Ficha de Trabalho 2 — Conversor Buck e Dissipação Térmica de MOSFET
Ficha de Trabalho 2 — UC02955
Conversor Buck e Gestão Térmica
Duração: 90 minutos | Consulta: Sebenta, datasheets fornecidos | Calculadora: Obrigatória
Grupo I — Verdadeiro / Falso (20 pontos)
- Num conversor buck, o duty cycle D é directamente proporcional à tensão de saída. ___
- Um conversor boost (elevador) em modo de condução contínua tem a relação V_out = V_in / (1-D). ___
- No modo de condução descontínua (DCM) de um conversor buck, a tensão de saída é sempre superior ao do modo CCM para o mesmo duty cycle. ___
- A pasta térmica diminui a resistência térmica entre o componente e o dissipador, preenchendo as micro-irregularidades das superfícies. ___
- Um MOSFET com R_DS(on) = 50 mΩ a conduzir 10 A tem perdas de condução de 5 W. ___
- Para um conversor buck com V_in = 24V, V_out = 12V, o duty cycle ideal é 50%. ___
- O díodo freewheeling num conversor buck conduz quando o switch principal está fechado (ON). ___
- Aumentar a frequência de comutação de um conversor buck permite usar um indutor de menor valor de indutância. ___
- No cálculo da temperatura de junção, as resistências térmicas em série somam-se linearmente. ___
- O dead time num inversor deve ser configurado ao valor mínimo possível para maximizar a eficiência (menos harmónicas). ___
Soluções — Grupo I
- V — V_out = D × V_in (CCM). D maior → V_out maior. Relação directamente proporcional.
- V — Boost CCM: V_out = V_in / (1−D). Para D=0,5: V_out = 2×V_in; para D=0,75: V_out = 4×V_in.
- F — No DCM, a tensão de saída tende a ser superior ao CCM para a mesma carga leve (ou o duty cycle fica menor para o mesmo V_out). Na verdade em DCM a relação V_out=D×V_in não é válida — a tensão de saída depende também da corrente de carga. A afirmação simplificada de "sempre superior" não é precisa; depende das condições. Esta é uma área de nuance, mas a afirmação tal como está é enganosa/falsa como regra geral.
- V — A pasta térmica (thermal compound/grease) tem condutividade térmica de 1–20 W/m·K (vs. ar ≈ 0,025 W/m·K). Preenche as micro-cavidades entre as superfícies do componente e do dissipador, reduzindo drasticamente R_th,cs.
- V — P_cond = R_DS(on) × I² = 0,050 × 10² = 0,050 × 100 = 5 W.
- V — D = V_out/V_in = 12/24 = 0,5 = 50%.
- F — O díodo freewheeling conduz quando o switch principal está aberto (OFF): o indutor tenta manter a corrente e o díodo proporciona o caminho de circulação. Quando o switch está ON, o díodo está inversamente polarizado (bloqueado).
- V — ΔI_L = (V_in−V_out)×D/(L×f_sw). Para ΔI_L constante, L ∝ 1/f_sw. Dobrar a frequência → indutor metade. Maior f_sw → indutor menor, condensador menor → circuito mais compacto.
- V — Analogia eléctrica: as resistências térmicas em série somam-se: R_th,total = R_th,jc + R_th,cs + R_th,sa.
- F — O dead time deve ser configurado para o valor mínimo seguro para o hardware (não ao mínimo absoluto). O mínimo seguro é o tempo necessário para que o switch que apagou tenha a tensão totalmente estabelecida antes do switch oposto acender. Dead time muito curto → risco de curto-circuito transitório. Dead time excessivo → distorção da forma de onda de saída (dead band effect) e perdas adicionais.
Grupo II — Dimensionamento de Conversor Buck (40 pontos)
Problema — Conversor Buck 24V → 5V / 2A
Projecto de um conversor buck com as seguintes especificações: - V_in = 24 V DC (±10%: mínimo 21,6V, máximo 26,4V) - V_out = 5 V ±2% - I_out = 0,5 A a 2 A (variável) - Ondulação de corrente ΔI_L ≤ 20% de I_out_max = 0,4 A - Ondulação de tensão ΔV_out ≤ 50 mV - Frequência de comutação f_sw = 200 kHz
a) Calcule o duty cycle nominal e os limites (para V_in_min e V_in_max).
b) Calcule o valor mínimo de indutância L para garantir ΔI_L ≤ 0,4 A no pior caso (V_in máximo).
Use: $$L = \frac{(V_{in,max} - V_{out}) \times D_{min}}{f_{sw} \times \Delta I_L}$$
c) Calcule o valor mínimo de condensador de saída para ΔV_out ≤ 50 mV.
Use: $$C_{out} = \frac{\Delta I_L}{8 \times f_{sw} \times \Delta V_{out}}$$
d) A corrente de pico no MOSFET é I_out + ΔI_L/2. Calcule I_peak e verifique se um MOSFET IRF540N (100V, 33A, R_DS(on) = 44 mΩ) é adequado.
e) Calcule as perdas de condução do MOSFET (P_cond = R_DS(on) × I_rms² onde I_rms ≈ I_out × √D para conversor buck).
Soluções — Problema
a) Duty cycle nominal e limites:
Nominal (V_in = 24V): $$D_{nom} = \frac{V_{out}}{V_{in}} = \frac{5}{24} = \mathbf{0,208 = 20,8\%}$$
V_in mínimo (21,6V): $$D_{max} = \frac{5}{21,6} = \mathbf{0,231 = 23,1\%}$$
V_in máximo (26,4V): $$D_{min} = \frac{5}{26,4} = \mathbf{0,189 = 18,9\%}$$
b) Indutância mínima (pior caso = V_in máximo):
$$L = \frac{(V_{in,max} - V_{out}) \times D_{min}}{f_{sw} \times \Delta I_L} = \frac{(26,4 - 5) \times 0,189}{200\,000 \times 0,4} = \frac{21,4 \times 0,189}{80\,000} = \frac{4,045}{80\,000} = \mathbf{50,6 \text{ µH}}$$
Usar indutor standard: 56 µH (próximo valor standard acima de 50,6 µH)
Verificação: ΔI_L_real = (26,4−5)×0,189/(200000×56×10⁻⁶) = 4,045/11,2 = 0,361 A ✓ (< 0,4 A)
c) Condensador de saída:
$$C_{out} = \frac{\Delta I_L}{8 \times f_{sw} \times \Delta V_{out}} = \frac{0,4}{8 \times 200\,000 \times 0,050} = \frac{0,4}{80\,000} = \mathbf{5 \text{ µF}}$$
Usar: 10 µF / 10V capacitor electrolítico SMD de baixo ESR (ESR < 25 mΩ para manter ΔV_out dentro do limite)
Nota: a ondulação devida ao ESR do condensador pode dominar: ΔV_ESR = ESR × ΔI_L = 0,025 × 0,4 = 10 mV → contribuição aceitável.
d) Corrente de pico e verificação MOSFET:
$$I_{peak} = I_{out,max} + \frac{\Delta I_L}{2} = 2 + \frac{0,4}{2} = 2 + 0,2 = \mathbf{2,2 \text{ A}}$$
IRF540N: I_D = 33 A (muito acima de 2,2 A), V_DS = 100 V (acima de 26,4 V + margem) → ADEQUADO (na verdade é sobredimensionado; para 24V/2A bastaria um MOSFET de 10A).
e) Perdas de condução do MOSFET:
I_rms (MOSFET em buck) ≈ I_out × √D = 2 × √0,208 = 2 × 0,456 = 0,912 A
$$P_{cond} = R_{DS(on)} \times I_{rms}^2 = 0,044 \times (0,912)^2 = 0,044 \times 0,832 = \mathbf{0,037 \text{ W} = 37 \text{ mW}}$$
As perdas de condução são muito baixas (37 mW) — as perdas de comutação dominam a este nível de potência.
Grupo III — Verificação de Dissipação Térmica (40 pontos)
Exercício — Dimensionamento do Sistema de Arrefecimento
O conversor buck do Grupo II usa: - MOSFET IRF540N com perdas totais estimadas P_d = 0,8 W (condução + comutação) - Díodo Schottky MBRS360 (3A, 60V) com perdas de condução P_d_diodo = 0,6 W
Dados dos datasheets: - IRF540N: R_th,jc = 1,47 °C/W; T_j,max = 175°C - MBRS360: R_th,jc = 25 °C/W; T_j,max = 125°C - Temperatura ambiente máxima: 60°C
a) Para o MOSFET sem dissipador (bare PCB), calcule a temperatura de junção. Use R_th,cs = 5 °C/W (cárter TO-263 → PCB sem dissipador).
b) A temperatura calculada é aceitável? Se não, qual a resistência térmica máxima dissipador-ar (R_th,sa) necessária se usar um dissipador com R_th,cs = 0,5 °C/W?
c) Para o díodo MBRS360 (encapsulamento SMB em PCB), calcule a temperatura de junção sem dissipador especial. R_th,cs (SMB → PCB) = 10 °C/W.
d) Proponha o layout de PCB adequado para minimizar as resistências térmicas (área de cobre, vias de calor).
Soluções — Grupo III
a) Temperatura de junção do MOSFET sem dissipador:
$$T_j = T_a + P_d \times (R_{th,jc} + R_{th,cs})$$ $$T_j = 60 + 0,8 \times (1,47 + 5,0) = 60 + 0,8 \times 6,47 = 60 + 5,18 = \mathbf{65,2°C}$$
b) Verificação e dissipador necessário:
65,2°C << 175°C (limite MOSFET) → ACEITÁVEL sem dissipador adicional!
O MOSFET IRF540N a 0,8 W com encapsulamento TO-263 em PCB está bem dentro dos limites térmicos.
Se fosse necessário dissipador (hipotético com P_d = 20 W): T_j = 60 + 20 × (1,47 + 5) = 60 + 129,4 = 189,4°C > 175°C → NOK
R_th,sa max: 175−60 = 115°C disponíveis para toda a cadeia; já ocupados por Rjc+Rcs = 6,47 °C/W → sobraria −4,7°C/W → sem margem → dissipador com R_th,sa negativo não é fisicamente possível → aumentar a corrente admissível do MOSFET (escolher um com R_DS(on) menor e R_th,jc menor).
c) Temperatura de junção do díodo:
$$T_j = 60 + 0,6 \times (25 + 10) = 60 + 0,6 \times 35 = 60 + 21 = \mathbf{81°C}$$
81°C < 125°C (limite MBRS360) → ACEITÁVEL.
Margem: 125 − 81 = 44°C → margem confortável.
d) Recomendações de layout PCB para gestão térmica:
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Área de cobre (copper pour): colocar o MOSFET e o díodo sobre uma área de cobre exposta de pelo menos 4 cm² (pad de dissipação de calor) na face inferior do PCB
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Via stitching térmico: colocar 8–16 vias de 0,3–0,5 mm de diâmetro directamente sob o pad térmico do componente, conectando a área de cobre do topo ao cobre da face inferior (aumenta a área de dissipação para o ar e para o plano de terra)
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Pasta térmica e pad térmico soldado: garantir que o pad de exposição (exposed pad) do MOSFET está totalmente soldado ao PCB (pasta suficiente, perfil de reflow adequado)
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Separação de componentes: colocar o MOSFET e o díodo com espaçamento suficiente para não se influenciarem mutuamente termicamente (mínimo 5 mm de separação)
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Condutores de alta corrente: largura do condutor (trace) calculada para < 20°C de elevação de temperatura: para 2 A, espessura de cobre 35 µm, largura mínima ≈ 1,5 mm (usar calculadora de traces IPC-2221)
Ficha de Trabalho 2 — UC02955 — TMIM — Aulify