Mini-Projecto · Desenho técnico completo de uma peça de mobiliário
Contexto
A marcenaria "Oficina do Vale" precisa do desenho técnico completo de uma peça de mobiliário nova para o catálogo: uma estante de parede com duas prateleiras e portas. Foste contratado/a para analisar o esboço do cliente, medir os componentes disponíveis, e entregar o conjunto de desenhos técnicos pronto a seguir na oficina, do esboço à documentação final.
Trabalhas individualmente ou a pares, com material de desenho tradicional e/ou software de CAD, e entregas um dossiê de desenhos técnicos mais uma memória descritiva das decisões tomadas.
Requisitos
Funcionais
- Análise do esboço de partida, com lista de dúvidas esclarecidas antes de desenhar.
- Três vistas ortográficas (frente, cima, lateral) da estante, no método europeu, à escala correta (1:10 ou 1:5) e indicada na legenda com o símbolo do método de projeção.
- Pelo menos um corte ou secção que mostre uma ligação interna (cavilhas, encaixe ou dobradiça).
- Pelo menos um pormenor construtivo, numa escala maior (1:2 ou 1:1), de uma ligação de precisão.
- Uma perspetiva (isométrica ou cavaleira) da peça montada.
- Cotagem completa da peça, com pelo menos uma cota com tolerância indicada.
- Vista explodida com todos os componentes e ferragens numerados.
- Instruções de montagem, em passos numerados, correspondentes à vista explodida.
- Lista de peças (n.º, designação, quantidade, material, comprimento × largura × espessura, sentido do fio, orlas), lista de ferragens com referência do fabricante e legenda completa em todos os desenhos.
- Especificação de acabamento (preparação, produto, aspeto e demãos).
Não-funcionais
- Tipos de linha e simbologia normalizados em todos os desenhos.
- Materiais e acabamentos identificados no desenho (hachura explicada numa legenda de materiais e anotação de texto), com espessuras reais de catálogo.
- Ferragens (dobradiças, suportes de prateleira) desenhadas a partir das fichas técnicas do fabricante.
- Ergonomia da peça justificada na memória descritiva (alturas e profundidades escolhidas).
- Conformidade com as normas de segurança na fase de levantamento de medidas em oficina (calçado de segurança; proteção auditiva e ocular junto de máquinas; sem luvas junto de ferramentas em rotação).
Fases
Fase 1 · Análise e levantamento (2h) Analisar o esboço de partida, esclarecer dúvidas de função, material e dimensões. Levantamento de medidas dos componentes ou ferragens disponíveis na oficina.
Fase 2 · Ergonomia e normas (2h) Definir alturas e profundidades com base em critérios ergonómicos. Escolher os tipos de linha e a convenção de projeção a seguir em todo o dossiê.
Fase 3 · Vistas ortográficas (4h) Desenhar as três vistas principais à escala escolhida, com projeções auxiliares se houver faces inclinadas.
Fase 4 · Cortes, secções e pormenores (3h) Desenhar o corte ou secção da ligação escolhida e o pormenor construtivo ampliado.
Fase 5 · Perspetiva e cotagem (3h) Desenhar a perspetiva isométrica ou cavaleira. Cotar todas as vistas, com tolerância na ligação de precisão.
Fase 6 · Vista explodida e documentação (4h) Desenhar a vista explodida numerada, escrever as instruções de montagem e compilar a lista de materiais e as legendas.
Fase 7 · Revisão e apresentação (2h) Rever o dossiê completo (cotas, escalas, legendas, materiais) e apresentar as decisões à turma.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Análise, levantamento e ergonomia | 15% |
| Vistas ortográficas e projeções auxiliares | 20% |
| Cortes, secções e pormenores construtivos | 15% |
| Perspetiva e cotagem (com tolerância) | 20% |
| Vista explodida, instruções e documentação técnica | 20% |
| Normas, revisão e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Começar a desenhar sem esclarecer dimensões e material do esboço.
- Cotar a medida do papel em vez da medida real da peça.
- Esquecer a hachura ou a indicação de material num corte.
- Vista explodida sem alinhamento entre os componentes.
- Entregar desenhos sem legenda completa ou sem lista de materiais.
- Não indicar tolerância numa ligação de precisão (cavilhas, encaixes), ou pedir tolerâncias em micrómetros a peças de madeira.
- Desenhar o plano de corte todo a traço grosso, ou pôr a vista de cima por cima da vista de frente no método europeu.
- Desenhar dobradiças e furações "a olho", sem a ficha técnica do fabricante.
Bónus (opcional)
- Desenhar uma segunda perspetiva (a que não foi escolhida na Fase 5), para comparar isométrica com cavaleira.
- Propor uma variante ergonómica da peça (por exemplo, versão para criança) e justificar as alterações de cota.
- Modelar a peça em software de CAD 3D e gerar as vistas automaticamente a partir do modelo.
- Fazer o levantamento de medidas de uma peça real da oficina em vez de partir apenas do esboço.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a cota registada no desenho é sempre a medida real da peça, mesmo quando o desenho está a uma escala reduzida? E que duas decisões ergonómicas tomaste, e porquê, ao definir as dimensões da estante?