Ficha 02 · Instalar, aplicar, avaliar e agir
Exercício 1 · Completar a ficha com um utente pouco comunicativo
A utente Olga, 70 anos, responde "não, não, não" a todas as perguntas da ficha. Quando lhe perguntas se toma medicamentos, diz "só os do coração, que a doutora mandou". Escreve três perguntas que farias a seguir (abertas ou fechadas), a atitude que tomas quanto ao serviço e o que registas.
Perguntas possíveis: "Sabe para que serve esse medicamento ou como se chama?" (aberta); "A doutora disse-lhe alguma coisa sobre o calor ou sobre massagens?" (fechada); "Tem tonturas, falta de ar ou dores no peito quando faz esforço?" (fechada).
Atitude: a medicação cardíaca é uma informação de risco; sem esclarecimento, não aplica pedras quentes e pede ao profissional de saúde do estabelecimento que valide. Explica que é uma medida de segurança.
Registo: "refere medicação 'do coração' receitada pela médica; desconhece nome e indicação; serviço não iniciado, encaminhada ao profissional de saúde". Factos, sem hipóteses.
Exercício 2 · Instalar um utente com dificuldade respiratória
O utente Henrique, 66 anos, tem dificuldade em respirar deitado de barriga para baixo e refere dor no joelho direito ao subir para a mesa. Descreve a posição que propões, os apoios, a forma de o ajudar a subir e as informações de segurança que lhe dás antes de saíres da sala.
Posição: a dificuldade em respirar deitado não é só uma questão de conforto, é uma informação de saúde a rastrear. Antes de instalar, o técnico regista o que o utente refere e confirma com o profissional de saúde do estabelecimento se o serviço pode avançar e em que posição. Com essa indicação, propõe decúbito dorsal elevado ou semissentado (tronco elevado), em vez de ventral, com cabeça e pescoço apoiados e almofada sob os joelhos. Sem indicação, não se aplica e encaminha-se.
Subir: mesa travada e, se regulável, baixa; degrau estável; o técnico dá o braço, o utente senta-se na borda e deita-se devagar, evitando carga sobre o joelho doloroso.
Antes de sair: cobre-o com lençol e toalha, pergunta se tem frio e se está confortável, mostra como chamar (campainha ou voz), diz-lhe que pode dizer "está quente" ou "pare" em qualquer momento e garante que só volta a entrar depois de ele estar coberto.
Exercício 3 · A sequência das pedras
Ordena as seguintes ações de um serviço nas costas e identifica a que falta: (a) deslizar a pedra do sacro aos ombros; (b) medir a temperatura e testar a pedra na mão nua; (c) colocar uma pedra estática no sacro, com duas camadas de tecido seco; (d) avisar o utente de que a primeira pedra vai tocar; (e) retirar as pedras e verificar a pele; (f) perguntar ao utente como sente o calor.
Ordem: (b) medir e testar; (d) avisar; (c) colocar a pedra estática com barreira (se o protocolo prever); (f) perguntar; (a) deslizar com óleo; (f) voltar a perguntar durante o deslize; (e) retirar e verificar a pele.
O que falta: a contagem das pedras no início e no fim, para garantir que nenhuma ficou debaixo do utente ou de uma toalha; e o registo na ficha. Também faltam as pausas para trocar pedras que arrefecem, sem as reaquecer sobre o utente.
Exercício 4 · Procedimentos de colocação: corrigir as falhas
Observas um colega durante um serviço: pousa uma pedra quente diretamente na zona lombar, "só um minutinho"; coloca outra sob o joelho do utente, dentro de uma toalha húmida; e sai da sala para atender o telefone, deixando a pedra no sítio. Indica três falhas graves, o risco de cada uma e o que deve ser feito.
- Pedra diretamente sobre pele nua: queimadura em poucos minutos; usar sempre duas camadas de tecido seco em pedra estática.
- Pedra sob o joelho, em toalha húmida: o peso comprime a pele, o calor não se dissipa e o tecido húmido conduz o calor; nunca se colocam pedras debaixo do utente e as barreiras são secas.
- Sair da sala deixando a pedra: sem vigilância, o utente (que pode estar adormecido ou com sensibilidade reduzida) não consegue reagir; o técnico nunca abandona um utente com pedras quentes aplicadas.
Atitude imediata: retirar as pedras, observar a pele, informar o utente e a chefia, e registar.
Exercício 5 · Avaliar a pele no fim do serviço
Ao retirar as pedras da região lombar da utente Susana, vês duas situações: (a) uma zona rosada, difusa, sem dor, que começa a desvanecer; (b) uma mancha vermelho-viva com a forma exata de uma pedra, com ardor referido pela utente. Interpreta cada situação, indica o que fazes e como registas a segunda.
- (a) Rubor normal do calor (vasodilatação): seguir, observar e registar que desvaneceu.
- (b) Sinal de alerta: marca delimitada com a forma da pedra e ardor indicam calor excessivo. Retira as pedras dessa zona, arrefece com água corrente fria (sem gelo e sem esfregar), não retoma pedras ali, chama o profissional de saúde do estabelecimento e informa a chefia.
Registo da (b): "região lombar, mancha vermelha com cerca de X cm, delimitada, ardor referido, sem bolha; arrefecida com água fria; profissional de saúde informado às hh:mm". Descrição objetiva, sem rótulos como "queimadura de segundo grau", que cabem a quem tem competência para avaliar.
Exercício 6 · Emergência: utente com mal-estar a meio do serviço
Durante o serviço de um utente de 58 anos, este diz "sinto um aperto no peito e falta-me o ar". Está pálido e suado. Descreve, por ordem, o que fazes e o que não fazes.
Fazes: parar de imediato e retirar as pedras; manter o utente na posição mais confortável (muitas vezes sentado ou semissentado); alertar o profissional de saúde de serviço e chamar o 112; não o deixar sozinho; acalmá-lo, desapertar o que aperta, recolher a hora de início dos sintomas e a informação da ficha (medicação, doenças); seguir as indicações do 112 e, se tiver formação e o utente deixar de responder e de respirar normalmente, iniciar as manobras de suporte básico de vida.
Não fazes: continuar o serviço, dar comprimidos por iniciativa própria, dar de beber a quem está confuso, nem deixá-lo ir sozinho para a rua. Depois: relatório factual da ocorrência e revisão com a equipa.
Exercício 7 · Reflexologia, aromaterapia e reclamação
Três situações curtas: (a) uma utente pede reflexologia nos pés mas tem uma micose visível entre os dedos; (b) um utente quer um óleo essencial puro "para dar mais efeito"; (c) uma utente diz, à saída, que o serviço "não lhe tirou a enxaqueca, como prometeram" e pede o livro de reclamações. Para cada uma, indica a atitude correta.
- (a) Não aplica reflexologia nesse pé, porque a infeção local é uma contraindicação (e pode propagar-se ao técnico e a outros utentes). Explica com calma, sugere avaliação por profissional de saúde e propõe alternativa que o protocolo permita; higieniza os materiais e lava as mãos.
- (b) Recusa: os óleos essenciais nunca se aplicam puros na pele, diluem-se num óleo de base (a diluição habitual para um adulto saudável em massagem corporal situa-se entre 1 e 3 %, sempre segundo as misturas autorizadas pelo estabelecimento). Pergunta por alergias e explica o risco de irritação.
- (c) Escuta sem justificar logo, reconhece o desconforto, facilita o livro de reclamações nos termos da lei, nunca o recusa nem dificulta, e informa a chefia. Esclarece que a massagem é um serviço de bem-estar que não trata doenças; se alguém prometeu o contrário, é uma falha a corrigir. Regista os factos.