de design inclusivo aplicados.
Fase 6 · Produção, licenças e arquivo (1h) Fazer o preflight, exportar o PDF/X para a gráfica com sangramento e fontes incorporadas, completar o registo de licenças, empacotar e arquivar o projeto com nomes e pastas organizados. Documentar as decisões ambientais.
Fase 7 · Apresentação e reflexão (1h) Apresentar à turma o sistema tipográfico, as peças e as decisões, incluindo pelo menos um problema encontrado e como foi resolvido.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Pesquisa de referências e justificação do sistema tipográfico | 15% |
| Hierarquia tipográfica e escala | 15% |
| Grelha, estilos e domínio da aplicação | 15% |
| Qualidade da composição (espaçamento, alinhamento, sinais) | 20% |
| Legibilidade, acessibilidade e design inclusivo | 10% |
| Licenças, ficheiros, arquivo e segurança | 15% |
| Apresentação e reflexão | 10% |
Erros comuns
- Escolher as fontes antes de ler o briefing e de testar com texto real.
- Usar mais de três famílias e perder a identidade.
- Hierarquia em que o título, as datas e o local competem com o mesmo peso.
- Entrelinha e comprimento de linha deixados nos valores por defeito, sem teste.
- Justificar colunas estreitas sem hifenização.
- Formatar à mão em vez de usar estilos.
- Texto cinzento claro ou sobre imagem sem medir o contraste.
- Só a cor a transmitir uma informação importante.
- Usar uma fonte ou imagem sem verificar a licença para o uso.
- Entregar à gráfica sem sangramento ou sem fontes incorporadas.
- Nomes de ficheiros como «final2» e tudo numa só pasta.
Bónus (opcional)
- Criar uma versão do cartaz com as mesmas regras para ecrã (formato vertical de rede social), adaptando escala e comprimento de linha.
- Testar o programa com duas pessoas reais de perfis diferentes (por exemplo, um leitor idoso) e documentar as alterações feitas.
- Preparar uma pequena ficha de estilo da associação, com as regras de uso do sistema tipográfico para futuros materiais.
- Comparar o impacto ambiental de duas opções de tiragem e papel e propor uma à associação.
Reflexão
No dossiê final, responde: qual foi a decisão tipográfica que mais melhorou a leitura do programa, e como o sabes (que teste ou medição o comprova)? Que escolha tua poderia excluir algum leitor, e o que mudarias? E que decisão de produção (papel, tiragem, acabamento) trouxe o maior ganho ambiental sem prejudicar a comunicação?