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UC UC02941 · T. Mecatrónica

Ficha 02 · SCADA, casos práticos, manutenção

SCADA, integração, manutenção, cybersegurança
Versão · Aluno
Tempo · 60 minutos
Cotação · 100 pontos
Aluno(a)
Turma
Data
Objectivos da ficha

Parte I · SCADA

Exercício 1 · Selecção SCADA (15 pts)

Para cada empresa, indica software SCADA mais adequado:

a) PME com 3 máquinas Siemens. b) Fábrica média com mix Siemens + Allen-Bradley + Modbus. c) Sistema de água municipal (50 estações remotas). d) Refinaria com requisitos rigorosos de qualidade.

a) PME 3 máquinas Siemens: - Siemens WinCC Advanced (PC single-station). - Custo: 3-8 000 €. - Integração nativa com TIA Portal (sem precisar configurar comunicações). - Simples de implementar.

b) Fábrica média multi-vendor: - Inductive Automation Ignition: - Multi-protocolo (Profinet, EtherNet/IP, Modbus, OPC UA). - Licença por tags (não por utilizador) → económico em multi-vendor. - Mobile nativo. - Ou Wonderware InTouch (Aveva): standard mundial robusto. - Custo: 10-30 000 € + anual.

c) Sistema água municipal (50 estações remotas): - Schneider Citect (Aveva): forte em utilities (água, energia). - Optimizado para estações remotas (comunicação 3G/4G, redundância, alarmes SMS). - Ou Wonderware System Platform. - Custo: 50-200 000 € (sistema grande).

d) Refinaria: - GE Cimplicity ou Honeywell Experion (DCS específico para processo). - Ou Yokogawa CENTUM (japonês, especialidade petroquímica). - Requisitos rigorosos: validação, auditoria, certificação. - Investimento: milhões €.

Critérios para seleccionar: - Tamanho da operação. - Diversidade de PLCs (single-vendor vs multi-vendor). - Sector (água, energia, química, manufactura). - Requisitos regulamentares. - Orçamento. - Suporte local disponível.

Exercício 2 · Arquitectura SCADA (10 pts)

Esboça arquitectura SCADA para fábrica com 5 linhas de produção:

Arquitectura SCADA — Fábrica 5 Linhas:

                  ┌─────────────────────────────────────┐
                  │       ERP / MES                     │
                  │       (sala administração)          │
                  └────┬────────────────────────────┬───┘
                       │ Ethernet                   │
                       ▼                            ▼
            ┌──────────────────────┐    ┌──────────────────────┐
            │ SCADA Server 1       │    │ SCADA Server 2       │
            │ (Primary)            │◄───►│ (Backup, redundância)│
            │ - WinCC Server       │    │ - Hot standby        │
            │ - SQL DB histórico   │    │                      │
            └──────┬───────────────┘    └──────┬───────────────┘
                   │                            │
                   └─────────────┬──────────────┘
                                 │ Ethernet industrial dedicada
                                 │
        ┌────────────────────────┼────────────────────────┐
        │                        │                         │
        ▼                        ▼                         ▼
┌──────────────┐         ┌──────────────┐          ┌──────────────┐
│ Switch Core 1│◄───────►│ Switch Core 2│ ...      │ Switch Core N│
│ (anel MRP)   │         │ (anel MRP)   │          │              │
└──────┬───────┘         └──────┬───────┘          └──────┬───────┘
       │                        │                         │
       ▼                        ▼                         ▼
   Linha 1                  Linha 2                   Linha 3-5
   ┌─────────┐              ┌─────────┐               ...
   │ PLC L1  │              │ PLC L2  │
   │ + HMI   │              │ + HMI   │
   │ + I/Os  │              │ + I/Os  │
   └─────────┘              └─────────┘

                          ┌────────────────────────┐
                          │ Clientes               │
                          │ - PCs operação        │
                          │ - PCs supervisão      │
                          │ - Web browsers        │
                          │ - Mobile (tablets)    │
                          └────────────────────────┘

Componentes:

Servidores SCADA (redundância): - 2 PCs industriais robustos. - 1 primary + 1 hot standby (sincronizam dados). - Failover automático em caso de falha do primary.

Base de dados histórico: - SQL Server ou InfluxDB. - Anos de dados. - Acessível para reports e análise.

Rede industrial: - Anel com MRP (Media Redundancy Protocol) para fiabilidade. - Switches industriais (Scalance, Hirschmann). - Cabos blindados Cat6 industriais.

HMIs locais: - Touch panel em cada linha. - Comunicam com PLC local. - Backup local (em caso de falha de comunicação com SCADA).

Clientes SCADA: - Operadores em sala de controlo. - Supervisores em escritórios. - Mobile para gestores via web/app.

Cybersegurança: - Firewall entre rede industrial e rede corporativa. - VPN para acesso remoto. - Autenticação forte (MFA). - Audit log completo. - Backups offsite cifrados.

Custo aproximado: - Servidores + software SCADA: 30-80 000 €. - Switches industriais redundantes: 10-30 000 €. - HMIs: 5 × 2000 € = 10 000 €. - Cabos, instalação, comissionamento: 20-50 000 €. - Formação: 5-10 000 €. - Total inicial: ~80-180 000 €. - Custo anual: licenças (5-15 000 €) + manutenção (3-5% do investimento).

Parte II · Integração

Exercício 3 · OPC UA (15 pts)

a) O que é OPC UA? b) Vantagens vs OPC DA? c) Como configurar servidor OPC UA num PLC S7-1500? d) Como conectar SCADA a esse servidor?

a) OPC UA (Open Platform Communications Unified Architecture): - Standard moderno para comunicação industrial. - Plataforma-agnóstica (Linux, Windows, RTOS, embedded). - Cifragem + autenticação integradas. - Modelo de informação rico (não só valores, mas também metadados). - Suporte de fabricantes (Siemens, Schneider, ABB, Allen-Bradley, Beckhoff, etc.). - Standards IEC 62541.

b) Vantagens vs OPC DA (clássico):

Aspecto OPC DA OPC UA
Plataforma Windows DCOM Independente
Cifragem Não Sim, nativa
Autenticação Limitada Forte (certificados, X.509)
Velocidade Limitada Alta (TCP)
Internet Não (DCOM bloqueia) Sim
Modelo de informação Apenas valores Rico (tipos, hierarquia, eventos)
Cross-platform Não Sim

OPC UA é futuro-proof; OPC DA está obsoleto.

c) Configurar servidor OPC UA num S7-1500:

  1. Hardware Configuration no TIA Portal:
  2. Properties do CPU.
  3. OPC UA → activate "OPC UA server".
  4. Definir endpoint URL: opc.tcp://192.168.0.1:4840.

  5. Configurar segurança:

  6. Security Policy: Basic256Sha256 (mais segura).
  7. Authentication: username + password OU certificado.
  8. Criar utilizadores: admin, operator (com permissões).

  9. Expor variáveis:

  10. Por defeito, todas as variáveis do PLC ficam expostas.
  11. Pode-se filtrar para expor apenas necessárias.
  12. Tag attributes podem ser ajustados (read-only, read-write).

  13. Compilar e descarregar.

  14. Testar com cliente OPC UA:

  15. UaExpert (gratuito, Unified Automation): cliente standard para teste.
  16. Browse server: ver lista de variáveis.
  17. Read/write valores.

d) Conectar SCADA a OPC UA:

WinCC SCADA (Siemens): - Add Connection → OPC UA Connection. - URL: opc.tcp://192.168.0.1:4840. - Authentication: username/password. - Importar variáveis do servidor (browse). - Usar como tags normais.

Inductive Automation Ignition: - Devices → Add OPC UA Connection. - URL + autenticação. - Tags expostas automaticamente.

Wonderware InTouch: - Adicionar OPC UA connection via OPC Connect.

Standardização: - OPC UA torna integração entre fabricantes muito mais fácil. - Substituir SCADA não exige reconfigurar PLCs. - Conectar cloud (Azure IoT, AWS) é directo.

Cybersegurança crítica: - Certificados em vez de só password. - Renovar certificados periodicamente. - Logs de acesso. - Restringir IPs que podem conectar.

Exercício 4 · Mobile HMI (10 pts)

a) Que opções há para HMI em telemóvel/tablet? b) Vantagens e riscos? c) Como implementar com segurança?

a) Opções para HMI mobile:

1. App nativa: - Apps específicas dos fabricantes: - Siemens WinCC Mobile. - Inductive Automation Ignition Perspective. - Aveva InTouch Edge HMI. - Instaladas em smartphone/tablet. - Comunicação com servidor SCADA via WiFi/4G.

2. Web HMI: - HMI acessível via browser (HTML5). - Funciona em qualquer dispositivo (Android, iOS, Windows). - WinCC Unified Web (Siemens). - Ignition Perspective (Inductive Automation).

3. Tablets industriais com HMI completo: - Tablets robustos (Panasonic Toughpad, Zebra ET8x). - HMI completo instalado. - Para uso em chão de fábrica (não escritório).

b) Vantagens: - Mobilidade: operador/supervisor não preso a sala. - Acesso remoto: gestor pode ver de qualquer lugar. - Notificações push em alarmes críticos. - Inspecções no local (técnico vê dados perto da máquina). - Flexibilidade (qualquer dispositivo).

Riscos: - Cybersegurança: dispositivos móveis perdidos / roubados / hackeados. - Conectividade: WiFi/4G instável → operações comprometidas. - Ecrã pequeno: difícil visualizar mímicas complexas. - Distracção: operador pode focar telemóvel em vez do trabalho. - Toque acidental: comandar máquina por erro.

c) Implementação segura:

1. Cybersegurança: - VPN obrigatória para acesso remoto. - MFA (Multi-Factor Authentication): password + SMS / autenticador. - Cifragem end-to-end (HTTPS, TLS 1.3). - Certificados únicos por dispositivo. - Restringir IPs que podem conectar. - Logout automático por inactividade.

2. Permissões adequadas: - Read-only por defeito em mobile. - Comando: apenas administradores em situações específicas. - Alarmes acknowledge: OK para todos. - Configurações: bloqueadas em mobile (apenas no HMI físico).

3. Gestão de dispositivos (MDM — Mobile Device Management): - Software que gere os dispositivos. - Pode bloquear acesso se dispositivo perdido. - Limita aplicações instaláveis. - Política de password obrigatória.

4. Limitações operacionais: - Sem operações críticas em mobile (paragem de emergência tem que ser física). - Confirmação dupla para acções sensíveis. - Modo "consulta" vs modo "controlo" claramente separados.

5. Backup de operação: - Se WiFi/4G falhar, HMI físico continua a funcionar. - Mobile é complementar, não substituto.

6. Treinamento: - Operadores formados sobre quando/como usar. - Procedimentos claros. - Consciência de cybersegurança.

7. Conformidade: - Directiva Máquinas: máquinas perigosas continuam a precisar de botão físico de emergência. - GDPR se houver dados pessoais. - Sectorial (alimentar, farmacêutico) — verificar restrições.

Caso de uso recomendado: - Mobile: monitorização (read-only), alarmes, KPIs, reports. - HMI físico: operação activa, comando, configurações. - SCADA central: configuração avançada, programação.

Tecnologias emergentes: - Realidade aumentada (AR): óculos Microsoft HoloLens mostram dados sobrepostos a equipamento real. - 5G privado: redes 5G dedicadas industriais (latência < 10 ms). - Edge AI: análise local em dispositivos móveis.

Parte III · Manutenção

Exercício 5 · Avaria HMI (15 pts)

HMI Siemens KTP700 não comunica com PLC. Que diagnóstico?

Diagnóstico — HMI não comunica com PLC

Sintomas comuns: - Ecrã mostra "Connection lost" ou "Communication error". - Valores mostrados são os últimos válidos (cached). - Botões não comandam.

Causas possíveis (ordem de probabilidade):

  1. Cabo Ethernet danificado, mal conectado, ou desconectado.
  2. Switch industrial com problema.
  3. IP errado no HMI ou PLC.
  4. PLC em STOP (não comunica).
  5. HMI travado (precisa reset).
  6. Configuração alterada acidentalmente.
  7. Firewall bloqueando.
  8. Hardware do HMI ou PLC avariado.

Procedimento de diagnóstico:

Passo 1 — Verificação visual (1 min): - LEDs no HMI: aceso? (verde = OK, vermelho = erro). - LEDs do switch: link activo (laranja/verde)? - LEDs do PLC: RUN (verde), STOP (laranja/vermelho)? - Cabos Ethernet aparentemente bem conectados?

Passo 2 — Verificar PLC (2 min): - PLC está em RUN? - Se em STOP: tentar pôr em RUN. - Causa do STOP no Diagnostic Buffer?

Passo 3 — Verificar cabo Ethernet (5 min): - Substituir cabo Ethernet por outro testado. - Se resolve → cabo era o problema. - Se não → próximo passo.

Passo 4 — Verificar IPs (3 min): - Conectar PC com TIA Portal ao mesmo switch. - Ping ao HMI: ping 192.168.0.2. - Ping ao PLC: ping 192.168.0.1. - Se ambos respondem → conectividade OK, problema é configuração. - Se um não responde → problema de cabos/hardware.

Passo 5 — Verificar configuração (5 min): - TIA Portal → Online → HMI. - Verificar IP, máscara, gateway. - Verificar conexão com PLC: properties → Connections → testar.

Passo 6 — Reset do HMI (1 min): - Desligar HMI (alimentação 24V). - Esperar 10 segundos. - Ligar. - HMI faz boot, tenta reconectar.

Passo 7 — Diagnóstico do switch (se aplicável): - Substituir switch ou usar outro pop momentaneamente. - Verificar configuração se for managed switch.

Passo 8 — Diagnóstico de hardware: - Se HMI mostra erros internos, falha de boot, ou comportamento errático: - Hardware do HMI pode estar avariado. - Substituir por unidade nova ou de reserva.

Passo 9 — Diagnóstico do PLC: - Se ping ao PLC falha mas LEDs estão OK: - Pode ser problema no módulo de comunicação do PLC. - Verificar Diagnostic Buffer.

Passo 10 — Comunicação intermitente: - Se conecta às vezes e outras não: - Cabo marginalmente danificado. - Switch sobrecarregado. - EMI intermitente. - Solução: substituir cabo, mover instalação ou adicionar filtro EMI.

Documentação: - OT preenchida. - Causa identificada. - Tempo de paragem. - Acções preventivas (se padrão se repete).

Prevenção futura: - Backup do projecto antes de qualquer alteração. - Cabos de qualidade industrial (Cat6 blindado, conectores robustos). - Switches industriais (com diagnóstico, redundância MRP). - Documentação dos IPs e MACs. - Inventário de peças de substituição.

Exercício 6 · Backup e recuperação (10 pts)

a) Que dados guardar para backup completo de HMI? b) Como restaurar HMI substituído?

a) Dados a guardar — Backup HMI:

1. Projecto TIA Portal completo: - Ficheiro .ap18 ou versão equivalente. - Inclui PLC + HMI.

2. Configuração específica do HMI: - Lista de ecrãs. - Tags. - Animações. - Alarmes. - Trends configurações. - Receitas.

3. Imagens customizadas: - Logos da empresa. - Fotografias. - Símbolos não-standard.

4. Configuração de utilizadores: - Lista de utilizadores. - Grupos. - Permissões. - (Passwords não são guardadas no TIA Portal por segurança — anotar separadamente em vault seguro).

5. Configuração de comunicações: - IP do HMI. - IPs dos PLCs com que comunica. - Configurações específicas (timeouts, etc.).

6. Documentação: - Manual do operador (PDF). - Lista de tags com descrições. - Esquemas eléctricos relacionados.

Frequência: - Após cada alteração significativa. - Pelo menos mensalmente (mesmo sem alterações, para confirmar backup funciona). - Antes de qualquer intervenção arriscada.

Onde guardar (regra 3-2-1): - PC do programador (acesso diário). - Servidor da empresa (backup automático). - Cloud cifrada (offsite). - Opcional: cartão SD no próprio HMI (alguns modelos suportam).

b) Restaurar HMI substituído:

Cenário: HMI queimou; comprar novo idêntico (Siemens KTP700 Basic PN).

Procedimento:

1. Preparação: - HMI novo desembalado. - PC com TIA Portal aberto no projecto. - Cabo Ethernet. - Cartão SD com configuração (opcional).

2. Configuração inicial: - Ligar HMI à alimentação 24V. - Conectar cabo Ethernet ao PC. - HMI arranca com configuração de fábrica (sem programa).

3. Definir IP: - TIA Portal → Online → Set IP address. - Atribuir IP correcto (192.168.0.2 por exemplo).

4. Descarregar projecto: - TIA Portal → Download to device. - Seleccionar HMI. - Confirmar overwrite. - Aguardar download (1-5 min conforme tamanho do projecto).

5. Configurar utilizadores (manualmente, se TIA Portal não os transferiu): - Logar como admin. - Criar utilizadores conforme política (anotações separadas). - Definir passwords.

6. Restaurar receitas (se guardadas): - Import receitas do backup.

7. Verificação: - Conectar a PLC (cabo). - Verificar comunicação. - Testar todos os ecrãs. - Testar botões e funcionalidades. - Verificar trends a gravar. - Verificar alarmes a aparecer correctamente.

8. Re-instalação física: - Desligar tensão (LOTO). - Remover HMI antigo (etiquetar cabos). - Instalar HMI novo no mesmo lugar. - Conectar cabos. - Ligar tensão.

9. Teste em produção: - Operadores validam funcionamento. - Programador disponível para ajustes finais.

10. Documentação: - Substituição registada. - Número de série do novo. - Data e técnico.

Tempo total: 1-4 horas se backup actualizado.

Sem backup: dias a semanas de re-programação + risco de bugs.

Lição: investir em backup é investir em disponibilidade.

Parte IV · Cybersegurança

Exercício 7 · Riscos HMI (15 pts)

Quais os principais riscos de cybersegurança em HMIs industriais e como mitigar?

Riscos de Cybersegurança em HMIs:

1. Acesso não autorizado:

Risco: pessoa não autorizada acede ao HMI e: - Altera parâmetros (sabotagem, erro). - Pára produção. - Visualiza informação confidencial.

Mitigação: - Login obrigatório ao arrancar HMI. - Logout automático após inactividade (15-30 min). - Passwords fortes (mínimo 8 caracteres, mistura). - Permissões por nível (operador / manutenção / administrador). - Audit log de todas as acções.

2. Senhas fracas ou partilhadas:

Risco: "admin/admin", senhas conhecidas por toda a empresa, post-its com password.

Mitigação: - Política de senhas rigorosa. - Cada utilizador com conta pessoal (não partilhar). - Renovação periódica (anual). - Sem reutilização de senhas antigas. - Sem post-its com senhas (treinar pessoal).

3. Acesso remoto não seguro:

Risco: alguém da internet conecta directamente ao HMI sem autenticação.

Mitigação: - NUNCA conectar HMI directamente à internet pública. - VPN obrigatória para acesso remoto. - MFA (Multi-Factor Authentication). - Firewall entre rede industrial e internet. - Restringir IPs que podem conectar (whitelist).

4. Software desactualizado:

Risco: vulnerabilidades conhecidas em versões antigas são exploradas.

Mitigação: - Patches de segurança aplicados regularmente. - Plano de upgrades (testar em ambiente isolado primeiro). - Acompanhar CERTs (Computer Emergency Response Teams) e CVEs (Common Vulnerabilities).

5. Comunicação não cifrada:

Risco: alguém na rede intercepta tráfego e: - Vê dados (espionagem). - Modifica dados (man-in-the-middle).

Mitigação: - OPC UA em vez de OPC DA (cifragem nativa). - HTTPS em vez de HTTP (em interfaces web). - VPN para comunicação entre sites. - Certificados para identificação de servidores e clientes.

6. Rede industrial conectada à rede corporativa:

Risco: ataque a partir da rede de escritórios (e-mail malicioso) chega a PLCs/HMIs.

Mitigação: - Segmentação com firewall ou DMZ. - VLAN separadas. - Air gap em sistemas críticos (sem conexão à corporativa). - Monitorização do tráfego entre redes.

7. USB e dispositivos amovíveis:

Risco: pen USB infectada conectada ao HMI/PC SCADA instala malware (Stuxnet usou esta via).

Mitigação: - Portas USB desactivadas em HMIs em produção. - Política rígida sobre dispositivos amovíveis. - Scanner antimalware em dispositivos antes de conectar.

8. Engenharia social:

Risco: alguém telefona a operador fingindo ser "técnico" e pede senha ou para realizar acção.

Mitigação: - Treinamento sobre engenharia social. - Procedimentos para verificar identidade. - Não partilhar senhas em telefone ou e-mail. - Reportar tentativas suspeitas.

9. Backup comprometido:

Risco: ransomware encripta backups → impossível recuperar.

Mitigação: - Backups offline (não na rede). - 3-2-1: 3 cópias, 2 mídias, 1 offsite. - Imutabilidade (backups não-modificáveis). - Testes regulares de recuperação.

10. Insider threats (ameaças internas):

Risco: empregado descontente sabota sistema.

Mitigação: - Permissões mínimas (least privilege). - Audit log completo. - Revisão de acessos ao sair de funcionário. - Cultura positiva (prevenir descontentamento).

Standards de referência:

Avaliação periódica:

Plano de resposta a incidentes:

Investimento típico em cybersegurança industrial: - 5-15% do orçamento de IT/OT. - Mas custo de ataque bem-sucedido pode ser milhões (Stuxnet, Colonial Pipeline, Norsk Hydro).

Conclusão: cybersegurança industrial não é opcional — é parte integral de operação responsável.

Exercício 8 · Treino de operadores (5 pts)

Que treino dar a operadores sobre uso de HMI?

Treino de Operadores em HMI:

Duração: 4-8 horas para HMI standard; 16-40h para sistemas complexos.

Conteúdos:

1. Visão geral da máquina (1h): - O que faz, como funciona em geral. - Componentes principais. - Fluxo do processo.

2. HMI — interface (1-2h): - Layout dos ecrãs principais. - Significado de cada cor (verde, amarelo, vermelho). - Como navegar entre ecrãs. - Login com sua conta.

3. Operações normais (2-3h): - Como arrancar a máquina. - Como parar normalmente. - Como pausar. - Como ajustar parâmetros (se permitido). - Como mudar de receita.

4. Alarmes (1h): - Como reconhecer um alarme. - O que significa cada tipo de alarme. - O que fazer em cada caso. - Como reconhecer (acknowledge). - Quando chamar manutenção.

5. Emergências (1h, CRÍTICO): - Onde fica o botão de emergência físico. - Quando premir emergência. - O que fazer depois de premir emergência (não tentar resolver sem ajuda em casos graves). - Procedimentos de evacuação se aplicável.

6. O que NÃO fazer: - Não ir a ecrãs de configuração sem permissão. - Não partilhar senha. - Não tocar em parâmetros que não compreende. - Não tentar reparar avarias eléctricas/mecânicas.

7. Hands-on (1-3h): - Prática supervisionada com a máquina. - Cenários típicos. - Simulação de alarmes. - Q&A.

Avaliação: - Demonstração prática supervisionada. - Quiz (escrito ou oral). - Certificado de competência (opcional para sistemas críticos).

Reciclagem: - Anual para todos os operadores. - Após modificações significativas no HMI. - Após acidentes ou near-misses (lições aprendidas).

Material de apoio: - Manual do operador (curto, focado, com fotos). - Vídeos demonstrando operações típicas (5-10 min cada). - Cards plastificados com checklist diário. - Acesso ao HMI de treino (não-produção) para prática.

Treinador: - Idealmente alguém que conhece muito bem a máquina (técnico sénior + bom comunicador). - Conhecimento técnico + capacidade pedagógica. - Disponibilidade para perguntas posteriores.

Indicadores de sucesso: - Tempo médio para operar correctamente após formação. - Número de erros operacionais reduzido. - Confiança dos operadores aumenta. - Acidentes / quase-acidentes reduzidos.

Erros comuns no treino: - Demasiada informação num só dia. - Sem prática (apenas teoria). - Sem follow-up após sessão inicial. - Linguagem técnica demasiado avançada. - Treinador inadequado (mau comunicador).

Boas práticas: - Divisão em sessões (não 8h seguidas, mas 2h × 4 dias). - Mistura teoria + prática. - Casos reais da máquina concreta. - Sessão de perguntas ao fim de cada sessão. - Material para consulta sempre disponível.