Ficha 02 · Diagnóstico, reparação e ensaios
Exercício 1 · A ordem do diagnóstico
Ordena corretamente os passos de um diagnóstico e justifica porque é que "abrir a caixa" fica para o fim: (a) abrir a caixa; (b) ler DTC e live data; (c) verificar nível/estado do fluido; (d) ouvir o cliente e reproduzir o sintoma; (e) testes dirigidos (stall, pressão, estrada).
Resposta:
Ordem correta: d → c → b → e → a.
Justificação: abrir a caixa é caro, demorado e irreversível. Começa-se pelo que é mais provável e barato (sintoma, nível/estado do óleo, códigos e dados, testes não invasivos). Muitas "avarias graves" resolvem-se com óleo correto + reset de adaptações + atualização de software, sem nunca abrir nada.
Exercício 2 · O código não é a sentença
Uma caixa AT dá um DTC de "relação incorreta". Um colega quer logo substituir a caixa. Explica porque é que isso está errado e o que se deve fazer.
Resposta:
Um DTC é uma pista, não um diagnóstico fechado: indica o circuito/função afetado, não a peça exata. "Relação incorreta" pode vir de ATF degradado/nível baixo, solenoide, sensor de rotação, valve body ou desgaste de embraiagens.
O correto é seguir a árvore de diagnóstico do manual: confirmar óleo, ver live data (rotações de entrada/saída, deslize, correntes dos solenoides), fazer testes dirigidos e só então isolar a causa. Substituir a caixa a partir do código arrisca trocar peça boa mantendo a avaria.
Exercício 3 · Interpretar live data
Numa prova de estrada com o scan tool ligado, registas: rotação de entrada muito superior à esperada para a velocidade e a relação, ATF a subir de temperatura, e o lock-up "a fechar e abrir". Que interpretas?
Resposta:
A entrada a rodar acima do esperado para a velocidade/relação indica deslize (embraiagens a patinar ou conversor). O aquecimento do ATF é consequência desse deslize. O lock-up instável aponta para shudder/solenoide TCC ou ATF degradado.
Conclusão: provável desgaste de embraiagens/ATF degradado e/ou problema no circuito de lock-up. Passo seguinte: verificar estado/nível do fluido, testar pressão de linha e comparar com o manual antes de decidir intervenção interna.
Exercício 4 · Stall test
Explica o que é o stall test, que cuidado de segurança é essencial, e o que significa uma rotação de stall acima e abaixo do intervalo do manual.
Resposta:
O stall test mede a rotação máxima do motor com o veículo travado (travão de pé e de mão, calços) e uma relação engrenada, durante poucos segundos, para avaliar conversor e embraiagens sob carga.
Cuidado essencial: ensaio muito breve para não sobreaquecer a caixa; imobilização total do veículo.
- Rotação acima do intervalo → deslize (roda-livre do estator ou embraiagens a patinar).
- Rotação abaixo do intervalo → falta de potência do motor (não da caixa) ou estator bloqueado.
Exercício 5 · Serviço de fluido bem feito
Descreve os passos de uma substituição de ATF correta, incluindo como se verifica o nível. Que erro é muito comum nesta operação?
Resposta:
- Confirmar a especificação exata do fluido no manual e o método (gravidade, bomba ou máquina de flush).
- Escoar o fluido e o cárter; limpar o íman/cárter (limalha indica desgaste) e substituir o filtro.
- Montar com junta/vedante novo e binário correto.
- Encher com a quantidade indicada.
- Verificar o nível à temperatura definida (muitas caixas exigem uma janela de temperatura, ex.: com o motor a trabalhar e a caixa numa faixa específica), pelo bujão de nível ou procedimento do fabricante.
Erro comum: verificar o nível a frio quando o manual pede uma temperatura definida → leitura falsa e nível incorreto (a mais ou a menos), com mau comportamento da caixa.
Exercício 6 · Reaprendizagem depois da reparação
Depois de substituir a embraiagem de uma DSG, o carro continua a trepidar no arranque. Também numa CVT, depois de intervenção, as mudanças (simuladas) ficam estranhas. Qual é o passo que costuma faltar?
Resposta:
Falta a reaprendizagem/adaptação com o equipamento de diagnóstico. A TCU guarda valores adaptativos (pontos de embraiagem, pressões) e, após trocar componentes, precisa de recalibrar.
- Na DSG: reaprender os pontos de embraiagem (e confirmar atualização de software da mecatrónica).
- Na CVT: fazer o reset/adaptação do sistema após o serviço.
Sem esse passo, a caixa continua a usar os valores antigos e o comportamento anómalo mantém-se.
Exercício 7 · Reparar limpo
Vais desmontar e reparar um valve body. Enumera cinco boas práticas de montagem/reparação que garantem que o trabalho fica bem feito.
Resposta:
- Trabalhar limpo — a menor partícula danifica o valve body; bancada limpa e peças organizadas por ordem.
- Fotografar e etiquetar antes de desmontar; seguir o esquema de montagem (mecânico e elétrico) do fabricante.
- Respeitar binários de aperto e sequências com chave dinamométrica.
- Substituir juntas, o-rings e vedantes por novos; nunca reutilizar.
- Limpar canais (ar comprimido) e verificar/substituir solenoides; no fim, encher com o fluido certo e fazer a calibração/adaptação.
Exercício 8 · Critério de aceitação do ensaio final
Terminada a reparação, que provas fazes e quais são os critérios para considerares a caixa "aprovada"?
Resposta:
Provas: verificação estática (nível, estanquidade, sem DTC ativos após limpar memória), stall test breve, teste de pressão de linha, prova em rampa/elevador e prova de estrada com registo de dados.
Critérios de aceitação: a caixa muda de forma suave e firme, sem solavancos anómalos, sem ruídos, sem fugas, com lock-up a fechar, temperaturas normais, e sem DTC ativos. Por fim, limpa-se a memória e regista-se o serviço no sistema informático da oficina.