Ficha 02 · Motores, diagnóstico e segurança
Exercício 1 · Motor AC vs DC
Compara o motor AC com o motor DC quanto a: alimentação, manutenção (escovas) e onde tipicamente se usa num veículo elétrico moderno.
Resposta:
- AC: alimentado a corrente alternada trifásica pelo inversor; sem escovas (menos manutenção); é o motor de tração dominante nos BEV (síncrono de ímanes ou assíncrono).
- DC: alimentado a corrente contínua; simples de controlar mas tem escovas e coletor que se desgastam; usa-se sobretudo em auxiliares (ventiladores, bombas) e VEs antigos/pequenos.
Exercício 2 · Função do inversor
Explica o que faz o inversor num BEV, nos dois sentidos de funcionamento (aceleração e travagem). Porque é que aquece e como é arrefecido?
Resposta:
O inversor converte a DC da bateria em AC trifásica para o motor (aceleração) e faz o inverso na regeneração (o motor gera AC, o inversor devolve DC à bateria). Usa transístores de potência (IGBT/SiC) comutados a alta frequência, que aquecem muito; por isso tem um circuito de arrefecimento líquido e sensores que limitam a potência em sobreaquecimento.
Exercício 3 · Travagem regenerativa
O que é a travagem regenerativa e que duas vantagens traz? Em que situação fica limitada?
Resposta:
Ao travar, o motor funciona como gerador e devolve energia à bateria. Vantagens: recupera energia (mais autonomia) e poupa os travões de atrito. Fica limitada quando a bateria está cheia ou muito fria (não há onde armazenar a energia); nesse caso entra mais travão hidráulico.
Exercício 4 · Ferramenta de medição certa
Para cada tarefa, indica o instrumento adequado: (a) medir a resistência entre a AT e o chassis; (b) medir a corrente sem cortar o cabo; (c) ler os códigos de avaria e o SOC.
Resposta:
- (a) Megóhmetro (medidor de isolamento).
- (b) Pinça amperimétrica.
- (c) Equipamento de diagnóstico / scan tool (OBD).
Exercício 5 · Interpretar o isolamento
Ao testar um veículo com queixa de "avaria elétrica", mede-se 8 kΩ entre a rede AT e o chassis. Está bom? O que pode estar a causar isto e o que fazes a seguir?
Resposta:
Não está bom. Num carro são a resistência deve ser da ordem dos megohms. 8 kΩ indica uma fuga de isolamento, tipicamente por cabo laranja danificado, humidade num conector ou módulo/célula com defeito. A seguir: com a AT cortada e EPI, localizar a fuga secção a secção (isolar zonas), reparar/substituir e revalidar o isolamento antes de energizar.
Exercício 6 · Ordem do procedimento de corte
Ordena corretamente os passos de isolamento da alta tensão antes de uma reparação: (1) verificar ausência de tensão; (2) aguardar a descarga dos condensadores; (3) vestir EPI; (4) acionar o service disconnect; (5) desligar a ignição e retirar a chave.
Resposta:
Ordem correta: 5 → 3 → 4 → 2 → 1 (desligar a ignição/retirar a chave → vestir EPI → acionar o service disconnect → aguardar a descarga dos condensadores → verificar a ausência de tensão). Só depois se intervém.
Exercício 7 · EPI e riscos
Indica três EPI obrigatórios para trabalhar em alta tensão e três riscos específicos deste tipo de intervenção.
Resposta:
EPI: luvas isolantes classe 0 (1000 V) verificadas; calçado isolante; viseira/óculos; (também ferramenta isolada VDE).
Riscos: eletrocussão por AT (a corrente contínua dificulta largar); arco elétrico/queimaduras; curto-circuito por ferramenta/objeto metálico; energia armazenada nos condensadores mesmo com o carro desligado.
Exercício 8 · Veículo acidentado
Chega à oficina um BEV que sofreu um acidente com deformação junto à bateria. Enumera quatro cuidados de segurança específicos.
Resposta:
- Tratar o veículo como energizado até prova em contrário.
- Não cortar cablagem laranja; usar só os pontos de corte da ficha de resgate do modelo.
- Vigiar o risco de incêndio de bateria (thermal runaway), que pode reacender horas depois — arrefecimento e monitorização prolongada.
- Nunca trabalhar sozinho; sinalizar o posto e seguir o procedimento do fabricante.