Mini-Projeto · Dossiê de diagnóstico capilar de três casos
Contexto
Um salão de cabeleireiro de bairro quer reforçar a qualidade do atendimento e pede-te que prepares um protocolo de diagnóstico capilar e o apliques a três casos reais ou simulados. Os casos são três clientes (colegas ou modelos que deram autorização, ou casos de estudo fornecidos pelo professor) com perfis diferentes: um com cabelo sensibilizado por químicos, um com queixa de couro cabeludo (oleosidade, descamação ou prurido) e um com queixa de queda ou rarefação.
Trabalhas individualmente ou a pares, com a bancada de diagnóstico, os utensílios disponíveis (pente de cauda, pinças, boa luz, micro câmara ou dermatoscópio, software de análise, se existirem), produtos para testes e fichas técnicas, e entregas um dossiê com a ficha de cliente de cada caso, os resultados dos testes, a interpretação, o plano de tratamento sugerido e a forma como comunicarias o resultado ao cliente.
Regra de ouro: descreves, sinalizas e encaminhas. Não dás diagnósticos médicos nem prometes curas.
Requisitos
Funcionais
- Elaborar um protocolo de diagnóstico de uma página, com os passos pela ordem em que são feitos.
- Aplicar o protocolo a 3 casos, preenchendo uma ficha de cliente completa por caso (anamnese, couro cabeludo, cabelo, testes, imagens, riscos, decisão, conselho, consentimentos, seguimento).
- Descrever cada cabelo pelos cinco critérios (forma, espessura, oleosidade, estado da fibra, cor e brancos) e registar, por zona, densidade e os restantes aspetos fundamentais.
- Realizar, em cada caso, os testes de tração, porosidade e elasticidade, em mais do que uma zona, e interpretar os resultados.
- Documentar com fotografia (e ampliação, se houver equipamento), com consentimento, luz, fundo e distância repetíveis.
- Identificar os riscos associados a técnicas e produtos em cada caso e aplicar a matriz de risco, incluindo, antes de qualquer coloração, a prova de sensibilidade e a leitura do aviso do rótulo.
- Sugerir um plano de tratamento com objetivo, tipo de produto, ingredientes ativos relevantes, aplicação, precauções e rotina de casa.
- Escrever, para cada caso, o guião da comunicação do resultado e, em pelo menos um caso, de uma recusa ou encaminhamento para o médico.
Não-funcionais
- Registo objetivo, sem juízos de valor nem diagnósticos médicos, com data e identificação.
- Cumprimento das normas de segurança e saúde no trabalho, higiene entre casos e confidencialidade dos dados e das imagens.
- Linguagem clara, acessível ao cliente, com termos técnicos explicados.
- Reflexão final baseada nos dados recolhidos, sem valores inventados.
Fases
Fase 1 · Protocolo e preparação (1h) Escrever o protocolo de diagnóstico, preparar a ficha de cliente em branco, o consentimento para dados e imagens e organizar o posto de trabalho (luz, material, higiene).
Fase 2 · Anamnese e observação (2h) Realizar a anamnese dos três casos, observar e tocar o cabelo e o couro cabeludo, descrever pelos cinco critérios e pelos treze aspetos fundamentais.
Fase 3 · Testes específicos (2h) Executar os testes de tração, porosidade e elasticidade em várias zonas, com suavidade e higiene, e registar os resultados de forma objetiva.
Fase 4 · Ampliação e fotografia (2h) Documentar os casos com fotografia repetível e, se houver equipamento, com micro câmara ou dermatoscópio; identificar e arquivar as imagens com segurança.
Fase 5 · Interpretação, riscos e decisão (2h) Reunir os dados, distinguir fibra de couro cabeludo, aplicar a matriz de risco e decidir, para cada caso, se o serviço avança, é adaptado, adiado, recusado ou se há encaminhamento.
Fase 6 · Plano de tratamento e comunicação (2h) Propor o plano de tratamento e a rotina de casa, escrever os guiões de comunicação (incluindo uma recusa ou encaminhamento) e completar a ficha de cliente.
Fase 7 · Apresentação e reflexão (1h) Apresentar o dossiê à turma, defendendo as decisões, e responder à reflexão final.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Protocolo de diagnóstico e anamnese | 15% |
| Observação, descrição do cabelo e do couro cabeludo | 15% |
| Testes de tração, porosidade e elasticidade e sua interpretação | 20% |
| Fotografia, ampliação e documentação | 10% |
| Riscos, matriz de risco e decisão | 15% |
| Plano de tratamento e comunicação ao cliente | 15% |
| Ficha de cliente, segurança, higiene e confidencialidade | 10% |
Erros comuns
- Saltar a anamnese e começar logo pelos testes ou pelo serviço.
- Diagnosticar doenças em vez de descrever e encaminhar.
- Fazer o teste de tração com força, ou testar só uma zona.
- Confiar apenas no teste do copo para a porosidade.
- Fotografar sem consentimento, ou sem repetir luz, fundo e distância.
- Registar opiniões ("cabelo horrível") em vez de factos objetivos.
- Prometer curas ou crescimento de cabelo com produtos cosméticos.
- Esquecer o historial de químicos e juntar serviços incompatíveis.
- Não higienizar o material e os aparelhos de ampliação entre casos.
- Usar termos técnicos com o cliente sem os explicar.
Bónus (opcional)
- Criar uma folha de acompanhamento com fotografias de várias visitas e comparar a evolução de um caso.
- Preparar um cartaz informativo para o salão sobre quando se deve consultar um médico, em linguagem simples.
- Propor um modelo próprio de ficha de cliente e justificar cada campo.
- Comparar o resultado do teste de porosidade por toque, por água e por copo no mesmo cabelo e discutir as diferenças.
Reflexão
No dossiê final, responde: em qual dos três casos foi mais difícil decidir entre aconselhar um tratamento cosmético e recomendar uma consulta médica, e porquê? E de que forma o facto de descrever com factos e sem diagnosticar mudou o modo como falaste com o cliente e como preencheste a ficha?