Ficha de Trabalho 2 — Interpretação de Esquemas e Medição de Isolamento
Ficha de Trabalho 2 — UC02949
Interpretação de Esquemas e Medição de Isolamento
Duração: 90 minutos | Consulta: IEC 60364, tabelas de dimensionamento | Calculadora: Permitida
Grupo I — Verdadeiro / Falso (20 pontos)
- Num esquema unifilar trifásico, uma linha representa sempre 3 condutores de fase mais o neutro e o PE. ___
- O grau de protecção IP20 é suficiente para um quadro eléctrico instalado no exterior de um edifício. ___
- Num relé térmico com compensação de temperatura, a curva de disparo mantém-se constante mesmo quando a temperatura ambiente varia entre -20°C e +60°C. ___
- A termografia de um quadro eléctrico deve ser realizada com todos os disjuntores abertos para poder fotografar os condutores. ___
- O aperto insuficiente de terminais de condutores num quadro pode causar aquecimento localizado detectável por termografia. ___
- Um contactor AC-1 é adequado para o arranque de motores de gaiola de esquilo em carga. ___
- A norma IEC 60947-4-1 define as características dos relés térmicos, incluindo a classe de disparo (Class 10, 20, etc.). ___
- Para a medição de isolamento de um circuito com VFD instalado, o VFD deve ser desligado fisicamente da alimentação e desconectado do motor. ___
- A corrente de curto-circuito disponível num ponto da instalação aumenta quando o comprimento do cabo entre esse ponto e o transformador aumenta. ___
- O circuito de auto-sustentação (self-holding) num arranque de motor DOL mantém o contactor fechado mesmo depois de soltar o botão de marcha. ___
Soluções — Grupo I
- F — Num esquema unifilar, uma linha simples pode representar apenas os condutores de potência (L1, L2, L3), sem incluir necessariamente o neutro e o PE (que podem ser representados separadamente ou indicados por anotação).
- F — IP20 não tem protecção contra líquidos. Para exterior, o mínimo é IP44 (protegido contra salpicos) ou IP54/65 para ambientes mais agressivos.
- V — Relés térmicos com compensação bimetálica de temperatura usam um segundo elemento bimetálico que compensa a variação da temperatura ambiente, mantendo a curva de disparo consistente.
- F — A termografia deve ser realizada com o quadro energizado e em carga (no mínimo 30% da carga nominal). Sem carga não há circulação de corrente e portanto não há pontos quentes a detectar.
- V — Aperto insuficiente aumenta a resistência de contacto → R × I² → aquecimento → ponto quente visível na termografia. É uma das aplicações mais valiosas da termografia em quadros eléctricos.
- F — AC-1 é para cargas resistivas (aquecimento, iluminação incandescente). Para motores de gaiola usa-se AC-3 (arranque e paragem com motor em marcha).
- V — A IEC 60947-4-1 (Contactores e Arrancadores) define as classes de disparo dos relés térmicos: Classe 10 (disparo em ≤10s com 7,2×I_ajuste), Classe 20, etc.
- V — Os condensadores de bus DC dos VFDs ficam carregados mesmo com o VFD desligado. Além disso, os inversores podem ser danificados pela tensão DC do Megger. É obrigatório desligar e desconectar o VFD antes de qualquer medição de isolamento.
- F — A corrente de curto-circuito diminui com o aumento do comprimento do cabo, porque a impedância do cabo aumenta, limitando a corrente (I_cc = U/Z_total; maior Z → menor I_cc).
- V — O contacto auxiliar NO do contactor (K1) colocado em paralelo com o botão de marcha (S1 NO) mantém a bobine energizada mesmo após soltar S1. É o circuito de auto-sustentação.
Grupo II — Interpretação de Esquema e Identificação de Erros (40 pontos)
Problema — Análise de Esquema de Quadro Motor
Analise o seguinte esquema de circuito de comando de um motor trifásico com arranque DOL (simplificado em texto):
CIRCUITO DE COMANDO (230V AC)
────────────────────────────────
L (230V) ──[F2 - fusível 2A]──┬──────────────────────────────────────── N
│
[S0 - NC] ← Botão de paragem (amarelo)
│
[S1 - NO] ← Botão de marcha (verde)
│
[K1 - NO] ← Contacto de auto-sustentação
│
[K1 - Bobine]
│
──── N
INDICADORES:
H1 (verde) — em paralelo com K1 (bobine): indica motor em marcha
H2 (vermelho) — em paralelo com F1 (relé térmico NC): indica disparo térmico
Erro identificado 1: O botão de paragem S0 (Emergency Stop) está representado como NC (normalmente fechado). O projecto pede um botão de paragem de emergência tipo cogumelo com encravamento manual.
Erro identificado 2: H1 (sinalização de marcha verde) está ligado em paralelo com K1 (bobine). Isto significa que a luz verde acende quando K1 está energizado, mesmo que o motor não esteja a rodar (ex.: motor desligado por relé térmico com K1 ainda energizado por auto-sustentação).
Erro identificado 3: Não existe contacto NC do relé térmico F1 em série com a bobine de K1 — o motor não pára automaticamente em caso de sobrecarga; apenas activa H2.
a) Identifique e descreva os 3 erros do esquema fornecido.
b) Para cada erro, explique as consequências práticas para a segurança ou para o funcionamento.
c) Escreva o esquema correcto (em texto ou diagrama ASCII) com os 3 erros corrigidos.
Soluções — Problema II
a) Três erros do esquema:
Erro 1 — Botão de paragem não é de emergência: O esquema usa S0 (NC) como botão de paragem simples. O projecto pede botão de paragem de emergência (E-STOP) tipo cogumelo com encravamento e retorno manual (não retorna automaticamente quando se solta). Os botões de emergência têm cor vermelha e fundo amarelo, e devem ser conformes à EN ISO 13850.
Erro 2 — Sinalização de marcha incorrecta: H1 ligado em paralelo com a bobine de K1 acende quando o contactor está fechado, mas não indica necessariamente que o motor está a rodar (ex.: se o relé térmico F1 disparou mas o esquema não desliga K1 automaticamente — ver Erro 3 — H1 continua acesa com motor parado). A sinalização deve estar em paralelo com o contacto auxiliar NO de K1 após o relé térmico para ser precisa.
Erro 3 — Relé térmico não está em série com a bobine: O contacto NC do relé térmico F1 deve estar em série com a bobine de K1. Assim, quando F1 dispara, o seu contacto NC abre → K1 desenergia → motor para. Sem esta ligação, o motor não pára em caso de sobrecarga; apenas acende H2, o que pode causar dano no motor.
b) Consequências práticas:
Erro 1: Um botão de paragem normal (retorno automático) pode ser acidentalmente reenergizado ao passar perto dele (vibração). Um E-STOP com encravamento obriga intervenção deliberada antes de reiniciar — requisito de segurança EN ISO 13850.
Erro 2: Operador pode pensar que o motor está em marcha (H1 aceso) quando na realidade parou por sobrecarga. Se o operador não verificar fisicamente e reiniciar sem investigar a causa do disparo → risco de dano no motor e no processo.
Erro 3: Motor em sobrecarga não pára automaticamente. O relé térmico aquece, dispara, mas K1 mantém-se fechado. O motor continua a ser alimentado mas sem protecção activa. Resultado provável: queima dos enrolamentos do motor.
c) Esquema corrigido:
CIRCUITO DE COMANDO CORRIGIDO (230V AC)
─────────────────────────────────────────────────────────
L (230V) ──[F2 - fusível 2A]──┬─────────────────────────── N
│
[S0_ESTOP - NC, cogumelo encravamento]
│
[F1 - contacto NC relé térmico] ← CORRECÇÃO ERRO 3
│
[S1 - NO] ← Botão marcha
│
[K1 - NO] ← Auto-sustentação
│
[K1 - Bobine]
│
─── N
SINALIZAÇÃO CORRIGIDA:
H1 (verde) — em paralelo com K1 NO auxiliar (após F1 NC) ← CORRECÇÃO ERRO 2
→ acende apenas quando motor em marcha E sem disparo térmico
H2 (vermelho) — em paralelo com F1 NC (invertido = NC de sinalização de F1)
→ acende quando relé térmico dispara
NOTA ERRO 1: S0_ESTOP substituído por botão cogumelo vermelho/amarelo,
encravamento por rotação, conformidade EN ISO 13850
Grupo III — Procedimento de Medição de Isolamento (40 pontos)
Exercício — Medição de Isolamento em Instalação Industrial
Um técnico é chamado para verificar o isolamento de um painel de distribuição industrial que apresenta disparo periódico do diferencial de 300 mA.
Dados: - Painel com 5 circuitos: 3× monofásicos 230V, 2× trifásicos 400V - Todos os circuitos têm VFD ou variadores electrónicos - Um dos circuitos trifásicos (Motor 3, 22 kW) foi recentemente reparado após inundação
a) Descreva o procedimento passo a passo para localizar o circuito com fuga de isolamento, utilizando o método de isolamento progressivo.
b) O técnico mede 0,4 MΩ no circuito do Motor 3 (reparado após inundação). Que valor era esperado? O que deve fazer?
c) Explique por que razão todos os VFDs devem ser desconectados antes de usar o Megger, e o que acontece se não forem.
d) Após corrigir o problema e obter 2,5 MΩ no Motor 3, o diferencial continua a disparar. Que outro problema pode existir e como investigaria?
Soluções — Grupo III
a) Método de isolamento progressivo:
Objectivo: identificar qual o circuito responsável pelo disparo do diferencial, sem medir todos os circuitos com o Megger ao mesmo tempo.
Procedimento: 1. Desligar o diferencial principal e verificar que todos os circuitos estão sem tensão 2. Abrir (OFF) todos os disjuntores dos 5 circuitos 3. Desconectar fisicamente todos os VFDs dos cabos de motor e alimentação (terminais U,V,W,L1,L2,L3) 4. Medir isolamento total do painel (com todos os circuitos abertos mas cabos ligados): Megger L→PE e N→PE 5. Fechar (ligar ao circuito) os disjuntores um de cada vez e medir o isolamento após cada ligação 6. O circuito que causa queda significativa no isolamento é o culpado 7. Isolar esse circuito para reparação; verificar que os restantes têm isolamento ≥ 1 MΩ
b) Análise do Motor 3 (0,4 MΩ):
Valor esperado: ≥ 1 MΩ (circuito 400V, Megger 1 kV DC, IEC 60364-6).
0,4 MΩ está abaixo do mínimo → instalação não está em condições de funcionar com segurança.
Acções: 1. Desligar o Motor 3 (manter em bloqueio LOTO) 2. Desconectar os terminais do motor dos cabos 3. Medir isolamento do motor isoladamente: - Se motor < 1 MΩ → motor húmido → secar em estufa 60°C/24h e repetir teste - Se motor ≥ 1 MΩ → problema na cablagem → inspecção visual e medição por segmentos 4. Após correcção, medir novamente → ≥ 1 MΩ antes de energizar 5. Registar os valores no CMMS
c) Porquê desconectar os VFDs:
Razão 1 — Dano no VFD: O Megger aplica tensão DC elevada (500–1000 V DC). Os componentes semicondutores (IGBTs, díodos, capacitors) dos VFDs são sensíveis a tensão superior à sua tensão de crista de trabalho. Aplicar 1000 V DC num VFD de 400 V pode destruir os IGBTs (tensão máxima típica: 600–800 V).
Razão 2 — Medições incorrectas: Os condensadores de bus DC dos VFDs carregam-se com a tensão do Megger e depois descarregam no circuito, podendo simular uma fuga onde não existe, ou mascarar uma fuga real.
Se não forem desconectados: resultado é não fidedigno e o equipamento pode ficar danificado.
d) Diferencial continua a disparar após correcção:
Possíveis causas:
-
Outro circuito também com fuga: A correcção do Motor 3 resolveu parte do problema mas há outra fuga (ex.: o Motor 3 não era o único circuito com fuga — podem ser múltiplas fugas cumulativas que somadas excedem 300 mA)
-
Corrente de fuga capacitiva dos VFDs: VFDs com filtros EMC de entrada têm correntes de fuga para terra (capacitores Y de filtro): tipicamente 1–30 mA por VFD. Com 2 VFDs pode ser 20–60 mA total — pode eventualmente somar com pequenas fugas residuais e ultrapassar 300 mA em transitórios
-
Diferencial defeituoso: O RCD foi exposto à humidade (inundação) e pode ter a corrente de disparo reduzida
Investigação: - Repetir medição de isolamento circuito a circuito com Megger - Medir corrente de fuga real (clamp meter de alta resolução em modo mA) no condutor PE, com todos os VFDs em funcionamento - Verificar a corrente de disparo do diferencial: usar testador de RCDs (injecta corrente de fuga controlada) - Se diferencial falha no teste a 300 mA → substituir o RCD
Ficha de Trabalho 2 — UC02949 — TMIM — Aulify