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UC UC03620 · T. Turismo

Ficha 01 · O profissional, a comunicação, a receção e o diagnóstico de necessidades

Qualidades e atitudes, comunicação verbal e não verbal, vocabulário, receção e documentação, equipamentos e proteção de dados, atendimento e venda, perguntas de diagnóstico
Versão · Soluções
Tempo · 150 minutos
Cotação · 100 pontos
Aluno(a)
Turma
Nº
Data
Objectivos da ficha

Exercício 1 · Qualidades e atitudes em comportamentos (12 pontos)

Na agência Rota Sul Viagens, em Faro, observas a colega Inês durante uma manhã e anotas cinco comportamentos:

(a) Atende o telefone enquanto escreve num ecrã, sem olhar para o cliente que está no balcão. (b) Quando um cliente muda de ideias pela terceira vez, repete as opções de forma calma, com palavras diferentes. (c) Diz em voz alta, ao balcão, que o Sr. Faria «está sempre a pedir descontos». (d) Escreve no livro de turno que a reserva da família Santos tem de ser confirmada por email até às 17h. (e) Quando o cliente fala mal com ela, respira fundo, baixa a voz e mantém o tom.

Para cada comportamento, indica a atitude ou qualidade (do referencial) que mostra ou que contradiz, e diz se é positivo ou negativo. Reescreve o comportamento (c) de forma profissional.

Resposta:
Comportamento Atitude ou qualidade Sentido
(a) Escuta ativa e disponibilidade (contradiz); cuidado com a postura profissional Negativo
(b) Paciência; empatia; controlo emocional Positivo
(c) Discrição e ética profissional (contradiz); respeito Negativo
(d) Sentido de organização; cooperação com a equipa Positivo
(e) Controlo emocional; resiliência; assertividade Positivo

Reescrita de (c): não se comenta o cliente em voz alta. Se for preciso transmitir informação útil à equipa, faz-se em privado e de forma factual: «O Sr. Faria costuma negociar o preço; vamos preparar uma proposta com condições claras.» Mesmo em privado, evitam-se julgamentos de pessoa.

Raciocínio. As qualidades só se reconhecem em comportamentos. Em (a) o comportamento nega a escuta ativa e a disponibilidade; em (c) viola a confidencialidade e o respeito. O balcão é um palco: o cliente seguinte ouviu a frase.

Exercício 2 · Do «não» à solução (12 pontos)

Num posto de turismo municipal, o técnico responde a três visitantes. Reescreve cada resposta de forma assertiva e positiva, segundo o princípio «dizer o que se pode fazer».

(a) «Já não vale a pena ir ao castelo, fecha daqui a meia hora.» (b) «Não tenho mapas em japonês.» (c) «Espere aí, estou ocupado, não vê?»

Depois, explica em duas linhas por que razão a frase (c) mostra falta de controlo emocional.

Resposta:

(a) «O castelo fecha dentro de meia hora, por isso a visita seria curta. Posso sugerir-lhe voltar amanhã de manhã, que tem mais tempo, e esta tarde ir ao jardim ao lado, que fecha mais tarde. Confirmo já o horário de ambos.» (Tem de se confirmar o horário na fonte, não de memória.)

(b) «Não tenho mapa em japonês, mas tenho este mapa em inglês com ícones e posso marcar-lhe aqui o percurso. Também temos uma aplicação com tradução; quer que lhe mostre?»

(c) «Um momento, por favor, já o atendo.» (acompanhado de contacto visual e sorriso).

Controlo emocional. A frase (c) transfere para o visitante a irritação do profissional («não vê?»). O controlo emocional exige respirar, separar a pressão do trabalho da pessoa à frente e responder com cortesia mesmo quando há muita carga.

Exercício 3 · Sinais não verbais e congruência (12 pontos)

No Hostel Atlântico, em Lagos, um hóspede aproxima-se da receção às 22h. A rececionista está de braços cruzados, encostada ao balcão, a olhar para o telemóvel pessoal. Diz «Boa noite, em que posso ajudar?» num tom neutro e curto, sem levantar a cabeça. O hóspede recua meio passo.

(a) Identifica cinco sinais não verbais negativos e propõe uma correção para cada um. (b) Noutro balcão, o técnico de um posto de turismo diz a um visitante «Com todo o gosto, fico ao seu dispor», mas fala sem tirar os olhos do ecrã, de testa franzida, a suspirar. Em que é que o visitante vai acreditar, nas palavras ou nos sinais? Explica com o conceito de congruência e reescreve o comportamento do técnico para que a mensagem seja credível.

Resposta:

(a) Sinais e correções:

  1. Braços cruzados: transmite fechamento e defesa. Corrigir: braços e mãos visíveis e relaxados.
  2. Encostada ao balcão: postura de cansaço ou desinteresse. Corrigir: tronco direito, voltado para o hóspede.
  3. Olhar para o telemóvel pessoal: dá a mensagem de que o hóspede não é prioritário. Corrigir: guardar o telemóvel pessoal.
  4. Sem levantar a cabeça: falta de contacto visual. Corrigir: levantar os olhos e sorrir na saudação.
  5. Tom neutro e curto: a voz não acolhe. Corrigir: tom caloroso e ritmo pausado, com o nome do hostel. (O recuo do hóspede, a distância, mostra que o sinal foi percebido.)

(b) O visitante vai acreditar nos sinais: quando as palavras contradizem o rosto e o tom, o ouvinte tende a dar crédito ao que vê e ouve na voz. A mensagem só é credível quando há congruência, isto é, palavras e sinais a dizer o mesmo. Comportamento reescrito: parar a tarefa, levantar os olhos do ecrã, voltar o tronco para o visitante, sorrir e dizer a frase com tom calmo e caloroso. Não se justifica com percentagens: a «regra dos 7-38-55» é uma citação errada de experiências de 1967 com palavras isoladas (ver sebenta, capítulo 2).

Exercício 4 · Ler reservas abreviadas e preparar o atendimento (14 pontos)

Na lista de chegadas da Casa da Eira, uma casa de turismo rural no Alentejo, aparecem duas linhas:

  1. «1 DBL + COT · HB · 20 a 23 ago · DEP PAGO · ETA 16:00 · LATE CO»
  2. «2 TWN · BB · 25 a 26 ago · NR · ETA 23:30»

(a) Traduz cada linha por extenso, em português. (b) Quantas noites tem cada reserva? (c) Indica, para cada linha, uma verificação que a receção deve fazer antes da chegada. (d) Para cada linha, indica um dado do sistema que usas para preparar o atendimento, a necessidade provável do cliente e uma pergunta de sondagem para a chegada, com um cuidado a ter com essa informação.

Resposta:

(a)

  1. Um quarto duplo (cama de casal) com berço, em meia pensão (pequeno-almoço e uma refeição principal), de 20 a 23 de agosto, com depósito já pago, chegada prevista às 16h, com pedido de saída tardia (late check-out).
  2. Dois quartos twin (duas camas separadas), alojamento e pequeno-almoço, de 25 a 26 de agosto, tarifa não reembolsável, chegada prevista às 23h30.

(b) 20 a 23 = 3 noites; 25 a 26 = 1 noite.

(c) Verificações possíveis:

  1. Confirmar que existe berço disponível e que será colocado no quarto antes das 16h; confirmar o horário da refeição de meia pensão; verificar se a saída tardia é possível e, se tiver custo, informar o cliente; confirmar o depósito no sistema.
  2. Escrever na passagem de turno que a chegada é às 23h30, para o rececionista de noite esperar os hóspedes e manter os quartos reservados; confirmar que as condições da tarifa não reembolsável estão registadas e foram comunicadas ao cliente.

(d) Exemplos de resposta:

  1. Dado: a composição (um duplo com berço) e o pedido de saída tardia. Necessidade provável: sossego e conforto com uma criança pequena, e alguma folga na hora de saída. Pergunta de sondagem: «A criança tem que idade? Prefere um quarto afastado do elevador?» Cuidado: o berço indica uma criança pequena, mas não a idade nem a relação entre as pessoas: pergunta-se, não se presume.
  2. Dado: o tipo de quarto (twin), a hora de chegada (23h30) e a tarifa não reembolsável. Necessidade provável: um check-in rápido depois de uma viagem longa e informação clara sobre o pequeno-almoço e a hora de saída. Pergunta de sondagem: «Prefere que lhe deixemos já por escrito o horário do pequeno-almoço e a hora de saída?» Cuidado: duas camas separadas não dizem quem são os hóspedes (colegas, amigos, família): não se presume, nem se comenta o histórico em voz alta.

Exercício 5 · O posto de trabalho: mapa de ocupação, canais de reserva, terminal e chaves (14 pontos)

No Hotel Torre Norte, às 10h, a rececionista abre o sistema de gestão (dados fictícios). O hotel entrega os quartos a partir das 15h e aceita entradas antecipadas se o quarto estiver livre e limpo.

Quarto Tipo Estado no mapa
101 Duplo Ocupado, saída hoje às 11h
102 Duplo Livre, limpo
103 Twin Livre, sujo
104 Twin Em manutenção (sem água quente)
201 Familiar Livre, limpo
202 Duplo Ocupado, saída amanhã

Chegadas de hoje: o casal Faria, um duplo, previsto para as 13h; os Srs. Duarte e Neves, que partilham um twin, previstos para as 17h.

(a) A que quarto atribuis cada chegada? Indica três quartos que não podes atribuir e porquê. (b) Às 11h entra uma reserva da Booking.com para o quarto 201 para o próximo sábado, mas esse quarto já tem uma reserva direta para a mesma noite. Que dois dados verificas e que ferramenta existe para evitar este problema? (c) No check-out, o terminal de pagamento recusa o cartão de um hóspede. Indica três passos. O hóspede propõe: «Tiro uma fotografia ao cartão e envio-a por WhatsApp.» Que lhe respondes? (d) Vais entregar o cartão-chave do quarto 102 aos Faria, com mais cinco pessoas à volta. O que confirmas antes de codificar e como o entregas sem dizer o número em voz alta?

Resposta:

(a) Casal Faria (13h, duplo): 102, que está livre e limpo e a casa aceita entrada antecipada. Srs. Duarte e Neves (17h, twin): 103, depois de os andares o limparem; a rececionista confirma com eles que passou a «limpo» no mapa antes das 17h. Não podes atribuir: o 104 (em manutenção, sem água quente), o 101 (ocupado até às 11h e depois ainda por limpar) e o 202 (ocupado). O 201 está livre, mas é um quarto familiar, de outro tipo: só serviria como alternativa, com o acordo do cliente e sem custo adicional escondido.

(b) Verifica: (1) os nomes, as datas e a referência das duas reservas, para saber se é o mesmo cliente que reservou duas vezes (duplicado, que se resolve cancelando uma das reservas, conforme as condições) ou dois clientes (sobrerreserva, que se trata com alojamento equivalente, como no capítulo 13); (2) o canal de cada reserva, porque as condições de pagamento e de cancelamento diferem. A ferramenta é o channel manager, que sincroniza disponibilidades e preços entre o site, as plataformas e o sistema do hotel.

(c) Três passos: (1) ler a mensagem do terminal e confirmar o valor, sem insistir várias vezes; repetir a operação uma só vez, com o cartão a ser inserido; (2) propor outro cartão ou outro meio de pagamento; (3) se não resultar, chamar o responsável e registar a ocorrência, sem constranger o hóspede. Sobre a fotografia: «Agradeço, mas não posso receber os dados do cartão por mensagem. Pagamos no terminal ou, se preferir, o hotel envia-lhe uma ligação segura.» Se a mensagem chegar, não se usa, elimina-se (também da pasta de eliminados) e informa-se o responsável.

(d) Antes de codificar, confirma no sistema o quarto atribuído (102) e as datas da estadia: um quarto ou uma data errados fazem o cartão não abrir ou abri-lo depois da saída. Entrega o cartão num envelope com o número escrito, ou diz o número em voz baixa e discreta. O número do quarto permite saber onde está uma pessoa e deve circular o menos possível.

Raciocínio. Cada equipamento tem um gesto de segurança: o mapa do sistema lê-se com o tipo, o estado e a hora, o canal de reserva decide as condições, o terminal nunca recebe dados por outro caminho e a chave só se grava depois de confirmar.

Exercício 6 · Estrangeiros no check-in: o boletim de alojamento (12 pontos)

A Quinta das Oliveiras, empreendimento de turismo no espaço rural, recebe hoje um casal espanhol com dois filhos menores (de 8 e 12 anos) e uma amiga portuguesa que viaja com eles.

(a) Quem é abrangido pelo boletim de alojamento? Um dos pais diz: «Somos da União Europeia, não precisamos de preencher nada.» Que lhe respondes? (b) Quem tem de preencher e assinar os boletins? (c) O que se comunica, e em que prazo? (d) Como se faz hoje a comunicação e que cuidado tens com os documentos de identificação?

Resposta:

(a) Os quatro espanhóis; a amiga portuguesa não. A Lei n.º 23/2007 (artigo 15.º) manda preencher um boletim por cada cidadão estrangeiro, incluindo os nacionais de outros Estados-Membros da União Europeia. Resposta ao cliente: «É um procedimento previsto na lei para todos os cidadãos estrangeiros, incluindo os da União Europeia. É rápido e só preciso dos dados do documento de identificação.»

(b) Cada estrangeiro preenche e assina o seu boletim, mas o preenchimento e a assinatura pessoal não são obrigatórios para ambos os cônjuges e para os menores que os acompanham: podem ser feitos por um dos pais (artigo 15.º, n.º 3). Basta, portanto, um dos pais para o casal e os dois filhos.

(c) Comunica-se a entrada do alojamento e, depois, a saída, cada uma no prazo de três dias úteis (artigo 16.º, n.os 1 e 2).

(d) Por via eletrónica, no portal SIBA (siba.ssi.gov.pt), onde o estabelecimento está registado como utilizador. Recolhe-se a identificação completa, confirma-se o documento e não se retém o documento para além do tempo necessário, nem se recolhem dados de que o estabelecimento não precisa. A comunicação é dirigida à GNR ou à PSP (artigo 16.º, n.º 1); o registo no SIBA faz-se junto da UCFE (artigo 15.º, n.º 4).

Exercício 7 · Atendimento ou venda sugestiva? (12 pontos)

Num hotel de quatro estrelas, chega uma família: dois adultos e duas crianças de 8 e 11 anos. Reservaram um quarto duplo com cama extra, mas na conversa dizem que as crianças estão muito agitadas e que os adultos «gostavam de ter um bocado de sossego».

(a) Qual a necessidade que a família exprimiu e que upselling podes propor? (b) Constrói a apresentação da proposta com característica, vantagem e benefício. (c) Se os pais responderem «é mais caro, não queremos», o que fazes? (d) Indica dois limites éticos que tens de respeitar.

Resposta:

(a) A necessidade é sossego e espaço para a família. Upselling possível: um quarto familiar ou dois quartos comunicantes, em vez de duplo com cama extra.

(b) Característica: «O quarto familiar tem duas áreas separadas por uma porta.» Vantagem: «As crianças ficam numa zona e os pais noutra.» Benefício: «Vão poder descansar e ter a vossa privacidade, e as crianças têm espaço para brincar sem incomodar.»

(c) Aceitas o «não» com cordialidade, sem insistir. Podes perguntar «Em relação a quê?» para perceber a objeção e, se fizer sentido, apresentar uma alternativa intermédia (por exemplo, um quarto do mesmo tipo em andar mais sossegado). Se continuarem a recusar, ficas com a reserva original e fica a porta aberta para mudar depois.

(d) Exemplos de limites: dizer a verdade (não prometer sossego se o quarto familiar for ao lado do elevador ou de obras); informar o preço antes da contratação (dever previsto no artigo 46.º do Decreto-Lei n.º 39/2008); respeitar a decisão dos clientes.

Exercício 8 · Perguntas de diagnóstico para uma empresa de animação (12 pontos)

Trabalhas na receção da Trilhos do Marão, empresa de animação turística que organiza caminhadas e passeios de jipe na serra. Um cliente telefona: «Queria fazer uma atividade no fim de semana.»

(a) Constrói um guião com uma abertura e seis perguntas que usem os cinco tipos (aberta, fechada, de sondagem, de reformulação, de escolha, pelo menos um de cada), identificando o tipo de cada pergunta. (b) Reescreve estas três perguntas, que não são adequadas: (1) «Vêm de carro, claro?», (2) «Quanto é que ganha por mês?», (3) «Os seus filhos portam-se bem?». (c) Que dados de saúde podes precisar de saber para segurança de uma caminhada e como os tratas?

Resposta:

(a) Exemplo de guião:

  1. «Para o aconselhar melhor, posso fazer-lhe duas ou três perguntas?» (abertura).
  2. «O que gostaria de viver nesse dia: natureza, aventura, paisagem?» (aberta).
  3. «A atividade é para este sábado?» (fechada).
  4. «Quantas pessoas são, e que idades têm?» (fechada, porque pede um dado de resposta curta).
  5. «Têm experiência de caminhadas ou será a primeira vez?» (de sondagem).
  6. «Prefere de manhã ou da parte da tarde?» (de escolha).
  7. «Se entendi bem, são quatro pessoas, incluindo duas crianças, querem natureza em modo tranquilo e de manhã. É isso?» (reformulação que leva à validação).

(b) (1) «Como pensam deslocar-se até ao ponto de encontro? Podemos indicar transporte público ou local de estacionamento.» (2) «Tem algum limite de orçamento para esta atividade?» (3) «As crianças já fizeram atividades ao ar livre? Há algum cuidado especial de que devamos saber?»

(c) Limitações de mobilidade, problemas cardíacos ou respiratórios, alergias (picadas, alimentos), medicação essencial. São dados de saúde: pergunta-se só o necessário para a segurança, de forma delicada, com o conhecimento do cliente, regista-se só o que é preciso e guarda-se com proteção. Quem determina se a atividade é segura é o responsável pela empresa.