Mini-Projecto · Conceber, produzir e avaliar uma campanha criativa
Contexto
Uma associação local sem fins lucrativos — a "Raiz Comunitária" — quer lançar a sua primeira campanha de comunicação para dar a conhecer um novo projeto: uma horta comunitária aberta a toda a vizinhança, onde as pessoas podem cultivar e conviver. Têm um objetivo claro mas pouco orçamento, e contam com a tua equipa criativa para transformar essa necessidade numa campanha memorável — e para provar, no fim, que a ideia funcionou.
Trabalhas em equipa (2 a 3 pessoas), do briefing até à avaliação, passando por toda a cadeia criativa. No fim, entregas um dossiê de campanha com o conceito, as peças e o plano de avaliação, e apresentas o trabalho à turma como se fosse ao cliente.
Requisitos
Funcionais
- Briefing preenchido: objetivo, público-alvo, mensagem central, tom e restrições.
- Pesquisa e análise documentada: público, contexto, pelo menos um insight.
- Sessão de geração de ideias registada, usando pelo menos duas técnicas (ex.: brainstorming + SCAMPER).
- Seleção justificada da grande ideia (critérios de escolha).
- Conceito de campanha ("grande ideia") descrito numa frase.
- Três peças produzidas para canais diferentes (ex.: cartaz, post de Instagram, guião de vídeo curto) — com aplicação de storytelling.
- Plano de avaliação: objetivos, KPIs por objetivo e como se mediriam.
Não-funcionais
- Coerência de identidade (tom, cores, mensagem) entre as três peças.
- Peças adaptadas à linguagem de cada canal (não a mesma copiada).
- Conteúdo original e adequado ao público.
- Dossiê organizado, claro e apresentável.
Fases
Fase 1 · Briefing e pesquisa (aulas 1–2)
Preencher o briefing com o cliente-fictício e fazer a pesquisa: quem é o público (vizinhos, famílias, idosos, jovens?), que motivações têm, o que já existe. Formular um insight ("as pessoas do bairro sentem-se sozinhas e querem pertencer a algo").
Fase 2 · Geração de ideias (aulas 3–4)
Sessão criativa com duas técnicas à escolha (brainstorming, brainwriting, mapa mental, pensamento lateral, SCAMPER). Registar todas as ideias, sem julgar. Regra: divergir primeiro.
Fase 3 · Seleção e conceito (aula 5)
Convergir: avaliar as ideias por critérios (novidade, ajuste ao objetivo, viabilidade) e escolher a grande ideia. Escrevê-la numa frase — o conceito da campanha.
Fase 4 · Desenvolvimento criativo (aulas 6–9)
Transformar o conceito em três peças para canais diferentes, aplicando storytelling (herói = a comunidade). Cuidar de copy e direção de arte, com identidade coerente.
Fase 5 · Testes (aula 10)
Mostrar as peças a colegas de outra equipa (mini focus group) e recolher reações. Ajustar o que for preciso.
Fase 6 · Plano de avaliação (aula 11)
Definir, para cada objetivo, o KPI e a forma de o medir. Preparar uma tabela objetivo → KPI → meta.
Fase 7 · Apresentação (aula 12)
Apresentar o dossiê completo à turma como ao cliente: problema, insight, ideia, peças e como se avaliaria o sucesso.
Critérios de avaliação
| Critério | O que se avalia | Ponderação |
|---|---|---|
| Briefing e pesquisa | clareza do problema e qualidade do insight | 15% |
| Processo criativo | uso correto das técnicas; divergir antes de convergir | 20% |
| Grande ideia | novidade + valor; ajuste ao objetivo | 20% |
| Peças produzidas | qualidade, storytelling, adaptação a cada canal | 20% |
| Plano de avaliação | KPIs adequados aos objetivos | 15% |
| Apresentação e dossiê | organização, clareza, coerência de identidade | 10% |
| Total | 100% |
Erros comuns
- Saltar a pesquisa e ir direto às ideias — sem insight, a campanha fica genérica.
- Criticar as ideias durante a geração — mata a divergência.
- Escolher uma ideia diferente mas inútil (novidade sem valor) ou segura mas banal (valor sem novidade).
- Fazer a associação ser o herói do storytelling, em vez da comunidade.
- Copiar a mesma peça para os três canais, sem adaptar a linguagem.
- Esquecer a avaliação — sem KPIs, não se prova nada nem se aprende.
Bónus (opcional)
- Fazer A/B testing de duas versões do claim com os colegas e escolher a vencedora com dados.
- Criar uma quarta peça para um canal offline (ex.: ação de rua) mantendo a coerência.
- Desenhar um pequeno manual de identidade de uma página (cores, tom, uso do logótipo).
Reflexão
No fim, cada equipa responde por escrito (meia página): - Que técnica de geração de ideias funcionou melhor para vocês e porquê? - Qual foi a barreira à criatividade que mais sentiram e como a ultrapassaram? - Se tivessem mais tempo/orçamento, que decisão mudariam — e como saberiam se a campanha funcionou de verdade?