Ficha 02 · Reparação, equilibragem e alinhamento
Exercício 1 · Reparar ou substituir?
Para cada caso, decide se reparas ou substituis o pneu: (a) furo de 4 mm no centro da banda; (b) corte de 8 mm no flanco; (c) prego de 3 mm perto do ombro, na zona da banda.
Resposta:
- (a) Furo de 4 mm na banda → reparar (mecha vulcanizada pelo interior).
- (b) Corte no flanco → substituir (o flanco nunca se repara).
- (c) Depende: só é reparável se estiver na zona da banda e ≤ 6 mm; muito perto do ombro/flanco → substituir.
Exercício 2 · Sequência de troca
Descreve, por ordem, os passos para trocar um pneu com segurança, desde afrouxar os parafusos até ao ensaio.
Resposta:
- Afrouxar os parafusos em cruz com a roda no chão.
- Levantar com o macaco no ponto de apoio e apoiar em cavaletes.
- Retirar a roda; desmontar o pneu velho.
- Montar o pneu novo (respeitar sentido de rotação e TPMS).
- Equilibrar na equilibradora.
- Montar a roda; apertar em cruz ao binário com chave dinamométrica.
- Repor pressão e reaprender TPMS.
- Ensaiar e registar.
Exercício 3 · Porquê equilibrar
Explica porque é que uma roda tem de ser equilibrada e qual a diferença entre equilíbrio estático e dinâmico.
Resposta:
Uma roda tem pequenas assimetrias de massa; a alta velocidade geram força centrífuga e vibração. Equilibrar coloca contrapesos que anulam essa assimetria.
- Estático (um plano) — corrige o "saltar" vertical.
- Dinâmico (dois planos) — corrige também o "abanar" lateral; é o método correto e o usado na equilibradora.
Exercício 4 · O binário de aperto
Porque é que os parafusos da roda se apertam com chave dinamométrica e em cruz? O que pode acontecer se apertares a mais ou de forma desigual?
Resposta:
A chave dinamométrica garante o binário exato do fabricante; o aperto em cruz assenta a roda de forma uniforme. Apertar a mais ou desigual pode empenar o disco de travão (vibração ao travar), danificar roscas ou, se ficar frouxo, soltar a roda. É uma operação de segurança.
Exercício 5 · Os quatro ângulos
Define convergência, câmber e caster, e indica um sintoma associado a cada um quando está fora de especificação.
Resposta:
- Convergência (toe) — as rodas apontam para dentro/fora vistas de cima. Errada → desgaste "em serra", carro puxa, volante descentrado.
- Câmber — inclinação da roda vista de frente. Errado → desgaste de um ombro.
- Caster — inclinação do eixo de direção vista de lado. Errado → direção leve/pesada e mau regresso a direito.
Exercício 6 · Antes de alinhar
Antes de afinar a geometria, que verificações prévias tens de fazer? Porque não se deve alinhar "às cegas"?
Resposta:
Verificar pressões, desgaste dos pneus, folgas (rótulas, tirantes, casquilhos) e a altura da suspensão; nivelar o veículo e compensar o empeno das rodas. Alinhar sobre componentes gastos dá valores falsos e o problema volta rapidamente — primeiro repara-se/substitui-se, só depois se alinha.
Exercício 7 · Eletrónica após intervir
Depois de trocar pneus e alinhar a direção, que passos eletrónicos podes ter de fazer? Porquê?
Resposta:
- Reaprender/emparelhar o TPMS — para os sensores comunicarem a pressão correta.
- Calibrar o sensor de ângulo de direção (SAS) — o ESP precisa de saber o ponto médio do volante depois de mexer na geometria.
- Verificar ABS/ESP (luzes apagadas).
Sem estas calibrações acendem-se avarias e podem desligar-se assistências de segurança.
Exercício 8 · Ambiente e resíduos
Que resíduos gera este trabalho e como devem ser encaminhados? Dá dois exemplos concretos.
Resposta:
Gera pneus usados e contrapesos (chumbo), além de resíduos oleosos e embalagens. Devem seguir para circuitos de recolha licenciados (ex.: Valorpneu para pneus), nunca o lixo comum. Cumprem-se as normas de proteção ambiental e regista-se o encaminhamento.