Ficha 01 · Inspecção visual e ensaios
- Inspecção
- Ensaios
- RTIEBT
- Casos
Parte I · Inspecção visual
Exercício 1 · Checklist (15 pts)
Elabora checklist de inspecção visual para um quadro eléctrico industrial (63A trifásico, 8 circuitos):
Checklist — Quadro Industrial 63A 3F
Exterior: - [ ] Quadro identificado (nome, características). - [ ] Acesso desimpedido (> 0,7 m à frente). - [ ] Porta com bloqueio funcional (chave). - [ ] Sinalização de perigo eléctrico visível. - [ ] Indicação "Quadro Eléctrico — Pessoal Autorizado". - [ ] Sem objectos armazenados em frente. - [ ] Extintor próximo (CO2 ou pó ABC).
Interior (com quadro desligado e seguindo 5 regras de ouro):
Estrutura: - [ ] Caixa sem deformação. - [ ] Sem corrosão. - [ ] Carcassa ligada à terra (continuidade < 0,1 Ω). - [ ] Ventilação adequada (sem obstruções).
Limpeza: - [ ] Sem poeira excessiva. - [ ] Sem teias de aranha. - [ ] Sem insectos / pequenos animais.
Identificação: - [ ] Etiquetas de cada circuito legíveis. - [ ] Esquema unifilar plastificado dentro. - [ ] Esquema actualizado com modificações.
Disjuntores: - [ ] Geral 63A presente e funcional. - [ ] 8 secundários conforme projecto. - [ ] Calibres adequados aos circuitos. - [ ] Curvas adequadas (B para iluminação, C tomadas, D motores). - [ ] Posição correcta (armado). - [ ] Sem sinais de queimadura.
DRs: - [ ] DR geral presente. - [ ] DRs por circuito de tomadas (30 mA). - [ ] Botão TEST funciona. - [ ] Etiquetas indicam sensibilidade.
Bornes e conexões: - [ ] Todos apertados (verificar com chave dinamométrica). - [ ] Sem sinais de queimadura. - [ ] Sem fios soltos. - [ ] Cores correctas (L1 castanho, L2 preto, L3 cinzento, N azul, PE verde-amarelo). - [ ] Bornes PE e N separados.
Cabos: - [ ] Sem danos visíveis no isolamento. - [ ] Identificados (etiquetas em pontos críticos). - [ ] Curva mínima respeitada. - [ ] Fixados (calhas, abraçadeiras).
Réguas de bornes: - [ ] Régua PE (verde-amarelo). - [ ] Régua N (azul). - [ ] Separadas. - [ ] Identificadas.
Termografia: - [ ] Recomendado fazer em carga (após inspecção visual com desligado). - [ ] Bornes principais sem pontos quentes anormais.
Conformidade: - [ ] Disjuntor geral acessível sem abrir tampa. - [ ] Identificação de cada circuito legível. - [ ] Capacidade de corte (Icc) adequada.
Documentação: - [ ] Esquema dentro do quadro. - [ ] Histórico de manutenção. - [ ] Certificado da última inspecção legal.
Observações:
Resultado: ☐ Apto ☐ Apto com restrições (listar): ☐ Não apto (urgente)
Inspector: ___ Data: _//
Parte II · Ensaios
Exercício 2 · Continuidade PE (10 pts)
Numa habitação T2 vais medir continuidade do PE.
a) Que equipamento? b) Procedimento? c) Critério? d) Que fazer se valor > 1 Ω?
a) Equipamento:
- Multifuncional (Megger MFT, Fluke 1664, etc.) em modo "continuity" ou "low-resistance".
- Em alternativa: multímetro standard em modo Ω (limitação: pode não ter corrente de teste suficiente).
- Ideal: instrumento com corrente de teste alta (200 mA mínimo) para reproduzir condições reais.
- Cabos de medição com pontas isoladas para segurança.
b) Procedimento:
-
5 regras de ouro: desligar quadro principal, bloquear, verificar ausência de tensão.
-
Zerar o instrumento (pontas em curto, valor deve dar 0,00 Ω; ajustar se necessário).
-
Localizar borne PE no quadro (régua verde-amarelo).
-
Conectar uma ponta ao borne PE.
-
Tocar com a outra ponta em cada ponto a verificar:
- Carcassas metálicas de tomadas (em modelos com terminal de terra acessível na parte exterior, ou abrir tomada para aceder).
- Encanamentos metálicos (se equipotencializados).
- Banheira metálica.
- Carcassa de qualquer equipamento fixo (caldeira, aquecedor).
- Sub-quadros se houver.
-
Eléctrodo de terra (acessível na caixa de inspecção).
-
Registar valor para cada ponto.
Tempo: para casa T2: ~30-60 min.
c) Critério:
RTIEBT: R < 0,5 Ω. Recomendado: R < 0,1 Ω.
Se R < 0,1 Ω: excelente. Se 0,1 < R < 0,5 Ω: aceitável. Se 0,5 < R < 1 Ω: limítrofe; investigar. Se R > 1 Ω: não conforme; corrigir.
d) Se R > 1 Ω (ou > 0,5 Ω para critério rigoroso):
Possíveis causas:
- Ligação solta no quadro (régua PE).
- Ligação solta na tomada (parafuso do terminal PE).
- Cabo PE oxidado ou degradado.
- Cabo PE cortado em algum ponto.
- Eléctrodo de terra com problema (oxidação, ligação solta).
- Resistência de terra alta.
Acções:
- Re-medir verificando contactos.
- Apertar bornes no quadro e na tomada testada (verificar com chave dinamométrica).
- Limpar oxidação se visível.
- Verificar caixa de inspecção do eléctrodo de terra.
- Se persiste: rastrear cabo PE; pode ter sido cortado durante obras (raro mas acontece).
- Substituir componente avariado.
Em caso de não-conformidade: - Marcar como crítica no relatório. - Acção urgente (< 7 dias). - Não pôr em serviço até resolver.
Exercício 3 · Isolamento (15 pts)
Vais medir isolamento numa instalação industrial: - Quadro 100A 3F. - 15 circuitos. - Cabos XLPE em conduítes.
a) Equipamento? b) Procedimento detalhado? c) Critério? d) Análise de resultado de 0,5 MΩ entre L1 e PE.
a) Equipamento:
- Megger 1000 V CC (ou 500 V) — para BT industrial.
- Multifuncional (Fluke 1664, Metrel MI 3155) suporta.
- Megger dedicado (Fluke 1507, Metrel MI 3210) mais robusto.
- Custo: 200-600 €.
Equipamento adicional: - Pontas isoladas. - Pinças tipo crocodilo. - EPI: luvas isolantes Classe 0, óculos.
b) Procedimento detalhado:
Preparação:
- Comunicar com operação (paragem programada).
- 5 regras de ouro: desligar quadro principal, bloquear, verificar.
- Desligar todos os equipamentos:
- Lâmpadas (com lâmpadas conectadas, lê-se isolamento da lâmpada, não do cabo).
- Aparelhos electrónicos (megger 1000V pode danificar).
- Capacitores (descarregar primeiro).
-
Motores (separar do circuito, megger separadamente).
-
Verificar instrumento:
- Calibração válida.
- Bateria carregada.
- Auto-teste pré-medição.
Medição — para cada circuito:
- Localizar terminais do circuito no quadro:
- Fase (L1, L2 ou L3).
- Neutro (N).
-
Terra (PE).
-
Medições (com circuito desligado, sem cargas):
a) L vs PE (1 ou 3 fases conforme circuito): - Conectar megger entre L1 (e desligar do disjuntor) e PE. - Premir TEST. - Esperar 1 minuto. - Ler valor. - Registar.
b) N vs PE: - Idem entre N e PE.
c) L vs N: - Idem entre L e N.
d) Em trifásicos: também L vs L (entre fases).
- Repetir para cada circuito.
Tempo: ~10-20 minutos por circuito. Para quadro de 15 circuitos: ~3-5 horas.
c) Critério:
RTIEBT: - R > 1 MΩ mínimo (BT até 500 V). - R > 1 MΩ para 230/400V CA.
Recomendado: - R > 100 MΩ para instalação nova. - R > 10 MΩ para instalação em uso aceitável.
d) Resultado de 0,5 MΩ entre L1 e PE:
Análise: 0,5 MΩ está ABAIXO do critério RTIEBT (1 MΩ).
Significa: existe fuga de isolamento significativa entre o condutor de fase L1 e o sistema de terra.
Causas possíveis:
- Humidade no isolamento dos cabos (causa mais comum em instalações antigas ou após inundação).
- Isolamento envelhecido / fissurado (cabos de PVC após 20-30 anos).
- Equipamento ainda ligado ao circuito durante medição (motor, lâmpada, etc.) — verificar.
- Curto parcial entre fase e PE (raro mas possível).
- Contaminação (óleo, químicos infiltrados no cabo).
Acções:
- Confirmar que todos os equipamentos estão desconectados.
- Repetir medição para confirmar.
- Localizar o ponto de fuga:
- Desconectar partes do circuito uma a uma.
- Medir cada secção isoladamente.
-
Identificar segmento com baixo isolamento.
-
Inspeccionar cabo desse segmento:
- Visual: rachaduras, deformações.
- Caixas de derivação: humidade.
-
Conexões: oxidação.
-
Reparar ou substituir secção comprometida.
-
Re-medir após reparação.
Antes de pôr em serviço: - Confirmar R > 1 MΩ mínimo.
Documentação: - Não-conformidade GRAVE. - Acção: corrigir antes de pôr em serviço. - Prazo: imediato.
Risco se não corrigir: - Choque eléctrico: fuga à terra pode causar tensão em carcaças metálicas. - Incêndio: arco em isolamento pode iniciar incêndio. - Aquecimento: corrente de fuga aquece localmente.
Parte III · DR e RTIEBT
Exercício 4 · Teste DR (10 pts)
Tens DR 30 mA tipo A no quadro. Tens que testá-lo com instrumento.
a) Equipamento. b) Procedimento. c) Critérios. d) Que fazer se falhar teste?
a) Equipamento:
- Testador de DR específico (Fluke 1664, Metrel MI 3155 — função RCD).
- Equipamento de proteção (luvas isolantes Classe 0, óculos).
- Multímetro (verificação de tensão).
- Bloco de notas para registo.
b) Procedimento:
Preparação: 1. Identificar DR a testar (no quadro, com etiqueta). 2. NÃO desligar o quadro — testes são feitos com circuito energizado. 3. Identificar tomada protegida pelo DR (para conectar instrumento). 4. Avisar utilizadores que circuito será cortado momentaneamente (durante teste).
Teste 1 — Corrente de disparo:
- Conectar instrumento a uma tomada protegida pelo DR.
- Selecionar "RCD Test" → "Trip Current".
- Selecionar sensibilidade nominal: 30 mA.
- Selecionar tipo: A.
- Premir TEST.
- Instrumento aumenta lentamente a corrente de fuga simulada.
- DR deve disparar quando corrente atinge entre 15-30 mA (50-100% do nominal).
- Registar valor (ex: dispara a 22 mA).
- Re-armar o DR.
Teste 2 — Tempo de disparo:
- Selecionar "Trip Time".
- Aplicar 1× I_Δn = 30 mA instantaneamente.
- DR dispara.
- Instrumento mede tempo (ms).
- Registar.
- Re-armar.
Teste 3 — Em vários ângulos de fase:
- Repetir teste em ângulos 0°, 90°, 180°, 270° (alguns instrumentos automatizam).
- DR deve disparar em todos.
c) Critérios:
Corrente de disparo: - Entre 50% e 100% do nominal. - Para 30 mA: dispara entre 15 mA e 30 mA. - Não dispara abaixo de 15 mA (senão é "trigger happy", dispara espuriosamente).
Tempo de disparo:
| Tipo DR | Critério |
|---|---|
| Instantâneo (standard) | < 300 ms |
| Selectivo "S" | > 40 ms e < 500 ms |
| Rápido (5 × I_Δn) | < 40 ms |
d) Se DR falhar teste:
Cenários:
Cenário 1 — Não dispara: - DR avariado. - Substituir imediatamente. - Custo: 30-100 € conforme calibre.
Cenário 2 — Dispara a corrente muito baixa (< 15 mA): - DR demasiado sensível (variante avariada). - Causa frequentes disparos espuriosos. - Substituir.
Cenário 3 — Tempo de disparo > 300 ms: - DR demasiado lento. - Não protege adequadamente (durante o tempo elevado, corrente pode causar fibrilação). - Substituir.
Cenário 4 — Dispara em alguns ângulos mas não outros: - Provavelmente componente interno defeituoso. - Substituir.
Cenário 5 — Tipo errado: - Ex: Tipo AC instalado num circuito com VFD (deveria ser tipo B). - Substituir por tipo correcto.
Procedimento para substituir: 1. LOTO completo. 2. Desconectar fios do DR antigo. 3. Anotar quais terminais (importante para reconectar correctamente). 4. Remover DR antigo (encaixe DIN). 5. Instalar DR novo (mesmo calibre + sensibilidade + tipo). 6. Reconectar fios. 7. Religar. 8. Testar novamente com instrumento. 9. Documentar substituição.
Importante: - DR é componente de segurança crítico — não usar substitutos baratos sem certificação. - Marcas reconhecidas: Schneider, ABB, Hager, Legrand.
Periodicidade: - Teste com botão TEST: mensal pelo utilizador. - Teste com instrumento: anual em instalações industriais; obrigatório em inspecção periódica.
Exercício 5 · Conformidade RTIEBT (15 pts)
Encontras numa habitação: a) Cabo 1,5 mm² com disjuntor 16 A em circuito de tomadas. b) Tomadas da cozinha sem DR. c) Banheira metálica sem ligação à terra. d) Quadro sem identificação dos circuitos. e) Disjuntor curva B em circuito de iluminação fluorescente.
Para cada, indica conformidade RTIEBT + gravidade + acção:
a) Cabo 1,5 mm² com disjuntor 16 A em tomadas:
Conformidade: NÃO CUMPRE.
Razão: RTIEBT exige cabo mínimo 2,5 mm² para disjuntor 16 A. Cabo 1,5 mm² suporta apenas 13-15 A → será sobrecarregado.
Gravidade: GRAVE (risco de incêndio se equipamentos puxarem perto de 16 A).
Acção: - Opção 1: substituir disjuntor por 10 A (compatível com 1,5 mm²). - Opção 2: substituir cabo por 2,5 mm² (mais trabalhoso, mantém capacidade de 16 A). - Prazo: 30-60 dias.
b) Tomadas cozinha sem DR:
Conformidade: NÃO CUMPRE.
Razão: RTIEBT exige DR 30 mA em todos os circuitos de tomadas em habitação, especialmente em zonas húmidas (cozinha).
Gravidade: CRÍTICA (risco de electrocussão em ambiente com água).
Acção: - Instalar DR 30 mA tipo A imediatamente. - Prazo: imediato (< 7 dias). - Custo: ~80-150 €.
c) Banheira metálica sem ligação à terra:
Conformidade: NÃO CUMPRE.
Razão: RTIEBT exige equipotencialização em casas-banho (banheira, encanamentos, partes metálicas conectados a PE).
Gravidade: CRÍTICA (banheira pode ficar viva em caso de fuga eléctrica próxima → electrocussão de pessoa dentro).
Acção: - Instalar cabo PE (verde-amarelo) entre carcassa metálica da banheira e barramento PE do quadro. - Prazo: imediato. - Custo: ~50-150 €.
d) Quadro sem identificação dos circuitos:
Conformidade: NÃO CUMPRE (RTIEBT obriga identificação clara).
Razão: em caso de avaria, impossível identificar qual disjuntor desarmar. Em emergência, perde-se tempo crítico.
Gravidade: MENOR (não é risco imediato, mas afecta segurança em casos de manutenção).
Acção: - Etiquetar cada disjuntor com função (ex: "Iluminação sala", "Tomadas cozinha", "Forno"). - Esquema unifilar plastificado dentro do quadro. - Prazo: 60-90 dias. - Custo: ~20 € (etiquetas + tempo do técnico).
e) Disjuntor curva B em iluminação fluorescente:
Conformidade: TECNICAMENTE CONFORME mas funcionalmente inadequado.
Razão: curva B dispara a 3-5× I_n instantaneamente. Iluminação fluorescente moderna (com balastros electrónicos) tem pico de arranque de 3-5× I_n. Pode haver disparos espontâneos ao ligar a iluminação.
Gravidade: MENOR (não é risco, mas inconveniente operacional).
Acção: - Substituir por curva C (dispara a 5-10× I_n). - Prazo: 90 dias ou na próxima manutenção. - Custo: ~15-25 €.
Resumo:
| Item | Status | Gravidade | Prazo |
|---|---|---|---|
| a) Cabo sub-dimensionado | NC | Grave | 30-60 dias |
| b) Sem DR cozinha | NC | Crítica | Imediato |
| c) Sem equipotencialização banheira | NC | Crítica | Imediato |
| d) Sem identificação quadro | NC | Menor | 60-90 dias |
| e) Curva B em fluorescente | Inadequado | Menor | 90 dias |
Conclusão: instalação NÃO APTA para uso sem correcções. Itens b) e c) são urgências de segurança. Instalação não deve continuar a ser usada até resolver itens críticos.
Em relatório de inspecção: - Comunicar ao proprietário com gravidade clara. - Listar acções prioritizadas. - Re-inspecção após correcções. - Apenas então emitir certificado de conformidade.
Parte IV · Casos práticos
Exercício 6 · Habitação (15 pts)
Vais fazer inspecção a habitação T3 (3 quartos, sala, cozinha, casa-banho, 75 m²).
a) Quanto tempo deves planear? b) Que equipamento? c) Lista os ensaios principais. d) Custo típico do serviço.
a) Tempo total: - Inspecção em casa: 2-3 horas. - Tempo no escritório (relatório): 1-2 horas. - Total: ~4-5 horas.
b) Equipamento:
- Multifuncional (Megger MFT1845 ou similar).
- EPI:
- Luvas isolantes Classe 0 (até 1 kV).
- Óculos panorâmicos.
- Calçado de segurança.
- Multímetro (verificação de tensão antes de tocar).
- Detector de tensão sem contacto.
- Bloco de notas ou tablet para registo.
- Câmara fotográfica (smartphone) para documentar.
- Lanterna.
- Cadeados pessoais (LOTO).
- Chave de fendas + chaves variadas para abrir tomadas se necessário.
c) Ensaios principais:
Inspecção visual (20 min): - Quadro principal. - Tomadas e interruptores em cada divisão. - Iluminação. - Aterramento (eléctrodo). - Equipotencialização (casa-banho).
Ensaios eléctricos (1-1,5h):
- Continuidade do PE:
- Entre quadro PE e cada tomada.
- Carcassa de cada equipamento fixo.
-
Banheira (equipotencialização).
-
Isolamento (megger 500V):
- Cada circuito desconectado.
- L-PE, N-PE, L-N.
-
Tipicamente 6-10 circuitos.
-
Teste DR:
- Cada DR no quadro.
-
Corrente + tempo de disparo.
-
Impedância de loop (Z_s):
-
2-3 tomadas representativas em diferentes circuitos.
-
Resistência de terra (opcional, mais complexo):
- Em sistemas TT (raros em Portugal moderno).
Após ensaios: - Re-verificar visual. - Compilar resultados.
No escritório: - Relatório completo (1-2 horas). - Análise de não-conformidades. - Recomendações. - Emissão de certificado.
d) Custo típico:
Inspecção residencial: - Habitação T1/T2: 100-150 €. - Habitação T3: 150-250 €. - Habitação T4+: 200-350 €.
Componentes do custo: - Mão-de-obra técnica (50-80 €/h × 4h): 200-320 €. - Materiais (relatório, etc.): 10-20 €. - Margem da empresa: 20-30%.
Mais caro se: - Instalação antiga (mais ensaios). - Não-conformidades a documentar. - Localização remota. - Re-inspecção após correcções.
Em comparação: - Comercial pequeno: 250-500 €. - Indústria: 1000-5000 €.
Boa prática: - Cliente recebe relatório detalhado. - Recomendações priorizadas com prazos. - Re-inspecção opcional após correcções (gratuita ou desconto). - Inclui certificado para apresentar a seguro / autoridades se necessário.
Exercício 7 · Diagnóstico (10 pts)
Em inspecção, todas as tomadas funcionam mas continuidade do PE dá > 5 Ω em várias tomadas.
a) Que isso indica? b) Procedimento de diagnóstico?
a) Indicação:
Continuidade do PE > 5 Ω indica má conexão do circuito de terra em algum ponto da instalação.
Implicações de segurança: - Em caso de fuga (fase à carcassa), corrente para a terra pode ser insuficiente para fazer disparar o disjuntor rapidamente. - Carcassa metálica pode ficar viva (com tensão perigosa) até disjuntor disparar (mais tempo que o ideal). - Pessoa em contacto pode receber choque significativo antes do corte.
Causas possíveis:
- Régua PE no quadro: parafuso solto, oxidação.
- Ligação na tomada: fio PE solto no parafuso.
- Cabo PE cortado em algum ponto do trajecto.
- Cabo PE com secção sub-dimensionada (raro em instalação correcta, mas possível em retrofits).
- Eléctrodo de terra com problema: oxidação, conexão solta.
- Resistência de terra elevada (terra "seca", sem humidade).
- Pontos de ligação (caixas de derivação) com bornes mal apertados.
b) Procedimento de diagnóstico:
1. Confirmar a medição: - Re-medir em vários momentos. - Calibrar o instrumento (zerar pontas em curto). - Confirmar que pontas estão limpas e fazem bom contacto.
2. Localizar o problema:
Procedimento divisão a divisão:
a) Medir directamente no quadro entre régua PE e eléctrodo de terra: - Se R alto aqui: problema é antes do quadro (eléctrodo de terra). - Se R baixo: problema é a jusante do quadro.
b) Se R baixo no quadro, medir em cada tomada: - Continuidade do borne PE no quadro a cada tomada. - Identificar tomadas com R alto. - Padrão pode dar pista (várias tomadas do mesmo circuito? Localizadas próximas?).
c) Procurar caixas de derivação no trajecto: - Abrir caixas. - Verificar conexões. - Apertar parafusos.
3. Inspecção visual cuidada: - Régua PE no quadro: parafusos bem apertados? - Oxidação visível? - Fios PE intactos (sem cortes)?
4. Medições nos extremos: - Eléctrodo de terra: bem ligado? - Caixa de inspecção acessível. - Resistência do eléctrodo à terra (com telurómetro).
5. Tipo de cabo: - Verificar se cabo PE existe em todo o trajecto. - Em instalações antigas, cabo PE pode estar em falta! - Confirmar visualmente em caixas de derivação.
6. Acções correctivas:
Conforme causa identificada: - Apertar bornes (mais comum, resolve 70% dos casos). - Limpar oxidação (lixar, aplicar contacto eléctrico spray). - Substituir cabo PE se cortado/degradado. - Melhorar ligação ao eléctrodo de terra (extra haste se solo seco). - Adicionar haste de terra se resistência muito alta.
7. Re-medição: - Após cada acção, re-medir. - Confirmar R < 0,5 Ω.
8. Documentação: - Não-conformidade GRAVE no relatório. - Acções tomadas. - Resultados pós-correcção. - Recomendação ao proprietário.
Não pôr em serviço até resolver (em inspecção inicial). Em inspecção periódica, dar prazo curto para correcção.
Exercício 8 · Relatório (10 pts)
Esboça (estrutura + 1 exemplo de não-conformidade) um relatório de inspecção:
Estrutura do Relatório de Inspecção:
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RELATÓRIO DE INSPECÇÃO PERIÓDICA — INSTALAÇÃO ELÉCTRICA
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DADOS GERAIS:
- Imóvel: Rua das Flores, 12, 1º Esq, Lisboa
- Proprietário: João Silva (NIF 123456789)
- Tipo: Habitação T3
- Data inspecção: 15/03/2026
- Hora: 14:00-16:30
INSPECTOR:
- Nome: Maria Santos
- Habilitação: BTC (Cédula nº ABC-12345)
- Empresa: ELECTRO-INSPECT Lda (alvará nº XYZ)
DESCRIÇÃO DA INSTALAÇÃO:
- Potência contratada: 6,9 kVA (3,45 kW)
- Sistema: TN-S
- Quadro: 25 A monofásico
- Circuitos: 8 (4 iluminação + 4 tomadas)
- Ano de construção: 2018
INSPECÇÃO VISUAL:
| Item | Status | Observações |
|---|---|---|
| Quadro eléctrico | OK | Identificação OK |
| Tomadas e interruptores | OK | Boa qualidade |
| Iluminação | OK | LEDs modernos |
| Aterramento | OK | Eléctrodo acessível |
| Equipotencialização banheiro | NC | Falta ligação à banheira |
ENSAIOS ELÉCTRICOS:
| Ensaio | Localização | Valor | Critério | Status |
|---|---|---|---|---|
| Continuidade PE | Tomada sala | 0,08 Ω | <0,5 Ω | ✓ OK |
| Continuidade PE | Tomada cozinha | 0,12 Ω | <0,5 Ω | ✓ OK |
| Continuidade PE | Banheira | 6,2 Ω | <0,5 Ω | ✗ NC |
| Isolamento L-PE | Circuito 1 | 250 MΩ | >1 MΩ | ✓ OK |
| Isolamento L-PE | Circuito 2 | 180 MΩ | >1 MΩ | ✓ OK |
| ... | ... | ... | ... | ... |
| DR 30 mA (corrente) | Quadro | 22 mA | 15-30 mA | ✓ OK |
| DR 30 mA (tempo) | Quadro | 28 ms | <300 ms | ✓ OK |
| Z_s | Tomada cozinha | 0,9 Ω | <1,4 Ω | ✓ OK |
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NÃO-CONFORMIDADES DETECTADAS:
═══════════════════════════════════════════════════
NC-001 [CRÍTICA] — Falta equipotencialização da banheira
Localização: Casa-de-banho (3º andar)
Descrição:
A banheira metálica não tem ligação ao sistema de terra (PE).
Medição de continuidade entre carcassa da banheira e quadro PE deu
6,2 Ω (critério < 0,5 Ω).
Norma violada:
- RTIEBT, Secção 701.415 (equipotencialização suplementar em
locais que contêm banheira ou duche).
- IEC 60364-7-701.
Risco:
Em caso de fuga eléctrica num equipamento próximo (aquecedor,
secador de cabelo, máquina de lavar), a banheira metálica pode
ficar com tensão perigosa. Pessoa dentro da banheira em contacto
com a parede metálica pode sofrer **electrocussão fatal**.
Acção correctiva:
- Instalar cabo verde-amarelo (PE) com secção mínima 2,5 mm²
entre a carcassa da banheira e o barramento PE do quadro.
- Apertar a uma terminação rosqueada na carcassa da banheira.
- Verificar continuidade após instalação (< 0,5 Ω).
Prazo: **IMEDIATO** (não usar a casa-banho até resolver).
Custo estimado: 80-150 €.
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CONCLUSÃO:
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☐ Apta para uso normal.
☑ Apta com restrições (corrigir NC-001 antes de uso).
☐ Não apta.
Próxima inspecção recomendada: 5 anos (após correcção).
Re-inspecção após correcções: pode ser solicitada (custo de
50 € pela equipa, gratuita se em até 60 dias).
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Inspector: ____________________ Data: 15/03/2026
Proprietário (recepção): ____________________ Data: 15/03/2026
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Características do relatório profissional:
- Cabeçalho com dados completos.
- Tabela de inspecção clara.
- Tabela de ensaios com valores reais vs critérios.
- Não-conformidades detalhadas:
- Identificação única (NC-001).
- Gravidade.
- Localização.
- Descrição.
- Norma violada.
- Risco.
- Acção correctiva específica.
- Prazo.
- Custo estimado.
- Conclusão clara.
- Próximos passos.
- Assinaturas.
Suporte profissional: - PDF gerado por software (não word documents soltos). - Logo da empresa. - Cabeçalho consistente. - Numeração sequencial.
Arquivamento: - Empresa: 5 anos mínimo. - Cliente: durante toda a propriedade. - DGEG: notificação se inspecção oficial.