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UC UC02943 · T. Mecatrónica

Ficha 01 · Inspecção visual e ensaios

Equipamento, ensaios, RTIEBT, casos
Versão · Aluno
Tempo · 60 minutos
Cotação · 100 pontos
Aluno(a)
Turma
Data
Objectivos da ficha

Parte I · Inspecção visual

Exercício 1 · Checklist (15 pts)

Elabora checklist de inspecção visual para um quadro eléctrico industrial (63A trifásico, 8 circuitos):

Checklist — Quadro Industrial 63A 3F

Exterior: - [ ] Quadro identificado (nome, características). - [ ] Acesso desimpedido (> 0,7 m à frente). - [ ] Porta com bloqueio funcional (chave). - [ ] Sinalização de perigo eléctrico visível. - [ ] Indicação "Quadro Eléctrico — Pessoal Autorizado". - [ ] Sem objectos armazenados em frente. - [ ] Extintor próximo (CO2 ou pó ABC).

Interior (com quadro desligado e seguindo 5 regras de ouro):

Estrutura: - [ ] Caixa sem deformação. - [ ] Sem corrosão. - [ ] Carcassa ligada à terra (continuidade < 0,1 Ω). - [ ] Ventilação adequada (sem obstruções).

Limpeza: - [ ] Sem poeira excessiva. - [ ] Sem teias de aranha. - [ ] Sem insectos / pequenos animais.

Identificação: - [ ] Etiquetas de cada circuito legíveis. - [ ] Esquema unifilar plastificado dentro. - [ ] Esquema actualizado com modificações.

Disjuntores: - [ ] Geral 63A presente e funcional. - [ ] 8 secundários conforme projecto. - [ ] Calibres adequados aos circuitos. - [ ] Curvas adequadas (B para iluminação, C tomadas, D motores). - [ ] Posição correcta (armado). - [ ] Sem sinais de queimadura.

DRs: - [ ] DR geral presente. - [ ] DRs por circuito de tomadas (30 mA). - [ ] Botão TEST funciona. - [ ] Etiquetas indicam sensibilidade.

Bornes e conexões: - [ ] Todos apertados (verificar com chave dinamométrica). - [ ] Sem sinais de queimadura. - [ ] Sem fios soltos. - [ ] Cores correctas (L1 castanho, L2 preto, L3 cinzento, N azul, PE verde-amarelo). - [ ] Bornes PE e N separados.

Cabos: - [ ] Sem danos visíveis no isolamento. - [ ] Identificados (etiquetas em pontos críticos). - [ ] Curva mínima respeitada. - [ ] Fixados (calhas, abraçadeiras).

Réguas de bornes: - [ ] Régua PE (verde-amarelo). - [ ] Régua N (azul). - [ ] Separadas. - [ ] Identificadas.

Termografia: - [ ] Recomendado fazer em carga (após inspecção visual com desligado). - [ ] Bornes principais sem pontos quentes anormais.

Conformidade: - [ ] Disjuntor geral acessível sem abrir tampa. - [ ] Identificação de cada circuito legível. - [ ] Capacidade de corte (Icc) adequada.

Documentação: - [ ] Esquema dentro do quadro. - [ ] Histórico de manutenção. - [ ] Certificado da última inspecção legal.

Observações:


Resultado: ☐ Apto ☐ Apto com restrições (listar): ☐ Não apto (urgente)

Inspector: ___ Data: _//

Parte II · Ensaios

Exercício 2 · Continuidade PE (10 pts)

Numa habitação T2 vais medir continuidade do PE.

a) Que equipamento? b) Procedimento? c) Critério? d) Que fazer se valor > 1 Ω?

a) Equipamento:

b) Procedimento:

  1. 5 regras de ouro: desligar quadro principal, bloquear, verificar ausência de tensão.

  2. Zerar o instrumento (pontas em curto, valor deve dar 0,00 Ω; ajustar se necessário).

  3. Localizar borne PE no quadro (régua verde-amarelo).

  4. Conectar uma ponta ao borne PE.

  5. Tocar com a outra ponta em cada ponto a verificar:

  6. Carcassas metálicas de tomadas (em modelos com terminal de terra acessível na parte exterior, ou abrir tomada para aceder).
  7. Encanamentos metálicos (se equipotencializados).
  8. Banheira metálica.
  9. Carcassa de qualquer equipamento fixo (caldeira, aquecedor).
  10. Sub-quadros se houver.
  11. Eléctrodo de terra (acessível na caixa de inspecção).

  12. Registar valor para cada ponto.

Tempo: para casa T2: ~30-60 min.

c) Critério:

RTIEBT: R < 0,5 Ω. Recomendado: R < 0,1 Ω.

Se R < 0,1 Ω: excelente. Se 0,1 < R < 0,5 Ω: aceitável. Se 0,5 < R < 1 Ω: limítrofe; investigar. Se R > 1 Ω: não conforme; corrigir.

d) Se R > 1 Ω (ou > 0,5 Ω para critério rigoroso):

Possíveis causas:

  1. Ligação solta no quadro (régua PE).
  2. Ligação solta na tomada (parafuso do terminal PE).
  3. Cabo PE oxidado ou degradado.
  4. Cabo PE cortado em algum ponto.
  5. Eléctrodo de terra com problema (oxidação, ligação solta).
  6. Resistência de terra alta.

Acções:

  1. Re-medir verificando contactos.
  2. Apertar bornes no quadro e na tomada testada (verificar com chave dinamométrica).
  3. Limpar oxidação se visível.
  4. Verificar caixa de inspecção do eléctrodo de terra.
  5. Se persiste: rastrear cabo PE; pode ter sido cortado durante obras (raro mas acontece).
  6. Substituir componente avariado.

Em caso de não-conformidade: - Marcar como crítica no relatório. - Acção urgente (< 7 dias). - Não pôr em serviço até resolver.

Exercício 3 · Isolamento (15 pts)

Vais medir isolamento numa instalação industrial: - Quadro 100A 3F. - 15 circuitos. - Cabos XLPE em conduítes.

a) Equipamento? b) Procedimento detalhado? c) Critério? d) Análise de resultado de 0,5 MΩ entre L1 e PE.

a) Equipamento:

Equipamento adicional: - Pontas isoladas. - Pinças tipo crocodilo. - EPI: luvas isolantes Classe 0, óculos.

b) Procedimento detalhado:

Preparação:

  1. Comunicar com operação (paragem programada).
  2. 5 regras de ouro: desligar quadro principal, bloquear, verificar.
  3. Desligar todos os equipamentos:
  4. Lâmpadas (com lâmpadas conectadas, lê-se isolamento da lâmpada, não do cabo).
  5. Aparelhos electrónicos (megger 1000V pode danificar).
  6. Capacitores (descarregar primeiro).
  7. Motores (separar do circuito, megger separadamente).

  8. Verificar instrumento:

  9. Calibração válida.
  10. Bateria carregada.
  11. Auto-teste pré-medição.

Medição — para cada circuito:

  1. Localizar terminais do circuito no quadro:
  2. Fase (L1, L2 ou L3).
  3. Neutro (N).
  4. Terra (PE).

  5. Medições (com circuito desligado, sem cargas):

a) L vs PE (1 ou 3 fases conforme circuito): - Conectar megger entre L1 (e desligar do disjuntor) e PE. - Premir TEST. - Esperar 1 minuto. - Ler valor. - Registar.

b) N vs PE: - Idem entre N e PE.

c) L vs N: - Idem entre L e N.

d) Em trifásicos: também L vs L (entre fases).

  1. Repetir para cada circuito.

Tempo: ~10-20 minutos por circuito. Para quadro de 15 circuitos: ~3-5 horas.

c) Critério:

RTIEBT: - R > 1 MΩ mínimo (BT até 500 V). - R > 1 MΩ para 230/400V CA.

Recomendado: - R > 100 MΩ para instalação nova. - R > 10 MΩ para instalação em uso aceitável.

d) Resultado de 0,5 MΩ entre L1 e PE:

Análise: 0,5 MΩ está ABAIXO do critério RTIEBT (1 MΩ).

Significa: existe fuga de isolamento significativa entre o condutor de fase L1 e o sistema de terra.

Causas possíveis:

  1. Humidade no isolamento dos cabos (causa mais comum em instalações antigas ou após inundação).
  2. Isolamento envelhecido / fissurado (cabos de PVC após 20-30 anos).
  3. Equipamento ainda ligado ao circuito durante medição (motor, lâmpada, etc.) — verificar.
  4. Curto parcial entre fase e PE (raro mas possível).
  5. Contaminação (óleo, químicos infiltrados no cabo).

Acções:

  1. Confirmar que todos os equipamentos estão desconectados.
  2. Repetir medição para confirmar.
  3. Localizar o ponto de fuga:
  4. Desconectar partes do circuito uma a uma.
  5. Medir cada secção isoladamente.
  6. Identificar segmento com baixo isolamento.

  7. Inspeccionar cabo desse segmento:

  8. Visual: rachaduras, deformações.
  9. Caixas de derivação: humidade.
  10. Conexões: oxidação.

  11. Reparar ou substituir secção comprometida.

  12. Re-medir após reparação.

Antes de pôr em serviço: - Confirmar R > 1 MΩ mínimo.

Documentação: - Não-conformidade GRAVE. - Acção: corrigir antes de pôr em serviço. - Prazo: imediato.

Risco se não corrigir: - Choque eléctrico: fuga à terra pode causar tensão em carcaças metálicas. - Incêndio: arco em isolamento pode iniciar incêndio. - Aquecimento: corrente de fuga aquece localmente.

Parte III · DR e RTIEBT

Exercício 4 · Teste DR (10 pts)

Tens DR 30 mA tipo A no quadro. Tens que testá-lo com instrumento.

a) Equipamento. b) Procedimento. c) Critérios. d) Que fazer se falhar teste?

a) Equipamento:

b) Procedimento:

Preparação: 1. Identificar DR a testar (no quadro, com etiqueta). 2. NÃO desligar o quadro — testes são feitos com circuito energizado. 3. Identificar tomada protegida pelo DR (para conectar instrumento). 4. Avisar utilizadores que circuito será cortado momentaneamente (durante teste).

Teste 1 — Corrente de disparo:

  1. Conectar instrumento a uma tomada protegida pelo DR.
  2. Selecionar "RCD Test" → "Trip Current".
  3. Selecionar sensibilidade nominal: 30 mA.
  4. Selecionar tipo: A.
  5. Premir TEST.
  6. Instrumento aumenta lentamente a corrente de fuga simulada.
  7. DR deve disparar quando corrente atinge entre 15-30 mA (50-100% do nominal).
  8. Registar valor (ex: dispara a 22 mA).
  9. Re-armar o DR.

Teste 2 — Tempo de disparo:

  1. Selecionar "Trip Time".
  2. Aplicar 1× I_Δn = 30 mA instantaneamente.
  3. DR dispara.
  4. Instrumento mede tempo (ms).
  5. Registar.
  6. Re-armar.

Teste 3 — Em vários ângulos de fase:

  1. Repetir teste em ângulos 0°, 90°, 180°, 270° (alguns instrumentos automatizam).
  2. DR deve disparar em todos.

c) Critérios:

Corrente de disparo: - Entre 50% e 100% do nominal. - Para 30 mA: dispara entre 15 mA e 30 mA. - Não dispara abaixo de 15 mA (senão é "trigger happy", dispara espuriosamente).

Tempo de disparo:

Tipo DR Critério
Instantâneo (standard) < 300 ms
Selectivo "S" > 40 ms e < 500 ms
Rápido (5 × I_Δn) < 40 ms

d) Se DR falhar teste:

Cenários:

Cenário 1 — Não dispara: - DR avariado. - Substituir imediatamente. - Custo: 30-100 € conforme calibre.

Cenário 2 — Dispara a corrente muito baixa (< 15 mA): - DR demasiado sensível (variante avariada). - Causa frequentes disparos espuriosos. - Substituir.

Cenário 3 — Tempo de disparo > 300 ms: - DR demasiado lento. - Não protege adequadamente (durante o tempo elevado, corrente pode causar fibrilação). - Substituir.

Cenário 4 — Dispara em alguns ângulos mas não outros: - Provavelmente componente interno defeituoso. - Substituir.

Cenário 5 — Tipo errado: - Ex: Tipo AC instalado num circuito com VFD (deveria ser tipo B). - Substituir por tipo correcto.

Procedimento para substituir: 1. LOTO completo. 2. Desconectar fios do DR antigo. 3. Anotar quais terminais (importante para reconectar correctamente). 4. Remover DR antigo (encaixe DIN). 5. Instalar DR novo (mesmo calibre + sensibilidade + tipo). 6. Reconectar fios. 7. Religar. 8. Testar novamente com instrumento. 9. Documentar substituição.

Importante: - DR é componente de segurança crítico — não usar substitutos baratos sem certificação. - Marcas reconhecidas: Schneider, ABB, Hager, Legrand.

Periodicidade: - Teste com botão TEST: mensal pelo utilizador. - Teste com instrumento: anual em instalações industriais; obrigatório em inspecção periódica.

Exercício 5 · Conformidade RTIEBT (15 pts)

Encontras numa habitação: a) Cabo 1,5 mm² com disjuntor 16 A em circuito de tomadas. b) Tomadas da cozinha sem DR. c) Banheira metálica sem ligação à terra. d) Quadro sem identificação dos circuitos. e) Disjuntor curva B em circuito de iluminação fluorescente.

Para cada, indica conformidade RTIEBT + gravidade + acção:

a) Cabo 1,5 mm² com disjuntor 16 A em tomadas:

Conformidade: NÃO CUMPRE.

Razão: RTIEBT exige cabo mínimo 2,5 mm² para disjuntor 16 A. Cabo 1,5 mm² suporta apenas 13-15 A → será sobrecarregado.

Gravidade: GRAVE (risco de incêndio se equipamentos puxarem perto de 16 A).

Acção: - Opção 1: substituir disjuntor por 10 A (compatível com 1,5 mm²). - Opção 2: substituir cabo por 2,5 mm² (mais trabalhoso, mantém capacidade de 16 A). - Prazo: 30-60 dias.

b) Tomadas cozinha sem DR:

Conformidade: NÃO CUMPRE.

Razão: RTIEBT exige DR 30 mA em todos os circuitos de tomadas em habitação, especialmente em zonas húmidas (cozinha).

Gravidade: CRÍTICA (risco de electrocussão em ambiente com água).

Acção: - Instalar DR 30 mA tipo A imediatamente. - Prazo: imediato (< 7 dias). - Custo: ~80-150 €.

c) Banheira metálica sem ligação à terra:

Conformidade: NÃO CUMPRE.

Razão: RTIEBT exige equipotencialização em casas-banho (banheira, encanamentos, partes metálicas conectados a PE).

Gravidade: CRÍTICA (banheira pode ficar viva em caso de fuga eléctrica próxima → electrocussão de pessoa dentro).

Acção: - Instalar cabo PE (verde-amarelo) entre carcassa metálica da banheira e barramento PE do quadro. - Prazo: imediato. - Custo: ~50-150 €.

d) Quadro sem identificação dos circuitos:

Conformidade: NÃO CUMPRE (RTIEBT obriga identificação clara).

Razão: em caso de avaria, impossível identificar qual disjuntor desarmar. Em emergência, perde-se tempo crítico.

Gravidade: MENOR (não é risco imediato, mas afecta segurança em casos de manutenção).

Acção: - Etiquetar cada disjuntor com função (ex: "Iluminação sala", "Tomadas cozinha", "Forno"). - Esquema unifilar plastificado dentro do quadro. - Prazo: 60-90 dias. - Custo: ~20 € (etiquetas + tempo do técnico).

e) Disjuntor curva B em iluminação fluorescente:

Conformidade: TECNICAMENTE CONFORME mas funcionalmente inadequado.

Razão: curva B dispara a 3-5× I_n instantaneamente. Iluminação fluorescente moderna (com balastros electrónicos) tem pico de arranque de 3-5× I_n. Pode haver disparos espontâneos ao ligar a iluminação.

Gravidade: MENOR (não é risco, mas inconveniente operacional).

Acção: - Substituir por curva C (dispara a 5-10× I_n). - Prazo: 90 dias ou na próxima manutenção. - Custo: ~15-25 €.

Resumo:

Item Status Gravidade Prazo
a) Cabo sub-dimensionado NC Grave 30-60 dias
b) Sem DR cozinha NC Crítica Imediato
c) Sem equipotencialização banheira NC Crítica Imediato
d) Sem identificação quadro NC Menor 60-90 dias
e) Curva B em fluorescente Inadequado Menor 90 dias

Conclusão: instalação NÃO APTA para uso sem correcções. Itens b) e c) são urgências de segurança. Instalação não deve continuar a ser usada até resolver itens críticos.

Em relatório de inspecção: - Comunicar ao proprietário com gravidade clara. - Listar acções prioritizadas. - Re-inspecção após correcções. - Apenas então emitir certificado de conformidade.

Parte IV · Casos práticos

Exercício 6 · Habitação (15 pts)

Vais fazer inspecção a habitação T3 (3 quartos, sala, cozinha, casa-banho, 75 m²).

a) Quanto tempo deves planear? b) Que equipamento? c) Lista os ensaios principais. d) Custo típico do serviço.

a) Tempo total: - Inspecção em casa: 2-3 horas. - Tempo no escritório (relatório): 1-2 horas. - Total: ~4-5 horas.

b) Equipamento:

c) Ensaios principais:

Inspecção visual (20 min): - Quadro principal. - Tomadas e interruptores em cada divisão. - Iluminação. - Aterramento (eléctrodo). - Equipotencialização (casa-banho).

Ensaios eléctricos (1-1,5h):

  1. Continuidade do PE:
  2. Entre quadro PE e cada tomada.
  3. Carcassa de cada equipamento fixo.
  4. Banheira (equipotencialização).

  5. Isolamento (megger 500V):

  6. Cada circuito desconectado.
  7. L-PE, N-PE, L-N.
  8. Tipicamente 6-10 circuitos.

  9. Teste DR:

  10. Cada DR no quadro.
  11. Corrente + tempo de disparo.

  12. Impedância de loop (Z_s):

  13. 2-3 tomadas representativas em diferentes circuitos.

  14. Resistência de terra (opcional, mais complexo):

  15. Em sistemas TT (raros em Portugal moderno).

Após ensaios: - Re-verificar visual. - Compilar resultados.

No escritório: - Relatório completo (1-2 horas). - Análise de não-conformidades. - Recomendações. - Emissão de certificado.

d) Custo típico:

Inspecção residencial: - Habitação T1/T2: 100-150 €. - Habitação T3: 150-250 €. - Habitação T4+: 200-350 €.

Componentes do custo: - Mão-de-obra técnica (50-80 €/h × 4h): 200-320 €. - Materiais (relatório, etc.): 10-20 €. - Margem da empresa: 20-30%.

Mais caro se: - Instalação antiga (mais ensaios). - Não-conformidades a documentar. - Localização remota. - Re-inspecção após correcções.

Em comparação: - Comercial pequeno: 250-500 €. - Indústria: 1000-5000 €.

Boa prática: - Cliente recebe relatório detalhado. - Recomendações priorizadas com prazos. - Re-inspecção opcional após correcções (gratuita ou desconto). - Inclui certificado para apresentar a seguro / autoridades se necessário.

Exercício 7 · Diagnóstico (10 pts)

Em inspecção, todas as tomadas funcionam mas continuidade do PE dá > 5 Ω em várias tomadas.

a) Que isso indica? b) Procedimento de diagnóstico?

a) Indicação:

Continuidade do PE > 5 Ω indica má conexão do circuito de terra em algum ponto da instalação.

Implicações de segurança: - Em caso de fuga (fase à carcassa), corrente para a terra pode ser insuficiente para fazer disparar o disjuntor rapidamente. - Carcassa metálica pode ficar viva (com tensão perigosa) até disjuntor disparar (mais tempo que o ideal). - Pessoa em contacto pode receber choque significativo antes do corte.

Causas possíveis:

  1. Régua PE no quadro: parafuso solto, oxidação.
  2. Ligação na tomada: fio PE solto no parafuso.
  3. Cabo PE cortado em algum ponto do trajecto.
  4. Cabo PE com secção sub-dimensionada (raro em instalação correcta, mas possível em retrofits).
  5. Eléctrodo de terra com problema: oxidação, conexão solta.
  6. Resistência de terra elevada (terra "seca", sem humidade).
  7. Pontos de ligação (caixas de derivação) com bornes mal apertados.

b) Procedimento de diagnóstico:

1. Confirmar a medição: - Re-medir em vários momentos. - Calibrar o instrumento (zerar pontas em curto). - Confirmar que pontas estão limpas e fazem bom contacto.

2. Localizar o problema:

Procedimento divisão a divisão:

a) Medir directamente no quadro entre régua PE e eléctrodo de terra: - Se R alto aqui: problema é antes do quadro (eléctrodo de terra). - Se R baixo: problema é a jusante do quadro.

b) Se R baixo no quadro, medir em cada tomada: - Continuidade do borne PE no quadro a cada tomada. - Identificar tomadas com R alto. - Padrão pode dar pista (várias tomadas do mesmo circuito? Localizadas próximas?).

c) Procurar caixas de derivação no trajecto: - Abrir caixas. - Verificar conexões. - Apertar parafusos.

3. Inspecção visual cuidada: - Régua PE no quadro: parafusos bem apertados? - Oxidação visível? - Fios PE intactos (sem cortes)?

4. Medições nos extremos: - Eléctrodo de terra: bem ligado? - Caixa de inspecção acessível. - Resistência do eléctrodo à terra (com telurómetro).

5. Tipo de cabo: - Verificar se cabo PE existe em todo o trajecto. - Em instalações antigas, cabo PE pode estar em falta! - Confirmar visualmente em caixas de derivação.

6. Acções correctivas:

Conforme causa identificada: - Apertar bornes (mais comum, resolve 70% dos casos). - Limpar oxidação (lixar, aplicar contacto eléctrico spray). - Substituir cabo PE se cortado/degradado. - Melhorar ligação ao eléctrodo de terra (extra haste se solo seco). - Adicionar haste de terra se resistência muito alta.

7. Re-medição: - Após cada acção, re-medir. - Confirmar R < 0,5 Ω.

8. Documentação: - Não-conformidade GRAVE no relatório. - Acções tomadas. - Resultados pós-correcção. - Recomendação ao proprietário.

Não pôr em serviço até resolver (em inspecção inicial). Em inspecção periódica, dar prazo curto para correcção.

Exercício 8 · Relatório (10 pts)

Esboça (estrutura + 1 exemplo de não-conformidade) um relatório de inspecção:

Estrutura do Relatório de Inspecção:

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RELATÓRIO DE INSPECÇÃO PERIÓDICA  INSTALAÇÃO ELÉCTRICA
═══════════════════════════════════════════════════

DADOS GERAIS:
- Imóvel: Rua das Flores, 12, 1º Esq, Lisboa
- Proprietário: João Silva (NIF 123456789)
- Tipo: Habitação T3
- Data inspecção: 15/03/2026
- Hora: 14:00-16:30

INSPECTOR:
- Nome: Maria Santos
- Habilitação: BTC (Cédula  ABC-12345)
- Empresa: ELECTRO-INSPECT Lda (alvará  XYZ)

DESCRIÇÃO DA INSTALAÇÃO:
- Potência contratada: 6,9 kVA (3,45 kW)
- Sistema: TN-S
- Quadro: 25 A monofásico
- Circuitos: 8 (4 iluminação + 4 tomadas)
- Ano de construção: 2018

INSPECÇÃO VISUAL:

| Item | Status | Observações |
|---|---|---|
| Quadro eléctrico | OK | Identificação OK |
| Tomadas e interruptores | OK | Boa qualidade |
| Iluminação | OK | LEDs modernos |
| Aterramento | OK | Eléctrodo acessível |
| Equipotencialização banheiro | NC | Falta ligação à banheira |

ENSAIOS ELÉCTRICOS:

| Ensaio | Localização | Valor | Critério | Status |
|---|---|---|---|---|
| Continuidade PE | Tomada sala | 0,08 Ω | <0,5 Ω |  OK |
| Continuidade PE | Tomada cozinha | 0,12 Ω | <0,5 Ω |  OK |
| Continuidade PE | Banheira | 6,2 Ω | <0,5 Ω |  NC |
| Isolamento L-PE | Circuito 1 | 250  | >1  |  OK |
| Isolamento L-PE | Circuito 2 | 180  | >1  |  OK |
| ... | ... | ... | ... | ... |
| DR 30 mA (corrente) | Quadro | 22 mA | 15-30 mA |  OK |
| DR 30 mA (tempo) | Quadro | 28 ms | <300 ms |  OK |
| Z_s | Tomada cozinha | 0,9 Ω | <1,4 Ω |  OK |

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NÃO-CONFORMIDADES DETECTADAS:
═══════════════════════════════════════════════════

NC-001 [CRÍTICA]  Falta equipotencialização da banheira

Localização: Casa-de-banho (3º andar)

Descrição:
A banheira metálica não tem ligação ao sistema de terra (PE).
Medição de continuidade entre carcassa da banheira e quadro PE deu
6,2 Ω (critério < 0,5 Ω).

Norma violada:
- RTIEBT, Secção 701.415 (equipotencialização suplementar em
  locais que contêm banheira ou duche).
- IEC 60364-7-701.

Risco:
Em caso de fuga eléctrica num equipamento próximo (aquecedor,
secador de cabelo, máquina de lavar), a banheira metálica pode
ficar com tensão perigosa. Pessoa dentro da banheira em contacto
com a parede metálica pode sofrer **electrocussão fatal**.

Acção correctiva:
- Instalar cabo verde-amarelo (PE) com secção mínima 2,5 mm²
  entre a carcassa da banheira e o barramento PE do quadro.
- Apertar a uma terminação rosqueada na carcassa da banheira.
- Verificar continuidade após instalação (< 0,5 Ω).

Prazo: **IMEDIATO** (não usar a casa-banho até resolver).

Custo estimado: 80-150 .

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CONCLUSÃO:
═══════════════════════════════════════════════════

 Apta para uso normal.
 Apta com restrições (corrigir NC-001 antes de uso).
 Não apta.

Próxima inspecção recomendada: 5 anos (após correcção).

Re-inspecção após correcções: pode ser solicitada (custo de
50  pela equipa, gratuita se em até 60 dias).

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Inspector: ____________________ Data: 15/03/2026

Proprietário (recepção): ____________________ Data: 15/03/2026

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Características do relatório profissional:

  1. Cabeçalho com dados completos.
  2. Tabela de inspecção clara.
  3. Tabela de ensaios com valores reais vs critérios.
  4. Não-conformidades detalhadas:
  5. Identificação única (NC-001).
  6. Gravidade.
  7. Localização.
  8. Descrição.
  9. Norma violada.
  10. Risco.
  11. Acção correctiva específica.
  12. Prazo.
  13. Custo estimado.
  14. Conclusão clara.
  15. Próximos passos.
  16. Assinaturas.

Suporte profissional: - PDF gerado por software (não word documents soltos). - Logo da empresa. - Cabeçalho consistente. - Numeração sequencial.

Arquivamento: - Empresa: 5 anos mínimo. - Cliente: durante toda a propriedade. - DGEG: notificação se inspecção oficial.