Projecto · Diagnóstico e reparação de emissões e turbo
Contexto
A oficina "AutoMecatrónica Montijo" recebeu um Volkswagen Golf 1.6 TDI (Euro 5, diesel) com queixas do cliente: "perde força a subir, deita fumo preto e às vezes acende a luz do motor". O carro tem DPF e EGR, é turbo, e vai ter inspeção (IPO) na próxima semana — o cliente quer garantir que passa.
És o técnico responsável. Vais fazer o diagnóstico estruturado, propor e executar a reparação, e comprovar com ensaios que o carro voltou a cumprir a norma. Trabalhas individualmente ou a pares e entregas um dossiê de intervenção (relatório técnico) mais a demonstração prática (em banca real ou em simulação/estudo de caso documentado, conforme os recursos da escola).
Requisitos
Funcionais
- Recolha da avaria: registar as queixas do cliente e as condições em que ocorrem.
- Leitura OBD: listar os códigos (DTC) e os dados ao vivo relevantes (boost, MAF, contrapressão do DPF, temperatura de escape).
- Plano de diagnóstico por ordem lógica (do mais provável/barato ao mais caro), com a hipótese para cada passo.
- Identificação da(s) causa(s) provável(is) e justificação técnica.
- Plano de reparação: o que se limpa, o que se substitui, e porquê; com os valores/procedimentos do fabricante citados.
- Ensaios finais: descrição do ensaio de estrada + medição no opacímetro e verificação de ausência de códigos.
Não-funcionais
- Relatório claro e organizado, com linguagem técnica correta.
- Segurança: identificar os riscos (queimaduras, gases tóxicos, extração de fumos) e os EPI usados.
- Ambiente/legalidade: nenhuma solução pode passar por anular um sistema antipoluição; resíduos encaminhados corretamente.
- Fotos/esquemas dos componentes intervencionados (quando aplicável).
Fases
Fase 1 · Receção e recolha (1h) Registar as queixas, o histórico do carro e as condições da avaria. Definir o objetivo (passar na IPO).
Fase 2 · Leitura OBD e dados ao vivo (2h) Ligar a máquina de diagnóstico, registar os DTC e os PIDs relevantes. Interpretar o que dizem.
Fase 3 · Plano e execução do diagnóstico (3h) Verificar o óbvio (fugas de admissão/escape com máquina de fumo), testar EGR, VGT/wastegate, sensor de pressão do DPF. Isolar a causa.
Fase 4 · Reparação (3h) Executar a reparação decidida (ex.: limpeza do EGR e da admissão, regeneração forçada do DPF, correção de fuga). Seguir os procedimentos do fabricante.
Fase 5 · Ensaios e entrega (2h) Ensaio de estrada com dados ao vivo, medição no opacímetro, apagar códigos e confirmar. Redigir o relatório e entregar ao "cliente".
Fase 6 · Apresentação (1h) Apresentar o caso à turma: sintoma → diagnóstico → causa → reparação → prova.
Critérios de avaliação
| Critério | Ponderação |
|---|---|
| Método de diagnóstico (lógica, ordem, hipóteses) | 25% |
| Interpretação correta de DTC e dados ao vivo | 20% |
| Adequação e execução da reparação (fabricante) | 20% |
| Ensaios finais e prova de conformidade | 15% |
| Segurança, ambiente e legalidade | 10% |
| Relatório e apresentação | 10% |
| Total | 100% |
Erros comuns
- Começar por substituir o turbo sem excluir fugas e VGT (caro e desnecessário).
- Forçar a regeneração sem perceber porque o DPF não regenera sozinho.
- Limpar o EGR e não avisar o cliente do padrão de uso urbano que causou o problema.
- Propor anular DPF/EGR — ilegal e reprova na IPO.
- Fechar o serviço sem ensaio de opacidade que prove a conformidade.
Bónus (opcional)
- Elaborar um checklist de pré-IPO para diesel (opacidade, EGR, DPF, fugas) reutilizável na oficina.
- Comparar o custo das duas abordagens: limpeza especializada do DPF vs. substituição.
- Documentar com fotos "antes/depois" da admissão limpa.
Reflexão
- Que sinais permitem distinguir um problema de DPF de um problema de turbo/VGT?
- Porque é que o padrão de utilização do cliente é parte da avaria — e da solução?
- Como explicarias a um cliente, sem tecnicismos, porque não se "desliga" o DPF?