Ficha 02 · GRAFCET, PID, casos avançados
- GRAFCET
- PID
- Comunicação
- Integração
Parte I · GRAFCET
Exercício 1 · Sequência paralela (15 pts)
Numa máquina há 2 operações que devem acontecer em paralelo após START: - Operação 1: cilindro A avança, espera 3s, recua. - Operação 2: cilindro B avança, atinge B1, recua quando atinge sensor de peça pronta.
Após ambas as operações terminarem, sistema volta a repouso.
Desenha GRAFCET com paralelismo.
GRAFCET com paralelismo:
╔══╗
║ 0║ Repouso. Aguarda START + A,B recolhidos.
╚═╤╝
│ Trans: START + B2A + B2B
▼
┌──┐
│ 1│ Estado inicial paralelo
└─┬┘
│
═══════════════════ (divergência paralela — linha dupla)
│ │
│ │
┌─┴─┐ ┌─┴─┐
│2.1│ EV_A+ │2.2│ EV_B+
└─┬─┘ └─┬─┘
│ B1A │ B1B
▼ ▼
┌─┴─┐ ┌─┴─┐
│3.1│ EV_A+=0 │3.2│ EV_B+=0 / aguarda peça
│ │ T=3s │ │
└─┬─┘ └─┬─┘
│ T1.Q │ Sensor peça (I0.7)
▼ ▼
┌─┴─┐ ┌─┴─┐
│4.1│ EV_A− │4.2│ EV_B−
└─┬─┘ └─┬─┘
│ B2A │ B2B
▼ ▼
┌─┴─┐ ┌─┴─┐
│5.1│ (fim 1) │5.2│ (fim 2)
└─┬─┘ └─┬─┘
│ │
═══════════════ (convergência paralela)
│
▼
┌──┐
│ 6│ Ambas operações terminaram
└─┬┘
│ Trans: incondicional (ou pequena temporização)
▼
(volta a 0)
Interpretação: - Estado 1 inicia ambos os ramos paralelos. - Ramo esquerdo (2.1, 3.1, 4.1, 5.1) executa operação 1 com temporização. - Ramo direito (2.2, 3.2, 4.2, 5.2) executa operação 2 com sensor de peça. - Quando ambos os ramos chegam aos estados finais (5.1 e 5.2), sistema avança para estado 6. - De 6 volta a 0 (repouso).
Vantagem do paralelismo: - Operações independentes em simultâneo. - Aumenta produtividade vs sequencial. - Sincronização só onde necessário (no fim).
Implementação em PLC: - Siemens S7-GRAPH suporta nativamente. - Em ladder: cada ramo com suas próprias memórias de estado. Estado 6 activa quando memórias 5.1 e 5.2 ambas activas.
Exercício 2 · Tratamento de emergência (10 pts)
Em GRAFCET, como tratar paragem de emergência?
Tratamento de paragem de emergência em GRAFCET:
Opção 1 — Forçar estado de emergência:
(Independente do estado actual)
I_emergency = 1
│
▼
┌──┐
│99│ Estado de emergência
└─┬┘
│ Acções:
│ - Todas as saídas desactivadas (EV = 0).
│ - Alarme acende.
│ - Sistema parado.
│ Trans: I_emergency = 0 AND reset_emergency
▼
┌──┐
│ 0│ Voltar a estado inicial (após reset manual)
└──┘
Como implementar: - Macro de emergência: condição que transita imediatamente para estado 99, independentemente do estado actual. - Acções no estado 99: garantir que todas as saídas críticas estão desligadas. - Saída do estado 99 requer: - Botão de emergência libertado. - Acto deliberado (reset). - Sistema em condições seguras (todos os sensores em estado inicial).
Opção 2 — Emergência em hardware:
- Relé de segurança (Pilz, Sick) que corta directamente o contactor de alimentação dos actuadores.
- PLC continua a ver entradas e processar, mas saídas não actuam.
- Independência do PLC garante segurança mesmo em caso de falha do software.
Boas práticas: 1. Redundância: emergência em software (GRAFCET) + hardware (relé de segurança). 2. Reset manual obrigatório: nunca arrancar automaticamente após emergência. 3. Posição segura: actuadores vão para estado seguro (cilindros recolhem, válvulas fecham). 4. Sinalização clara: alarme visual + sonoro. 5. Log do evento: registar para análise post-mortem. 6. Categoria de segurança apropriada (Cat. 4 / PLe para máquinas perigosas).
Em GRAFCET de produção avançada: - Subgrafos para modos diferentes (auto, manual, manutenção, emergência). - Estado de "supervisor" que controla qual modo está activo. - Transições controladas entre modos.
Parte II · Controlo PID
Exercício 3 · Configurar PID (15 pts)
Tens que configurar um bloco PID no S7-1200 para: - Controlo de temperatura num forno. - Sensor Pt100 (gama 0-200 °C). - Saída para SSR controlando resistência eléctrica. - Setpoint: 150 °C.
a) Que módulos PLC necessitas? b) Que bloco usar? c) Configurações típicas. d) Como sintonizar?
a) Módulos PLC: - CPU S7-1212C (ou superior). - SM 1231 RTD: módulo de entrada Pt100 (1-4 canais). - SM 1232: módulo de saída analógica 0-10V (para SSR via conversor). - OU SB 1232: signal board para AO directo (mais compacto).
Em alternativa, se SSR aceita PWM: - DO directo do PLC com modulação PWM no software.
b) Bloco a usar:
PID_Compact (Siemens S7-1200/1500): - Bloco optimizado para PID standard. - Tempo de amostragem ajustável. - Auto-tuning automático. - Limites configuráveis. - Anti-windup integrado.
Em alternativa para controlo mais avançado: - PID_3Step: para válvulas com 3 posições (abrir, fechar, manter). - PID_Temp: especializado para temperatura (com modelos térmicos).
c) Configurações típicas:
Bloco: PID_Compact
Entrada (input):
- Input = MW100 (valor real, em REAL, em unidades de engenharia, ex: °C)
- Setpoint = MW102 = 150.0 (°C)
Saída (output):
- Output = MW104 (0-100%)
Configurações:
- Tempo de amostragem: 1 segundo (forno reage devagar)
- ManualValue = 0 (para modo manual)
- Mode = 4 (Automatic)
Limites:
- LimitMinValue = 0% (não há refrigeração activa)
- LimitMaxValue = 100% (potência máxima)
Sintonia inicial (chute):
- Kp (proporcional) = 5
- Ti (tempo integral) = 60 s
- Td (tempo derivativo) = 10 s
d) Sintonização:
Método 1 — Auto-tuning (recomendado):
- Forno em condições normais, sem carga ou com carga estável.
- Setpoint próximo do operacional (ex: 150 °C).
- No bloco PID_Compact, iniciar Pretuning ou Fine Tuning.
- PLC aplica degrau de potência, observa resposta, calcula Kp, Ti, Td automaticamente.
- Duração: 10-30 minutos típico para sistema térmico.
- Aceitar parâmetros se resposta for boa.
Método 2 — Manual (Ziegler-Nichols):
- Definir Ti = ∞ e Td = 0 (apenas P).
- Aumentar Kp gradualmente até oscilação sustentada (Kp_critico).
- Medir período da oscilação (Pu).
- Calcular parâmetros:
- Kp = 0,6 × Kp_critico.
- Ti = Pu / 2.
- Td = Pu / 8.
Método 3 — Trial and error:
- Começar com Kp baixo, Ti longo, Td=0.
- Aumentar Kp até resposta rápida sem oscilação excessiva.
- Diminuir Ti se há erro residual.
- Adicionar Td se há overshoot grande.
- Iterar.
Sinais de boa sintonização: - Atinge setpoint em tempo razoável. - Overshoot < 5%. - Oscilação rapidamente amortecida. - Erro residual zero (Ti elimina-o).
Sinais de má sintonização: - Demasiado lento: aumentar Kp ou reduzir Ti. - Oscilação contínua: reduzir Kp ou aumentar Td. - Overshoot grande: reduzir Kp ou aumentar Td. - Erro residual: reduzir Ti.
Documentar valores finais para futuras referências.
Exercício 4 · Loop control (10 pts)
Esboça o diagrama de um loop de controlo PID com: - Sensor Pt100 + transmissor 4-20 mA. - PLC com PID. - Saída para válvula proporcional. - Variável: temperatura num reactor.
Diagrama do Loop de Controlo PID:
SP = 80 °C
│
▼
┌──────────────┐
│ PLC com PID │
│ │
│ PV = ? │
│ SP - PV │
│ = erro │
│ │
│ PID(erro) │
│ = output │
│ │
└────┬─────────┘
│ 0-100%
│ (convertido a 0-10V em AO)
│
▼
┌──────────────┐
│ Válvula │
│ proporcional │
│ (0-100% │
│ abertura) │
└────┬─────────┘
│ Vapor quente
▼
┌──────────────┐
│ Reactor │
│ │
│ T = PV │
└────┬─────────┘
│
▼ Reacção química
Pt100 mede temperatura
│
▼
┌──────────────┐
│ Transmissor │
│ 4-20 mA │
└────┬─────────┘
│ Sinal eléctrico
│
▼
┌──────────────┐
│ PLC entrada │
│ analógica │
│ (converte │
│ 4-20 → PV) │
└────┬─────────┘
│
▲ (feedback ao PID — fecha o loop)
Componentes: - PV (Process Variable): temperatura medida (variável real). - SP (Setpoint): temperatura desejada (80 °C). - Output do PID: percentagem de abertura da válvula. - Manipulated Variable (MV): caudal de vapor (controlado pela válvula).
Funcionamento:
- Pt100 mede temperatura (PV).
- Transmissor converte resistência em 4-20 mA.
- PLC lê AI, converte para °C (PV).
- PID calcula:
- Erro = SP - PV.
- Output = Kp × erro + Ki × ∫erro dt + Kd × d(erro)/dt.
- PLC envia output (0-100%) → AO (0-10V) → válvula.
- Válvula ajusta caudal de vapor.
- Vapor aquece reactor → PV aumenta.
- Loop fechado: PV aproxima-se de SP.
Em malha aberta (sem feedback): - Operador controla manualmente. - Sem auto-ajuste a perturbações. - Útil em sistemas simples ou para testes.
Em malha fechada PID: - Auto-ajuste contínuo. - Compensa perturbações (variações na carga, na temperatura ambiente, etc.). - Standard em controlo de processo.
Implementação no PLC: - 1 bloco PID por loop. - Em fábrica grande: dezenas de loops simultâneos. - Cada loop com sua tabela de variáveis.
Parte III · Integração
Exercício 5 · Comunicação com HMI (10 pts)
a) Como conectar HMI a PLC Siemens? b) Que dados trocar? c) Frequência de actualização?
a) Conexão HMI ↔ PLC Siemens:
Hardware: - HMI: Siemens KTP400 / KTP700 / KTP1200 (Basic, Comfort). - Cabo Ethernet (Profinet) entre HMI e PLC. - Ou via switch industrial se há mais dispositivos.
Configuração no TIA Portal: 1. Single projecto que contém PLC + HMI. 2. Network View: arrastar conexão Profinet entre PLC e HMI. 3. Atribuir IPs: - PLC: 192.168.0.1. - HMI: 192.168.0.2. 4. HMI Connections: definir PLC como source de variáveis. 5. Compilar e descarregar ambos.
b) Dados a trocar:
Do PLC para HMI (HMI lê do PLC): - Estados das máquinas: ON/OFF, em ciclo, em alarme. - Valores de processo: temperaturas, pressões, caudais. - Contadores: peças produzidas, ciclos. - Tempos: tempo de ciclo, tempo desde arranque. - Alarmes activos: lista, tipo, hora.
Do HMI para PLC (HMI escreve no PLC): - Setpoints: temperatura, pressão, velocidade desejadas. - Comandos: start, stop, reset, modo. - Parâmetros: receita seleccionada, modo de operação. - Configurações: limites de alarme, calibrações.
c) Frequência de actualização:
Visualizações em tempo real (estados, valores): - 100-500 ms típico. - Suficiente para visão humana (não é necessário mais rápido).
Trends (gráficos histórico): - 1-5 segundos por amostra. - Histórico armazenado em HMI ou servidor.
Alarmes: - Imediato (assim que evento ocorre). - Não esperar pelo polling — usar mecanismo de eventos.
Receitas / parâmetros: - Sob demanda (ao guardar / aplicar receita).
Critério para evitar sobrecarga: - Variáveis críticas: 100 ms. - Variáveis secundárias: 500-1000 ms. - Variáveis lentas (T, P estáveis): 2-5 s.
Limites técnicos: - PLCs S7-1200 / 1500 suportam centenas a milhares de variáveis em comunicação. - Ethernet 100 Mbit/s não satura facilmente com variáveis típicas.
Boas práticas: - Definir tags com nomes significativos. - Tipos correctos (BOOL, INT, REAL, STRING). - Documentação das comunicações. - Backup sincronizado.
Parte IV · Caso avançado
Exercício 6 · Sistema multi-PLC (15 pts)
Numa fábrica há 3 linhas de produção, cada uma com PLC dedicado, mais um PLC supervisor que coordena.
a) Como integrar? b) Que protocolos? c) Que arquitectura de software?
a) Integração de sistema multi-PLC:
Arquitectura:
┌──────────────────────────┐
│ PLC Supervisor │
│ (Coordena tudo) │
│ PLC S7-1500 │
└────┬─────────────────┬───┘
│ │
┌──────────────┼──────────────┐ │
│ │ │ │
▼ ▼ ▼ ▼
┌─────────┐ ┌─────────┐ ┌─────────┐ ┌─────────────┐
│ PLC L1 │ │ PLC L2 │ │ PLC L3 │ │ Servidor │
│ S7-1200 │ │ S7-1200 │ │ S7-1200 │ │ SCADA / MES │
└────┬────┘ └────┬────┘ └────┬────┘ └─────────────┘
│ │ │
I/Os, motors I/Os, motors I/Os, motors
da linha 1 da linha 2 da linha 3
Funcionamento: - Cada PLC de linha controla sua linha localmente (autónomo). - PLC supervisor: - Recebe dados de cada PLC (produção, alarmes, status). - Coordena entre linhas (ex: priorizar produção conforme stock). - Reporta a SCADA / MES. - SCADA: visualização para operadores. - MES: integração com gestão (encomendas, produção, qualidade).
b) Protocolos:
PLC ↔ PLC (S7-1200 ↔ S7-1500): - Profinet entre todos (rede industrial dedicada). - PUT/GET instruções para troca directa de dados entre PLCs Siemens. - OPC UA (alternativa moderna, mais flexível).
PLC ↔ SCADA: - OPC UA (moderno). - OPC DA (mais antigo, ainda usado).
SCADA ↔ MES: - OPC UA. - Bases de dados (SQL). - Web services.
c) Arquitectura de software:
No PLC de cada linha (S7-1200): - Programa principal com a lógica de produção. - Blocos de dados (DBs) com: - Estados (em ciclo, em alarme, em paragem). - Contadores de produção. - Parâmetros actuais. - Comunicação: - Variáveis publicadas ao supervisor (PUT). - Comandos recebidos do supervisor (GET).
No PLC supervisor (S7-1500): - Programa de coordenação: - Lógica de prioridades. - Distribuição de carga. - Alarmes consolidados. - DBs de cada linha (espelham dados das linhas). - Comunicação com SCADA: - Servidor OPC UA integrado. - Tags expostas para SCADA.
No SCADA: - Visualização global (todas as linhas num só ecrã). - Drill-down para detalhes de cada linha. - Histórico (trends, alarmes). - Receitas (parametros de produção). - Permissões por utilizador.
Cybersegurança: - Rede industrial separada da rede corporativa (firewall, VLAN). - OPC UA com cifragem + autenticação. - Backup de cada PLC e SCADA. - Documentação completa (esquemas de rede, IPs, tags).
Tempo de desenvolvimento típico: - 3-6 meses para projecto desta complexidade. - Equipa: 2-4 programadores PLC + 1 engenheiro SCADA + 1 engenheiro de redes.
Investimento estimado: - 4 PLCs + acessórios: 5-10 000 €. - Software SCADA (anual): 5-15 000 €. - Switches industriais + cabos: 3-8 000 €. - Engenharia: 30-80 000 €. - Total: ~50-100 000 € para sistema completo médio.
ROI: - Visibilidade da produção: melhoria de eficiência 10-20%. - Alarmes precoces: redução de paragens 20-40%. - Decisões baseadas em dados: optimização contínua. - Payback típico: 12-24 meses.
Parte V · Tendências
Exercício 7 · PLC vs PC industrial (10 pts)
Modernamente há PCs industriais (IPC) com software de PLC (CodeSys, TwinCAT, Beckhoff).
a) Quando preferir PLC tradicional vs IPC? b) Vantagens IPC? c) Vantagens PLC tradicional?
a) Quando preferir cada:
PLC tradicional (Siemens S7, Allen-Bradley, etc.): - Aplicações standard industriais. - Maior fiabilidade comprovada. - Suporte local (fornecedores, técnicos). - Standardização em equipa familiar.
IPC com software PLC (Beckhoff TwinCAT, CodeSys): - Aplicações avançadas: - Controlo de movimento (servomotores múltiplos). - Visão por computador integrada. - Algoritmos complexos. - Integração com IT mais profunda. - Quando precisa de mais poder computacional. - Para prototipagem e desenvolvimento rápido.
b) Vantagens IPC:
- Poder computacional: CPU mais rápida que PLCs tradicionais.
- Memória: GBs vs MBs do PLC.
- Linguagens: C++, .NET, Python além do IEC 61131-3.
- Visão computacional: processar imagens directamente.
- AI/ML: algoritmos de inteligência artificial no controlo.
- Integração IT: usar software de servidor (bases de dados, web services).
- Flexibilidade: actualizar OS, software, hardware mais fácil.
- Custo por I/O: tipicamente mais baixo que PLC tradicional em larga escala.
c) Vantagens PLC tradicional:
- Fiabilidade comprovada: décadas de evolução, MTBF muito alto.
- Determinístico: ciclo de scan garantido (mais previsível).
- Robustez: temperaturas extremas, vibração, EMI.
- Sem update forçado: software estável durante a vida útil (10+ anos).
- Cybersegurança: superfície de ataque menor (menos software).
- Suporte global: fornecedores locais, peças, técnicos.
- Curva de aprendizagem: técnicos formados em PLC tradicional abundam.
- Certificações: PLCs Safety com SIL3 / PLe fáceis de obter.
Tendência:
Convergência: - PLCs modernos (S7-1500) já são essencialmente IPCs com firmware PLC. - Suportam algumas funcionalidades IT (OPC UA, web servers, Python). - IPCs com firmware "PLC-like" (Beckhoff TwinCAT) ganham terreno em aplicações avançadas.
Para maior parte das aplicações industriais: - PLC tradicional ainda é a escolha mais segura e prática. - IPC justifica-se em aplicações específicas (CNC complexo, visão, AI).
Em Portugal: dominância de PLCs tradicionais (Siemens, Schneider). IPCs (Beckhoff) crescem em automação avançada.
Exercício 8 · IoT industrial (10 pts)
Como pode um PLC ser integrado em IoT industrial / Indústria 4.0?
Integração de PLC em IoT Industrial / Indústria 4.0:
Conceito: dados de produção em tempo real disponíveis para análise, optimização e gestão estratégica.
Arquitectura:
PLC (Chão de fábrica)
│
│ OPC UA / MQTT
▼
Edge Gateway (local)
│ - Pré-processa dados.
│ - Filtra ruído.
│ - Calcula KPIs locais.
│ Cifragem / autenticação
▼
Cloud (AWS, Azure, Google)
│ - Armazena histórico.
│ - Visualização (dashboards).
│ - Análise avançada (ML).
│ - Integração com ERP, MES.
▼
Utilizadores (web, mobile)
Tecnologias-chave:
1. OPC UA (Open Platform Communications Unified Architecture): - Standard para comunicação industrial moderna. - Cifragem + autenticação integradas. - Servidor OPC UA integrado em PLCs modernos (S7-1500, Beckhoff). - Permite que qualquer cliente (SCADA, MES, cloud) leia dados.
2. MQTT (Message Queuing Telemetry Transport): - Protocolo leve para IoT. - Publish-subscribe: dispositivos publicam, clientes assinam. - Eficiente em largura de banda. - Standard em IoT industrial.
3. Edge Computing: - Processamento local próximo dos PLCs. - Reduz latência (não precisa ir à cloud para cada decisão). - Reduz tráfego de rede. - Marcas: Siemens IoT2050, Beckhoff CX9020, Advantech.
4. Cloud platforms: - Siemens MindSphere. - Microsoft Azure IoT. - AWS IoT. - Google Cloud IoT.
5. Big Data e analytics: - Armazenamento de biliões de pontos de dados por ano. - Time-series databases (InfluxDB, TimescaleDB). - Visualização: Grafana, PowerBI, Tableau.
6. Machine Learning / AI: - Anomaly detection: detectar comportamentos anómalos. - Predictive maintenance: prever falhas antes de acontecerem. - Optimização: ajustar parâmetros para máxima eficiência.
Benefícios:
- Visibilidade global da produção em tempo real.
- Manutenção preditiva baseada em dados reais.
- Optimização contínua (KPIs analisados continuamente).
- Integração com gestão (ERP, MES) → decisões coordenadas.
- Trabalho remoto (técnicos podem ajudar sem estar no local).
- Benchmarking entre fábricas (mesma rede).
Desafios:
- Cybersegurança: ataques a infraestrutura crítica.
- Latência: nem todas as decisões podem ser na cloud.
- Largura de banda: dados em massa custam transmissão.
- Privacidade: dados de produção podem ser sensíveis.
- Vendor lock-in: ficar preso a uma plataforma.
- Custo: investimento significativo inicial.
Implementação faseada recomendada:
Fase 1 — Conectividade: - Ler dados básicos de PLCs (estados, contadores). - Visualização local (HMI + dashboard simples).
Fase 2 — Cloud: - Edge gateway envia dados à cloud. - Dashboards web. - Alertas básicos.
Fase 3 — Analytics: - Análise de tendências. - KPIs avançados (OEE em tempo real).
Fase 4 — IA: - Manutenção preditiva. - Optimização automática. - Tomada de decisões assistida.
Em Portugal: empresas grandes (automóvel, energia) já estão em fases avançadas. PMEs começam na fase 1-2.
Investimento típico para PME (5-10 PLCs): - Hardware (gateways, sensores adicionais): 5-15 000 €. - Software (cloud, licenças): 5-15 000 €/ano. - Engenharia: 20-50 000 €. - Total inicial: 30-80 000 €. - ROI esperado: 12-36 meses.