Partilhar: WhatsApp
aulify · Mini-Projecto
UC UC00275 · T. Marketing/RP, T. Vendas e Marketing
Versão · Aluno

Mini-Projecto · Estudo de mercado para uma organização real

Do briefing às recomendações — desk research, entrevistas, questionário, análise de dados, segmentos, personas, concorrência, posicionamento e relatório defendido
⏱ Duração estimada: 20 horas (≈ 12 aulas) ↗ Referencial SNQ
Índice

Contexto

A Cooperativa Agrícola do Montijo — ou a organização real que escolheres — está a considerar um investimento e não sabe se o deve fazer.

O caso concreto: a cooperativa tem um armazém devoluto de 180 m² junto à sede, e uma decisão em cima da mesa. A direção está dividida entre três hipóteses e discute-as há um ano em reuniões que acabam sempre empatadas, porque cada um argumenta com a sua intuição:

  1. Loja ao público com venda direta de produtos dos associados (hortícolas, mel, azeite, vinho).
  2. Espaço de prova e visita, orientado a visitantes de fim de semana e a grupos, com prova paga.
  3. Centro de recolha e distribuição para cabazes por encomenda, entregues em pontos fixos no concelho.

O investimento ronda os 50 000 € e a decisão tem de estar tomada dentro de três meses. Ninguém na direção sabe quantas pessoas iriam, quanto pagariam, quem são, ou o que já existe na região a fazer o mesmo.

A tua função é planear e realizar o estudo de mercado que sustenta esta decisão — não escolher a hipótese que gostas mais. Trabalhas individualmente ou em grupos de dois a três, e entregas um estudo completo: briefing, desk research, componente qualitativa, componente quantitativa, análise da concorrência, segmentos e personas, proposta de posicionamento, relatório escrito com ficha técnica e limitações, e apresentação defendida perante a "direção" (o formador e a turma).

Alternativa: podes substituir a cooperativa por qualquer organização real da tua zona — uma associação, uma IPSS, um comércio local, uma coletividade, uma microempresa — desde que (i) tenhas acesso a alguém que te explique o contexto, (ii) exista uma decisão concreta de investimento ou de mudança em aberto, e (iii) consigas inquirir pessoas reais. Não é aceitável uma organização inventada: metade da aprendizagem está em lidar com uma decisão que interessa mesmo a alguém, com acesso limitado, prazos reais e pessoas que não respondem ao questionário.

A pergunta que o teu estudo tem de conseguir responder no fim: "E então — em que é que devem investir os 50 000 €, e porquê?" Um estudo que apresenta números e não responde a isto não cumpriu a sua função.

Requisitos

Funcionais

Não-funcionais

Fases

Fase 1 · Briefing e problema de pesquisa (2h) Contactar a organização e reunir com quem decide. Perceber a decisão real que está em cima da mesa — não a que dizem à primeira, mas a que está por baixo. Escrever o briefing dos 10 pontos, traduzir o problema de gestão em problema de pesquisa, formular objetivos mensuráveis e hipóteses, e aplicar o teste de utilidade a cada objetivo. Entregar e datar antes de avançar.

Fase 2 · Desk research (2h) Esgotar as fontes secundárias antes de recolher seja o que for. INE e PORDATA para população, rendimento e despesa; câmara e junta para fluxos, eventos e licenciamentos; Banco de Portugal para rácios setoriais; associações setoriais; Google Trends para sazonalidade; e — sobretudo — os dados internos da organização (vendas, sócios, histórico). Construir a tabela de avaliação das fontes pelas cinco perguntas. Estimar TAM, SAM e SOM.

Fase 3 · Componente qualitativa: recolha (3h) Construir o guião de entrevista com as seis fases. Recrutar pelo perfil, não pela conveniência. Realizar as 8 entrevistas (ou 4 + focus group), gravadas com consentimento. Perguntar por episódios e não por opiniões; usar o silêncio de 3 segundos; nunca defender a organização. Preencher a grelha de observação no fim de cada entrevista, com as palavras exatas dos entrevistados.

Fase 4 · Componente qualitativa: análise (2h) Transcrever e anonimizar. Ler tudo duas vezes antes de codificar. Construir o livro de códigos e a matriz temática com contagem. Identificar o caso negativo e discuti-lo. Formular as hipóteses do questionário a partir daqui — e retirar do material a linguagem exata que vai para as perguntas.

Fase 5 · Construção e pré-teste do questionário (2h) Escrever o questionário a partir das hipóteses da fase anterior. Verificar as sete regras de redação pergunta a pergunta. Aplicar o pré-teste a 8–12 pessoas, observando onde hesitam e cronometrando. Corrigir e documentar as alterações. Definir amostra, método de seleção e margem de erro-alvo.

Fase 6 · Recolha quantitativa (3h) Lançar o questionário nos canais definidos, com o método de amostragem que foi declarado. Acompanhar a evolução das respostas e o perfil de quem responde; corrigir desequilíbrios com quotas ou com um canal alternativo. Registar a taxa de resposta. Parar apenas quando houver 120 respostas válidas — ou documentar honestamente porque não se chegou lá e o que isso implica.

Fase 7 · Tratamento e análise quantitativa (2h) Codificar, limpar e recodificar, com log de tratamento. Descritivas, frequências com % válida, os três cruzamentos, o qui-quadrado calculado à mão ou em folha de cálculo, a correlação com a discussão de causalidade. Calcular a margem de erro do total e dos subgrupos. Fazer a análise de preço.

Fase 8 · Concorrência e posicionamento (2h) Identificar os quatro níveis de concorrência — incluindo a substituta, que é a que quase toda a gente esquece. Visitar presencialmente os concorrentes com a grelha na mão. Ler as avaliações de 1 e 2 estrelas. Construir o mapa percetual com os eixos que o estudo revelou serem importantes para o consumidor, e escrever a declaração de posicionamento com a sua prova.

Fase 9 · Segmentos, personas e jornada (2h) Segmentar a partir dos dados (não a partir de intuições), caracterizar cada segmento com dimensão e valor anual, aplicar o MADAR, escolher o alvo com justificação numérica e desenhar a política de marketing. Construir as duas personas com citações reais e a indicação da sua base. Mapear a jornada da hipótese recomendada, ligando cada atrito a uma recomendação.

Fase 10 · Relatório (1h30) Escrever as 12 secções. Organizar os resultados pelos objetivos, não pela ordem do questionário. Separar dado, conclusão e recomendação. Construir a tabela de recomendações priorizadas. Escrever as limitações com honestidade — incluindo o que o estudo não permite concluir. O sumário executivo escreve-se no fim.

Fase 11 · Apresentação e defesa (0h30) Montar 12 a 18 slides. Abrir pela conclusão, não pela metodologia. Um slide por conclusão, com o gráfico que a prova. Levar as limitações. Terminar com as decisões pedidas. Preparar as três perguntas difíceis: "a amostra é fiável?", "quanto custa implementar?", "e se fizermos o contrário?"

Critérios de avaliação

Critério O que se avalia Ponderação
Briefing e problema de pesquisa Decisão real identificada, tradução correta gestão→pesquisa, objetivos mensuráveis, hipóteses testáveis, teste de utilidade aplicado, plano de tratamento datado antes da recolha 10%
Desk research 6+ fontes, 3+ oficiais, avaliação pelas 5 perguntas, uso dos dados internos, TAM/SAM/SOM estimados e justificados 8%
Componente qualitativa Guião com as seis fases, recrutamento por perfil, entrevistas por episódios, livro de códigos, matriz temática com contagem, citações codificadas, caso negativo discutido 15%
Questionário e pré-teste Estrutura e ordem corretas, sete regras de redação cumpridas, escalas equilibradas, consentimento RGPD, pré-teste documentado com alterações justificadas 12%
Amostra e recolha Método declarado e justificado, 120+ respostas, margem de erro calculada para total e subgrupos, taxa de resposta e enviesamentos discutidos 10%
Análise quantitativa Limpeza documentada, descritivas corretas (mediana quando devido), cruzamentos com % na direção certa, qui-quadrado calculado e interpretado, correlação sem salto para causalidade, análise de preço 15%
Concorrência e posicionamento Quatro níveis incluindo substitutos, grelha com 8+ critérios observáveis, mapa percetual com eixos vindos do estudo, declaração de posicionamento com prova 10%
Segmentos e personas Segmentação a partir dos dados, valor por segmento, MADAR aplicado, targeting justificado com números, política de marketing coerente, personas com citação e base indicada 10%
Relatório 12 secções, resultados pelos objetivos, dado ≠ conclusão ≠ recomendação, ficha técnica, 5+ limitações reais, recomendações com esforço/impacto/responsável/prazo/métrica, gráficos honestos 5%
Apresentação e defesa 15 min claros, abre pela conclusão, decisões pedidas explícitas, resposta às perguntas difíceis, limitações assumidas 5%
Total 100%

Erros comuns

Bónus (opcional)

Reflexão

No final, responde por escrito:

1. Qual foi o achado que contrariou o que tu ou a organização esperavam — e em que fase é que ele apareceu? Se nenhum contrariou, o que é que isso te diz sobre o desenho do estudo?

2. Se tivesses de refazer o questionário hoje, que pergunta acrescentavas e que pergunta eliminavas? Porque é que só percebeste isso na fase de análise?

3. O teu estudo tem uma limitação que, se o cliente a levar a sério, pode invalidar a recomendação principal. Qual é — e escreveste-a no relatório ou tiveste a tentação de a deixar de fora?

4. Recolheste dados de pessoas reais. Que decisão tomaste para proteger alguém para além do que a lei te obrigava? (Cumprir o RGPD e ser correto não são exatamente a mesma coisa.)

5. A organização vai decidir com base no que entregaste. Se dentro de um ano a decisão tiver corrido mal, qual é a parte do teu estudo que vais querer reler primeiro — e porquê?