Mini-Projecto · Pôr em produção um servidor de ficheiros com domínio, backup e plano de recuperação
Contexto
Uma unidade administrativa com 40 utilizadores em três departamentos (Secretaria, Finanças e Logística) vai substituir o seu servidor de ficheiros. Hoje cada posto guarda os seus documentos e as pastas partilhadas estão abertas a todos. A direção pediu uma solução com contas individuais, permissões por departamento, cópias de segurança testadas e um plano de recuperação que diga, por escrito, quanto tempo e quantos dados se podem perder.
Foste designado/a como técnico/a de sistemas. Trabalhas individualmente ou a pares, em máquinas virtuais (um servidor Windows Server e um servidor Linux, ou dois Linux, conforme o laboratório) e um posto cliente. Entregas o ambiente a funcionar e um dossiê com a documentação, o plano de backup, o plano de recuperação de desastres e o registo dos testes.
Requisitos
Funcionais
- Instalar o sistema operativo de servidor de acordo com um plano escrito (função, nome, IP estático, discos separados para sistema e dados, versão e origem da imagem).
- Verificar os requisitos do sistema e justificar o dimensionamento de memória e armazenamento.
- Criar a estrutura de utilizadores e grupos dos três departamentos, com um grupo por departamento e contas nominais.
- Criar três pastas partilhadas (uma por departamento) e uma pasta comum, com permissões por grupo segundo o mínimo privilégio.
- Configurar o acesso remoto seguro para administração (SSH com chaves ou RDP com NLA e acesso por grupo).
- Instalar e configurar um cliente: ligá-lo ao domínio (ou montar a partilha) e demonstrar o acesso de cada departamento.
- Configurar backup automático dos dados segundo a regra 3-2-1 (ou justificar a parte impraticável no laboratório) e executar um teste de restauro com registo.
- Montar monitorização básica (espaço, serviços e eventos de falha de início de sessão) com pelo menos dois alertas definidos.
- Elaborar o plano de recuperação de desastres com RPO e RTO por serviço e a ordem de reposição.
Não-funcionais
- Documentação clara, com versões e datas, e alterações registadas.
- Segurança: sem contas partilhadas, sem palavras-passe em texto simples nos ficheiros de configuração, firewall ativa.
- Proteção de dados pessoais (RGPD): identificar que dados pessoais existem, quem acede, como estão protegidos, quanto tempo se guardam e quem reporta um incidente.
- Cumprimento das normas e regulamentos aplicáveis e das orientações técnicas do fabricante.
- Todos os passos reversíveis ou com plano de reversão.
Fases
Fase 1 · Levantamento e planeamento (2h) Levantar requisitos, escolher o sistema e justificar (requisitos, competências, custo), dimensionar memória e discos, escrever o plano de instalação.
Fase 2 · Instalação e configuração inicial (3h) Instalar o servidor, configurar nome, IP estático, DNS, hora e atualizações; preparar os volumes de sistema e de dados.
Fase 3 · Contas, grupos e permissões (3h) Criar utilizadores e grupos; criar as pastas; atribuir permissões por grupo; testar o acesso com uma conta de cada departamento.
Fase 4 · Partilhas, domínio e clientes (3h) Publicar as partilhas; configurar o domínio ou a autenticação equivalente; ligar o posto cliente e verificar o acesso de cada departamento.
Fase 5 · Acesso remoto, segurança e monitorização (3h) Configurar SSH ou RDP; endurecer a configuração; ativar a firewall; montar a monitorização e os alertas.
Fase 6 · Backup e teste de restauro (3h) Definir o plano de backup; automatizar; executar o backup; apagar um ficheiro de teste e restaurá-lo; medir o tempo.
Fase 7 · Recuperação de desastres, RGPD e dossiê (3h) Escrever o plano de recuperação com RPO, RTO e ordem de reposição; documentar a conformidade com o RGPD; reunir o dossiê e apresentar.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Planeamento, instalação e configuração inicial | 15% |
| Utilizadores, grupos e permissões (mínimo privilégio) | 20% |
| Partilhas, domínio e cliente | 15% |
| Acesso remoto, segurança e monitorização | 15% |
| Backup 3-2-1 e teste de restauro | 15% |
| Plano de recuperação de desastres (RPO e RTO) | 10% |
| RGPD, documentação e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Instalar com DHCP e não fixar o endereço do servidor.
- Misturar sistema e dados no mesmo volume.
- Atribuir permissões a pessoas em vez de grupos, ou dar Controlo Total para evitar problemas.
- Confundir as permissões da partilha com as permissões NTFS.
- Usar
usermod -Gsem-ae retirar o utilizador de outros grupos. - Expor o RDP à internet ou deixar o SSH a aceitar
rootcom palavra-passe. - Ativar a firewall sem permitir primeiro a porta de administração.
- Guardar o backup no próprio servidor, ou nunca testar o restauro.
- Definir um RPO que a frequência do backup não cumpre.
- Entregar um plano de recuperação sem ordem de reposição nem contactos.
Bónus (opcional)
- Automatizar a criação dos utilizadores e dos grupos a partir de um ficheiro CSV com um script.
- Acrescentar um segundo servidor em modo de reserva e medir o tempo de reposição real.
- Cifrar o volume de dados (BitLocker ou LUKS) e documentar o procedimento de recuperação da chave.
- Montar um painel de monitorização com uma ferramenta open source e comparar com a monitorização nativa.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que o RAID não substitui o backup, e que teste prova que o teu backup serve? E descreve uma decisão de segurança que tomaste (permissões, acesso remoto, cifragem ou monitorização), o risco que reduz e o impacto que tem na facilidade de utilização.