Ficha 02 · Software CAD, documentação, leitura
- CAD eléctrico
- Documentação
- Leitura
- Manutenção
Parte I · Software CAD
Exercício 1 · Escolher (10 pts)
Para cada cenário, recomenda software CAD eléctrico:
a) Escola técnica com orçamento zero, ensinar 30 alunos. b) Empresa PME com 3 projectistas, 100 projectos/ano. c) Fábrica grande de automação industrial, projectos topo. d) Hobbyista a desenhar esquema do seu próprio carro restaurado.
a) QElectrotech — gratuito, open source, GPL. Multi-plataforma. Bom para ensino sem custos de licença.
b) SEE Electrical ou EPLAN P8 (versão Education ou licença anual). Investir em CAD profissional acelera produção e melhora qualidade. SEE Electrical é mais acessível para PME.
c) EPLAN P8 ou AutoCAD Electrical. Indústria pesada exige bibliotecas extensas, integração ERP, multi-utilizador, gestão de versões avançada.
d) QElectrotech ou simples PowerPoint/desenho à mão. Para 1 projecto, não vale o investimento em CAD comercial.
Exercício 2 · Vantagens CAD vs mão (10 pts)
Indica 5 vantagens de usar CAD eléctrico em vez de desenhar à mão.
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Bibliotecas de símbolos prontas (IEC, ANSI, fabricantes) — não desenhas cada componente de zero.
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Geração automática de listas:
- Lista de material (BOM).
- Lista de bornes (cada borne identificado).
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Lista de cabos (de/para, secção).
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Numeração automática de bornes, circuitos, fios.
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Verificação de consistência — software detecta cabos sem destino, conexões em curto, símbolos sem ligação.
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Edição rápida — mudar 1 componente e propaga-se a todos os lugares relacionados.
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Versionamento — R0, R1, R2 com histórico do que mudou.
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Multi-utilizador — vários projectistas no mesmo projecto sem conflitos.
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Etiquetas para impressora — gera ficheiro para impressora termal (Brady, Brother).
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Conformidade legal — gera relatórios para RTIEBT.
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Backup digital — projecto cabe num USB em vez de gaveta.
Parte II · Documentação
Exercício 3 · Dossier (15 pts)
Lista 8 documentos essenciais que um dossier de uma instalação eléctrica industrial deve conter.
- Esquema unifilar geral (1 folha A2 ou A1).
- Esquemas multifilares por circuito/máquina (várias folhas).
- Esquema de comando separado (24 V).
- Layout dos quadros (cada quadro com cotas + posições).
- Lista de material (BOM) completa — referências, quantidades, fornecedores.
- Lista de bornes — cada borne identificado por nome (KM1-1, etc.).
- Lista de cabos — origem, destino, secção, comprimento.
- Relatório de inspecção RTIEBT — medições de terra, isolamento, continuidade.
- Certificados CE dos componentes principais.
- Termo de responsabilidade do Técnico Responsável (TR).
- Cópia plastificada do unifilar dentro do quadro.
- Manual de manutenção com frequências.
- Lista de peças de reserva recomendadas.
Exercício 4 · Sem documentação (10 pts)
Que problemas reais surgem em manutenção quando a documentação eléctrica está ausente ou desactualizada?
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Tempo de diagnóstico explode — em vez de 10 minutos consultando esquema, gasta-se 2-3 horas a seguir cabos com multímetro de continuidade.
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Risco de acidente — técnico mexe num cabo julgando estar desligado mas não está; pode levar choque.
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Substituição de componentes errada — instala disjuntor de 10A onde devia ser 16A; sobreaquece e queima cabo.
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Modificações inconscientes — alguém liga novo equipamento sem perceber que sobrecarrega circuito existente; alarme falha; quadro queima.
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Conformidade legal — em inspecção, falta de documentação = multa + obrigação de refazer/auditar.
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Custo de não-qualidade — falhas repetidas, paragens não programadas, peças de reserva inadequadas.
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Conhecimento perdido — técnico que conhecia "de cabeça" sai/reforma → conhecimento desaparece.
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Auditorias e seguros — companhia de seguros pode recusar pagar sinistros sem documentação técnica adequada.
Investimento em documentação inicial e manutenção dela = fracção mínima do custo evitado.
Parte III · Leitura
Exercício 5 · Interpretar esquema (15 pts)
Vês este excerto multifilar:
+24V ──[S1.NO]──[KT1.NC]──[KM1.A1]──
[KM1.A2] ── 0V
┌──[KM1.aux NO]──[KT1]── 0V
│
─────────────[KM1.A1]
Descreve o que faz este circuito.
Este é um arranque temporizado seguido de desligação automática (não retém indefinidamente).
Funcionamento:
- Inicialmente: tudo desligado.
- Premir S1 (botoeira NO):
- Corrente passa: +24V → S1 → KT1.NC → bobina KM1 → 0V.
- KM1 activa → fecha contactos principais (motor arranca).
- KM1.aux NO (em paralelo a S1) fecha → auto-retenção.
- Em paralelo, alimenta também o relé temporizado KT1 (segundo trajecto: +24V → S1 → KM1.aux → KT1).
- Soltar S1: KM1.aux mantém o circuito (auto-retenção); KT1 começa a temporizar.
- Após tempo T (configurado em KT1, ex.: 30 s): KT1 termina temporização.
- KT1.NC abre → interrompe alimentação da bobina KM1.
- KM1 desactiva → motor pára.
- KM1.aux abre → KT1 desactiva também.
- Sistema volta ao estado inicial.
Aplicação: máquina que tem de funcionar tempo limitado (ex.: lavagem por 30 s, mistura por 2 min, ventilação após determinado evento).
Exercício 6 · Diagnóstico (10 pts)
Vês esquema e na realidade o motor não arranca quando premes S1. Que sequência de testes fazes?
Sistemático com multímetro V DC (24 V):
- Alimentação +24V presente?
- Medir entre +24V (após disjuntor da fonte) e 0V.
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Sim 24V → continuar. Não → problema na fonte/fusível de comando.
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S0 funcional?
- Em repouso, S0.NC deve estar fechado (continuidade).
-
Soltar e medir continuidade.
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Premir S1, medir entre os 2 terminais:
- Antes premir: voltímetro mede 24V (circuito aberto, S1 antes da bobina).
- Premindo: deve dar 0V (curto-circuitado pelo S1 que fechou).
-
Se continua 24V ao premir → S1 não fecha (avaria).
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Verificar continuidade da bobina KM1:
- Desligar fonte.
- Multímetro Ω entre A1 e A2 da bobina.
- Deve dar valor finito (200-2000 Ω típico).
- ∞ → bobina partida → substituir.
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0 → bobina queimada em curto → substituir.
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Inspeccionar contactor visualmente:
- Bobina queimada (cor escura, cheiro).
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Contactos colados ou queimados.
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Inspeccionar inter-bloqueios (se motor inversível com KM2):
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KM2.NC tem que estar fechado para KM1 activar.
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Se tudo OK em comando, verificar potência:
- Tensão nas 3 fases após disjuntor.
- Cabos do contactor para motor.
- Continuidade das bobinas do motor.
Usar esquema como roteiro de diagnóstico.
Parte IV · Aplicação
Exercício 7 · Projecto pequeno (15 pts)
Projecta o esquema de comando (descrição em palavras) para esta máquina:
- Botão Start (S1) arranca o motor M1.
- Botão Stop (S0) pára.
- Sensor de nível alto (B1) pára automaticamente.
- Lâmpada H1 verde acesa = motor ON.
- Lâmpada H2 vermelha acesa = nível alto detectado (alarme).
Circuito 1 — controlo do motor:
+24V ── S0 (NC) ── B1 (NC) ── S1 (NO) ──┬── KM1.A1
│
└── KM1.aux NO ── (auto-retenção)
KM1.A2 ── 0V
- S0: stop normal manual.
- B1: contacto NC do sensor de nível; em repouso fechado; quando detecta nível alto, abre → desliga motor.
- S1: start, com auto-retenção via KM1.aux NO.
Circuito 2 — lâmpada verde (motor ON):
+24V ── KM1.aux NO ── H1 (verde) ── 0V
Quando KM1 está activo, seu contacto auxiliar fecha → lâmpada verde acende.
Circuito 3 — lâmpada vermelha (nível alto):
+24V ── B1 (NO) ── H2 (vermelha) ── 0V
Note: B1 tem dois contactos: NC (no circuito do motor) e NO (no circuito da lâmpada). Quando detecta nível alto: - NC abre → motor pára. - NO fecha → lâmpada vermelha acende.
Resultado: máquina pára e operador é avisado simultaneamente.
Exercício 8 · Boas práticas (5 pts)
Indica 3 boas práticas em desenho de esquemas eléctricos para facilitar manutenção futura.
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Numerar todos os bornes consistentemente. O esquema usa "KM1-1" e na realidade o borne 1 está identificado igualmente; permite ligar/desligar com confiança.
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Identificar cada cabo com referência ao esquema. Anel ou braçadeira com número correspondente. Facilita refazer ligações ou debug.
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Sequência lógica dos elementos: alimentação no topo, distribuição no meio, cargas no fundo. Padronizado entre todos os esquemas da empresa.
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Notas e legendas abundantes — função de cada parte, valores típicos, alarmes.
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Cópia plastificada dentro do quadro — sempre acessível na hora do acidente.
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Actualizar SEMPRE após modificação. Esquema desactualizado = pior que ausência (porque enganador).